Como melhorar a eficiência energética com menos de 5.000 euros?

Substituir janelas antigas por caixilharia com corte térmico e vidro duplo pode consumir parte do orçamento, mas reduz de imediato perdas de calor.
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Quando chega a fatura da luz ou do gás no pico do inverno, olhamos para a eficiência energética da casa como um problema grande demais para resolver. As janelas que assobiam, as paredes frias ao toque, aquele quarto que não aquece por mais horas que deixes o aquecimento ligado. Parece que só uma reabilitação de fundo, com obra de meses e orçamento de dezenas de milhares de euros, resolveria tudo. Não é assim (felizmente).

Com menos de 5.000 euros bem aplicados, é possível mudar o conforto da casa e baixar o que pagas todos os meses ao fornecedor de energia. A diferença está toda na ordem por que se gasta: primeiro tapar as fugas, depois isolar e só no fim pensar em equipamentos. Quem começa pelo fim acaba a instalar um ar condicionado caro para aquecer uma casa que perde calor por todos os lados. E o dinheiro vai pela janela, no sentido literal.

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Não te esqueças que a classe energética entrou definitivamente na conversa de quem compra e arrenda, e um imóvel com melhor desempenho vende-se mais depressa e por melhor preço. O dinheiro que metes a fechar e a isolar a casa não desaparece, fica lá dentro, e parte dele volta no dia em que decidires mudar de casa.

Diagnóstico: descobre os pontos fracos da casa

Diagnóstico
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Antes de comprar alguma coisa é preciso percebe por onde é que a tua casa perde energia. Há uma forma barata de o fazer num dia de vento: passa a mão à volta das janelas e das portas exteriores e sente onde entra ar. Repete o exercício junto às caixas de estore, que são dos pontos mais esquecidos e dos que mais frio deixam entrar. 

Aproveita para olhares para o teto do último piso e pensa se há sótão por cima, porque é por aí que sobe a maior parte do calor.

Se já tiveres certificado energético da casa, vale a pena lê-lo com atenção, porque traz uma lista de medidas de melhoria ordenadas e uma ideia do retorno de cada uma. Não é um documento perfeito, mas dá um ponto de partida honesto.

A regra que deves ter sempre na cabeça é simples. O euro mais bem gasto é o que evita que o calor saia ou entre, não o que produz mais calor ou mais frio. Aquecer uma casa cheia de fissuras é encher um balde furado.

As intervenções que rendem mais por euro

Tapar fissuras
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Feito o diagnóstico, é altura de hierarquizar. Esta é a ordem que faz sentido para quase todas as casas, da medida mais barata e rentável à mais cara.

  1. Vedar frinchas e calafetar: é o trabalho mais barato e o de retorno mais rápido. Vedantes autocolantes para portas e janelas, silicone nas juntas, batentes de porta na soleira que dá para o exterior. Material para uma casa inteira fica por algumas dezenas de euros e qualquer pessoa o aplica num fim de semana. Sozinho, este passo já corta as correntes de ar que te obrigam a subir o termóstato;
  2. Isolar a cobertura ou o sótão: é aqui que está o melhor negócio de todos numa moradia ou num último andar. O ar quente sobe, e um teto sem isolamento deixa-o fugir todo. A insuflação de lã mineral ou a colocação de placas isolantes no desvão custa, em regra, entre mil e dois mil e quinhentos euros consoante a área, e paga-se em poucos invernos pela energia que deixas de gastar;
  3. Tratar as janelas sem trocar tudo: substituir todas as janelas de uma casa estoira o orçamento sozinho, por isso pensa por prioridades. Coloca vidro duplo apenas nas divisões que mais usas, ou opta por uma contra-janela pelo interior, que custa bastante menos do que uma caixilharia nova e isola quase tão bem. Uma película refletora nos vidros virados a sul ajuda no verão e fica por poucos euros por metro quadrado;
  4. Dominar o sol com estores e cortinas: no verão, parte do calor entra pelo vidro em forma de radiação. Estores exteriores, portadas e cortinas de tecido pesado fazem uma diferença enorme na temperatura interior e poupam horas de ar condicionado. É das soluções mais subestimadas e das mais baratas;
  5. Passar a iluminação a LED: trocar todas as lâmpadas da casa por LED custa entre cem e trezentos euros e reduz logo a parcela da eletricidade gasta em iluminação. Não é a medida com maior impacto na fatura total, mas é fácil, imediata e nunca te arrependes;
  6. Pôr o aquecimento a trabalhar com cabeça: um termóstato programável ou inteligente, por cem a duzentos e cinquenta euros, evita aquecer a casa quando não estás lá e ajusta a temperatura ao teu horário. Baixar o termóstato um ou dois graus e programá-lo bem corta a fatura sem que sintas a diferença no conforto;
  7. Substituir o equipamento antigo: se ainda tens um esquentador a gás velho a aquecer a água, é provavelmente o maior consumidor da casa. Trocá-lo por uma bomba de calor para águas quentes ou por um termoacumulador eficiente é o investimento mais pesado desta lista, entre mil e quinhentos e três mil euros, mas é também o que mais mexe na fatura mensal a longo prazo.

