Há edifícios que não se limitam a ocupar espaço. Mudam a forma como olhamos para uma cidade, reescrevem a paisagem e tornam-se cenário silencioso de novas rotinas urbanas. Em Lisboa, junto ao Tejo, nasceu um desses protagonistas discretos mas incontornáveis: a nova sede da EDP. Um colosso de betão aparente e luz, desenhado para trabalhar, mas também para ser vivido, atravessado e observado.
Agora, o mundo tomou nota. O portal internacional de arquitetura ArchDaily elegeu este projeto como “Building of the Year 2026”, na categoria de Escritórios – e, no centro desta história, está uma construtora de Braga que fez do betão uma espécie de assinatura: o grupo DST.
Um prémio global com ADN português
O título de “Edifício do Ano” não é apenas mais um selo para o portefólio. É um reconhecimento internacional da arquitetura feita em Portugal e, em particular, da engenharia que nasce em Braga e se afirma lá fora.
O projeto da nova sede da EDP foi desenhado pelo chileno Alejandro Aravena, vencedor do Pritzker, em colaboração com o arquiteto português João Luís Carrilho da Graça. A dupla pensou um edifício de escritórios que vai além da função: é também praça, miradouro, percurso urbano.
A obra ficou nas mãos do dstgroup. Várias empresas do grupo bracarense integraram o projeto: bysteel, dte, tbetão, tgeotecnia, tlaboratório, tmodular, tagregados e bim+. Um esforço conjunto, altamente técnico, que agora vê o seu impacto reconhecido a nível mundial.
Construção do edifício: do projeto à obra
Este não é um edifício que se esconde. As fachadas em betão à vista assumem-se como pele e estrutura e não há maquilhagem excessiva: há textura, matéria, peso.
O complexo é composto por duas torres, nascente e poente, interligadas na cave.
A escala é tudo menos tímida:
- 23.800 metros quadrados (m2) de área bruta de construção;
- 11.400 m2 de área útil para serviços;
- 4 pisos de estacionamento;
- 257 lugares, 97 dos quais públicos.
Na base, uma estrutura de betão armado, nos pisos superiores, uma solução mista que combina leveza e resistência e em todo o edifício uma geometria que impõe respeito.
Entre as duas torres, um gesto arquitetónico faz a diferença: um túnel em forma de abóbada, com 10 metros de largura, ao nível do piso 0.
Por detrás do impacto visual, há números que contam outra parte da história:
- 22.000 m3 de betão;
- 3.700 toneladas de aço;
- 45.000 m2 de cofragem, estudada ao detalhe.
No interior, o edifício troca a robustez do betão pela proximidade da matéria quente. A protagonista é a madeira maciça de Acácia da Austrália, cerca de 3.000 m2 aplicados em paredes e tetos.
Este uso extensivo de madeira traz conforto visual e tátil. Acolhe, suaviza e humaniza o espaço de trabalho.
Outro elemento em destaque são os cerâmicos Viúva Lamego. Mais de 3.500 m2 de peças produzidas e pintadas à mão, autênticas obras de arte que revestem paredes e caixas de elevadores panorâmicos.
No exterior, ao centro do edifício, abre-se uma praça pública. Um vazio pensado para ser vivido, atravessado por trabalhadores, visitantes, lisboetas curiosos. Aqui, o edifício deixa de ser “apenas” sede de empresa e passa a fazer parte da cidade.
Dessa praça, nasce ainda um dos elementos mais inesperados: um miradouro.
Um miradouro de betão sobre o Tejo
O miradouro projeta-se sobre a paisagem com a confiança de quem sabe o que vale:
- 50 metros de extensão;
- 20 metros em consola, suspensos no ar.
É uma varanda monumental para o Tejo. Um lugar pensado para parar, respirar, ver Lisboa de outra perspetiva.
Dois prémios e um país em destaque
Portugal não brilhou apenas em Lisboa. Na mesma edição do “Building of the Year 2026”, outro projeto nacional foi distinguido: a reabilitação de uma antiga fábrica de conservas, em Matosinhos, venceu na categoria de Arquitetura Industrial.
Os 15 vencedores do “Building of the Year 2026”
Entre milhares de nomeações do mundo inteiro, o ArchDaily distinguiu 15 projetos em diferentes categorias. Eis os vencedores:
- Categoria Melhor Aplicação de Produto: The ET-302 Memorial / Alebel Desta Consulting Architects and Engineers, Etiópia;
- Categoria Arquitetura Comercial: Neuhoff District / S9 Architecture, Estados Unidos;
- Categoria Arquitetura Cultural: Anatomia de um Dhow, Pavilhão do Bahrein, Expo Osaka 2025 / Lina Ghotmeh Architecture, Japão;
- Categoria Arquitetura Educacional: Edifício de Ciências Humanas - Universidade Industrial de Santander / taller de arquitetura de Bogotá, Colômbia;
- Categoria Arquitetura de Saúde e Bem-Estar: OAKV Healthcare Space / Atelier Carle, Canadá;
- Categoria Arquitetura de Hospitalidade: Hong Tra Hoa Binh Bui Thi Xuan Cafe, Vietname;
- Categoria Casas: Casa de Mainha / Studio Zé, Brasil;
- Categoria Habitação Multifamiliar: Bagsværd Observation Home / JAJA Architects, Dinamarca;
- Categoria Arquitetura Industrial: Fábrica de Conservas / OODA, Portugal;
- Categoria Arquitetura de Interiores: Signa Sports United High-Rise Tower / Allen Kaufmann Architekten, Alemanha;
- Categoria Escritórios: Sede Energia de Portugal / ELEMENTAL, Portugal;
- Categoria Arquitetura Pública & Paisagismo: Jardim Criativo Lattice / RAD+ar (Research Artistic Design + architecture), Indonésia;
- Categoria Arquitetura Religiosa: Salão de Discursos Raj Sabhagruh / Serie Architects, Índia;
- Categoria Pequena Escala e Instalações: Pavilhão SUPRA / SO? Architecture and Ideas, Coreia do Sul;
- Categoria Arquitetura Esportiva: Reforma do Estádio da Universidade Católica / IDOM, Chile.
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