“Estamos a passar das palavras à ação e a reforçar as relações bilaterais entre a Arábia Saudita e Portugal”, garante ao idealista/news Alwalid Albaltan, empresário e presidente do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal (SPBC), que esteve em Portugal no final de junho. Em cima da mesa esteve a criação “de parcerias institucionais”, tendo em vista investimentos em vários setores, como o imobiliário e, em particular, a habitação acessível. “O investimento saudita em Portugal, através de empresas como a SDCI - Strategic Deals Company for Investment, pode ajudar a dinamizar o mercado imobiliário português”, conta.
Sobre a formalização e criação da referida empresa, Alwalid Albaltan diz tratar-se de uma ‘holding’ de investimento com um propósito claro: “Identificar e desenvolver oportunidades em setores prioritários, como a construção e o turismo, e a habitação acessível é uma das dimensões que nos interessa particularmente. Neste âmbito, queremos desenvolver um trabalho conjunto com municípios e outras entidades institucionais. Quanto a projetos em ‘pipeline’, ainda estamos numa fase de avaliação rigorosa do mercado”.
Segundo o empresário, aumentar a oferta de casas no mercado a preços que a generalidade das pessoas possa comprar é também uma prioridade do SPBC, sendo a habitação acessível “um desafio comum a várias regiões de Portugal”. “Estamos a construir, paulatinamente, uma parceria sólida entre Portugal e a Arábia Saudita. O imobiliário e a construção são dos pilares mais promissores desta ligação”, remata o presidente do SPBC, que confia "no futuro desta relação bilateral”.
Esteve em Portugal recentemente durante cerca de uma semana com o objetivo de cimentar as relações económicas e empresariais entre a Arábia Saudita e Portugal. Que balanço faz da visita?
O balanço é mesmo muito positivo e sinto que cumprimos os objetivos que definimos para esta missão, a quarta que realizo em Portugal enquanto presidente do SPBC, e também enquanto investidor privado. Sinto que cada visita é mais produtiva do que a anterior e que abrimos novas portas. Nestes dias, a nossa agenda foi muito intensa, com encontros institucionais em Lisboa e no Porto, e reuniões com empresas portuguesas de referência em diferentes setores.
Conseguimos dar passos concretos, como a oficialização da abertura da empresa SDCI, e isso confirma que estamos a passar das palavras à ação e a reforçar as relações bilaterais entre a Arábia Saudita e Portugal.
As relações económicas e empresariais entre a Arábia Saudita e Portugal saem reforçadas? Em que medida? Que acordos foram assinados/formalizados?
Esse era um dos nossos propósitos e as relações saem, sem dúvida, reforçadas. Estivemos reunidos com diferentes ‘players’ que atuam no mercado nacional e continuamos a avançar na criação de parcerias institucionais, nomeadamente com a CCIP – Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, com a AEP – Associação Empresarial de Portugal, com o Grupo Parlamentar de Amizade Portugal–Arábia Saudita e com o ‘cluster’ Produtech. Tivemos ainda uma reunião muito relevante com o presidente da ANJE (Associação Nacional de Jovens Empresários), para preparar as próximas ações estratégicas da ANJE Saudi Arabia, a plataforma que criámos para apoiar a internacionalização de empresas portuguesas - sobretudo PME e startups – para o mercado saudita, e também no caminho inverso, de investimento saudita em solo português.
"Os megaprojetos sauditas, como a Expo 2030 em Riade ou o Mundial de Futebol em 2034, vão gerar procura concreta nos setores do imobiliário e construção. Sabemos que as empresas portuguesas têm competências nestas áreas (...). Por outro lado, o investimento saudita em Portugal, através de empresas como a SDCI, pode ajudar a dinamizar o mercado imobiliário português"
Percebemos a vontade, por parte das empresas nacionais que visitámos, em se aventurarem com os seus negócios rumo à Arábia Saudita. Para isso, contam com o apoio incondicional do SPBC. Tal como referi também, conseguimos avançar com a constituição formal da empresa SDCI, que vai atuar como 'holding' de investimento em Portugal, com particular atenção à construção e habitação.
O que tem Portugal a ganhar (quais são as grandes vantagens) com as sinergias a criar ou criadas com empresas da Arábia Saudita, nomeadamente nos setores imobiliário e da construção?
As sinergias colocam Portugal numa posição privilegiada, com acesso ao capital internacional e a um mercado em transformação acelerada, no âmbito da Saudi Vision 2030, com necessidades reais de infraestruturas, construção e serviços urbanos.
Os megaprojetos sauditas, como a Expo 2030 em Riade ou o Mundial de Futebol em 2034, vão gerar procura concreta nos setores do imobiliário e construção. Sabemos que as empresas portuguesas têm competências nestas áreas, que são reconhecidas internacionalmente. Por outro lado, o investimento saudita em Portugal, através de empresas como a SDCI, pode ajudar a dinamizar o mercado imobiliário português.
Há novidades à vista relacionadas, em concreto, com estes dois setores, imobiliário e construção? O que nos pode adiantar relativamente a futuros projetos/investimentos?