Onde não compensa investir numa primeira fase

Investir em eficiência energética
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Há erros que se repetem e que esvaziam o orçamento sem o retorno prometido. Vale a pena conhecê-los antes de assinar qualquer orçamento.

  • Começar pelos painéis solares: são uma boa ideia em muitas casas, mas com 5.000 euros e uma casa mal isolada estás a produzir energia para a deixar fugir pelas frinchas. Primeiro fecha a casa, depois pensa em produzir;

  • Comprar equipamento de climatização sobredimensionado: um ar condicionado potente numa casa sem isolamento gasta muito e aquece mal. O mesmo aparelho numa casa já vedada e isolada chega para tudo e custa menos a comprar e a usar;

  • Fazer obra pela metade: isolar só uma parede, trocar só uma janela de cinco que estão más, calafetar uma porta e esquecer a caixa de estore ao lado. O isolamento funciona como uma corrente, e quebra-se sempre pelo elo mais fraco. Mais vale tratar bem de uma divisão do que mal de toda a casa.

Os apoios do Estado podem esticar o orçamento

Painéis solares
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Antes de avançares, verifica o que o Estado comparticipa nesse momento, porque os programas abrem e fecham depressa e mudam de regras de um ano para o outro. A lista de avisos abertos ou fechados é atualizada no portal do Fundo Ambiental, e convém confirmar sempre a secção de candidaturas antes de avançar.

O apoio mais relevante para quem quer eletrificar a casa chama-se E-Lar e destina-se a ajudar as famílias a substituir equipamentos a gás, do fogão ao esquentador, por alternativas elétricas mais eficientes, de classe A ou superior. Funciona por voucher: depois de aprovado, ativas o vale numa loja aderente, o fornecedor instala o equipamento novo e recolhe o antigo dentro dos prazos definidos. 

Para quem pensa em energia solar, há novidade a caminho. Foi anunciado um novo apoio à compra de painéis solares, a funcionar através de um sistema de vouchers semelhante ao E-Lar, embora as regras e a data de abertura tenham de ser confirmadas no momento, porque não estava ainda disponível quando foi noticiado. Vale a pena vigiar o portal, sobretudo se a tua casa já estiver bem isolada e fizer sentido produzir energia.

A conta final: divisão a divisão

Vedar
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Para perceberes como tudo isto cabe em 5.000 euros, fica um exemplo de distribuição realista para uma casa de tipologia média que precisa de obra ligeira a moderada:

  • Vedantes, silicone e calafetagem geral: cerca de 150 euros, com aplicação por tua conta;
  • Isolamento da cobertura ou do desvão: cerca de 1.800 euros, feito por empresa;
  • Tratamento das janelas prioritárias, com vidro duplo ou contra-janela nas três ou quatro divisões mais usadas: cerca de 1.500 euros;
  • Termóstato programável e passagem total a LED: cerca de 350 euros somando as duas coisas;
  • Bomba de calor para a água quente, a substituir um esquentador a gás antigo: o que sobra, cerca de 1.200 euros, valor que pode descer bastante se conseguires o voucher do E-Lar.

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