Fed mantém taxas de juro e alerta para impacto da energia na inflação

Reserva Federal mantém juros entre 3,5% e 3,75% e admite que energia pode pressionar inflação no curto prazo.
Jerome Powell
Jerome Powell, Presidente do Conselho de Administração do Sistema da Reserva Federal dos Estados Unidos Getty images

A Reserva Federal dos EUA decidiu, esta quarta-feira, dia 18 de março de 2026, manter as taxas de juro entre 3,5% e 3,75%, mas avisou que a subida dos preços da energia causada pela guerra no Médio Oriente deverá pressionar a inflação norte‑americana a curto prazo, criando um fator de incerteza na evolução da economia.

"O Comité está firmemente empenhado em apoiar o pleno emprego e em fazer com que a inflação regresse ao seu objetivo de 2%”, avançou o banco central em comunicado.

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"As implicações dos acontecimentos no Médio Oriente para a economia norte-americana são incertas", reconheceu a Reserva Federal.

O banco central estimou que os EUA não terão aumentos significativos em matéria de inflação este ano, sendo que deverá situar-se nos 2,7% no final de 2026, de acordo com a mediana das projeções.

A decisão da Fed de manter as taxas inalteradas está em linha com o previsto pelos mercados, apesar da insistência do presidente dos EUA, Donald Trump, para que o banco central americano desça a taxa de juro.

Trump, que tem pressionado o presidente da Fed, Jerome Powell, solicitou uma reunião de emergência a propósito da crise da guerra com o Irão e da subida do preço do petróleo para abordar uma descida imediata das taxas.

Powell, que presidiu à reunião do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) pela penúltima vez, prevê deixar o cargo em maio, e o chefe da Administração norte-americana nomeou Kevin Warsh, ex-governador da entidade, como seu substituto.

No ano passado, o banco central americano reduziu as taxas de juro três vezes, em setembro, outubro e dezembro.

Subida do preço da energia vai aumentar inflação "a curto prazo"

Preço da energia
Freepik

A subida dos preços da energia, devido à guerra no Médio Oriente, vai fazer aumentar a inflação "a curto prazo" nos Estados Unidos, afirmou o presidente da Reserva Federal dos EUA (Fed), Jerome Powell.

"As repercussões dos acontecimentos no Médio Oriente sobre a economia americana são incertas. A curto prazo, o aumento dos preços da energia fará subir a inflação global", afirmou em conferência de imprensa, após a reunião do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC).

No entanto, é "demasiado cedo para determinar a amplitude e a duração dos potenciais efeitos sobre a economia", acrescentou.

Powell afirmou que o ligeiro aumento dos preços previsto pela instituição para este ano já reflete o impacto da subida do preço do petróleo decorrente da guerra contra o Irão.

Em conferência de imprensa, o presidente do banco central indicou que previsões de inflação da Fed para este ano refletem um aumento de duas décimas até aos 2,7% para a inflação subjacente, "sem dúvida ligadas aos acontecimentos no Médio Oriente e ao preço do petróleo".

Por sua vez considerou que essa projeção inflacionária ligeiramente ascendente é também "um reflexo do lento progresso (no que diz respeito à queda dos preços) observada em matéria de direitos aduaneiros", um progresso que estamos convencidos de que irá ocorrer", acrescentou.

"É simplesmente uma questão de quanto tempo demorarão a ser absorvidos (os direitos aduaneiros) pela economia", afirmou Powell.

De qualquer forma, o presidente da Fed afirmou que seria de esperar, por volta de meados do ano, uma "desaceleração da inflação tarifária" decorrente da política comercial agressiva da administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Salientou ainda que as novas projeções dos 19 membros do FOMC da Fed, revelaram que a maioria aposta em manter inalterada a taxa de juro ou em reduzi-la em apenas 0,25%, estão condicionadas pelo "desempenho da economia".

"Portanto, se não observarmos progressos, não haverá redução das taxas", reafirmou.

*Com Lusa

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