Estamos numa fase de identificação rigorosa de oportunidades, com uma equipa local e com o nosso escritório de advogados em Portugal, a auscultar o mercado nestes setores estratégicos. Estamos perto de concretizar projetos, que ainda não posso revelar, mas reitero que a construção e a habitação estão entre as prioridades da SDCI, e que estamos a trabalhar ativamente nesse sentido.
Fale-nos um pouco sobre a constituição formal da empresa SDCI – Strategic Deals Company for Investment. Que projetos tem em 'pipeline'?
Sim, nesta visita foi possível formalizar todos os procedimentos e oficializar a criação da SDCI. É uma ‘holding’ de investimento com um propósito claro: identificar e desenvolver oportunidades em setores prioritários, como a construção e o turismo, e a habitação acessível é uma das dimensões que nos interessa particularmente. Neste âmbito, queremos desenvolver um trabalho conjunto com municípios e outras entidades institucionais. Quanto a projetos em ‘pipeline’, ainda estamos numa fase de avaliação rigorosa do mercado.
"(...) A habitação acessível é uma das dimensões que nos interessa particularmente. Neste âmbito, queremos desenvolver um trabalho conjunto com municípios e outras entidades institucionais. Quanto a projetos em ‘pipeline’, ainda estamos numa fase de avaliação rigorosa do mercado"
Aumentar a oferta de casas no mercado a preços que a generalidade das pessoas possa comprar é um dos objetivos do governo português. É também uma preocupação e/ou prioridade identificada pelo SPBC? Se sim, que tipo de projetos podem estar na calha e onde estarão localizados?
É, sem dúvida, uma das nossas prioridades. Entendemos que o investimento internacional só é verdadeiramente sustentável quando gera valor para quem investe e para a sociedade que acolhe esse investimento. Sabemos que a habitação acessível é um desafio comum a várias regiões de Portugal. Aliás, nas últimas missões, reunimo-nos com as autarquias de Lisboa, Oeiras, Vila Nova de Gaia, Matosinhos e Cascais, que partilham esta mesma preocupação.
A agenda desta última visita incluiu, penso, reuniões com responsáveis de construtoras e empresas de materiais de construção e mobiliário, certo? Que empresas e/ou associações foram estas e que conclusões há a retirar das mesmas?
A agenda foi bastante preenchida e posso avançar que reunimos com empresas como a Revigrés, o Grupo ACA, o Grupo Sana e a AM Furniture, entre outras, e com associações setoriais como a AIMMAP – Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal, e a Produtech, uma das principais plataformas de inovação industrial do país. Trata-se de um conjunto muito relevante de empresas portuguesas, com capacidade técnica, qualidade de produto e ambição de internacionalização, e a Arábia Saudita oferece-lhes uma janela de oportunidade muito concreta para crescer.
O Governo tem anunciado várias medidas que impactam diretamente no setor da habitação em Portugal, como por exemplo a redução do IVA de 23% para 6% na construção de habitação. Que lhe parecem estas medidas? Acredita que contribuirão para o tão desejado aumento da oferta?
Enquanto investidor e empresário, não tenho a legitimidade para comentar estes detalhes técnicos, isso cabe aos especialistas e às autoridades portuguesas. O que posso dizer é que iremos cumprir todas as normas que estejam em vigor em Portugal. O que valorizamos muito no país é a sua capacidade de identificar e resolver os desafios que o país enfrenta, o que facilita e acelera as decisões de investimento a médio e longo prazo.
Verdadeiramente, o que nos move é ajudar a estimular a construção e a habitação, e garantir que o nosso investimento tem um impacto positivo no território e nas pessoas. Os negócios devem ser pensados com todas estas dimensões integradas. É aquilo que hoje designamos como crescimento sustentado. Crescer, investir, mas priorizar também as pessoas e a forma como estamos presentes nos locais onde desenvolvemos a nossa atividade. Mais do que comentar medidas específicas, o nosso foco está em contribuir, de forma concreta, para que a oferta de habitação cresça e responda às necessidades reais do mercado português.
"Estamos a construir, paulatinamente, uma parceria sólida entre Portugal e a Arábia Saudita. O imobiliário e a construção são dos pilares mais promissores desta ligação"
Portugal tem estado nos últimos anos no radar dos investidores imobiliários internacionais. A que se deve a atratividade do país?
Portugal combina fatores que não são fáceis de encontrar. Vejo um país que oferece segurança, estabilidade institucional, abertura genuína ao investimento estrangeiro e um custo de entrada mais competitivo do que outros mercados europeus de maior dimensão. Nunca deixo de referir também a proximidade cultural e a facilidade que temos tido em construir relações institucionais. Fomos extremamente bem recebidos e sentimos essa vontade do outro lado, de criar parcerias connosco. Especialmente neste contexto internacional mais incerto, essa previsibilidade é fundamental quando tomamos decisões sobre como e onde investir.
Sinta-se à vontade para acrescentar qualquer comentário que lhe pareça pertinente ou para deixar uma mensagem final.
Gostaria de deixar uma mensagem final de confiança no futuro desta relação bilateral. Estamos a construir, paulatinamente, uma parceria sólida entre Portugal e a Arábia Saudita. O imobiliário e a construção são dos pilares mais promissores desta ligação. Sabemos dos desafios que nos esperam, mas o nosso compromisso é continuar a transformar as oportunidades em projetos concretos.
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