Trabalhar em férias sem gastar dias? Porto está no top 5 mundial

Com Lisboa na 9ª posição, Portugal é o único país com duas cidades no top 10 mundial para “workcation”.
Porto
Unsplash

No dia 9 de agosto celebra-se o Dia Internacional do Coworking e, para assinalar a data, a 4ª edição do barómetro anual Work from Anywhere” da International Workplace Group (IWG) revelou o ranking das melhores cidades do mundo para combinar trabalho remoto e lazer em 2026, onde o Porto se destaca na 4ª posição, enquanto Lisboa alcançou o 9º lugar.

De acordo com critérios como o clima, velocidade da internet, alojamento, transportes, gastronomia, cultura e espaços de trabalho flexíveis, essenciais no apoio ao trabalho remoto durante uma viagem, este índice anual foi elaborado num momento em que um estudo da IWG revela o crescimento da popularidade das políticas de trabalho flexível, o que possibilita o regime de trabalho híbrido e acesso a espaços de trabalho por todo o mundo.

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Este é o top 10 das melhores cidades para ‘workcation’ em 2026:

  1. Banguecoque
  2. Tóquio
  3. Barcelona
  4. Porto
  5. Vancouver
  6. Budapeste
  7. Nápoles
  8. Medellín
  9. Lisboa
  10. Seul

Portugal no centro da tendência global das ‘workcations’

Lisboa
Pexels

Sendo o único país com duas cidades no top 10 mundial, Portugal reforça o seu posicionamento como destino ideal para trabalhar durante o período de trabalho normal, mas num destino turístico sem necessidade de tirar dias de férias. Isto acontece numa fase de crescimento do teletrabalho e trabalho híbrido.

Só nos primeiros seis meses deste ano, cerca de 1,12 milhões de pessoas empregadas em Portugal (21,1%) trabalharam a partir de casa, demonstrando um ligeiro crescimento face a 2025. Segundo a ANACOM, no final do terceiro trimestre do ano passado as redes de alta velocidade cobriam já 96% dos alojamentos familiares no país, o que permite que os profissionais consigam aceder aos sistemas das empresas enquanto estão fora do seu local de trabalho.

Crescimento de espaços de trabalho flexível impulsionam ‘workcation’

O mercado imobiliário comercial tem crescido anualmente, desde 2018, mais de 20%. Este crescimento explica-se pelo aumento do trabalho híbrido, pela procura das empresas por soluções imobiliárias mais ágeis e pela crescente importância das redes descentralizadas de espaços de trabalho. 

Para dar resposta ao crescimento da procura, a IWG conta já com 30 espaços de trabalho flexíveis em Portugal, 20 dos quais entre Porto e Lisboa e os restantes em cidades emergentes e destinos balneares. 

Políticas WFA influenciam decisões de carreira

O barómetro da IWG demonstra ainda que as políticas de ‘Work from Anywhere’ (WFA) têm uma grande influência nas decisões de carreira, uma vez que 80% dos inquiridos afirma que isto tornaria uma nova função mais atrativa e 62% consideram mudar de emprego no caso de uma oferta com uma melhor política de WFA. Além disso, estas políticas influenciam também na qualidade de vida, com 90% dos trabalhadores a afirmar que passaram a ter um maior equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e 80% melhoraram a produtividade

É nesse contexto que cada vez mais profissionais procuram destinos com capacidade de resposta às suas necessidades, valorizando muito o acesso a um espaço de trabalho flexível no destino, algo que é referido por 38% como fator fundamental no processo de escolha do local onde trabalhar durante uma viagem.

Mais tempo de férias e mais tempo com a família

Pai a trabalhar em casa
Magnific

Quase metade (48%) dos inquiridos neste barómetro revela que faz intenções de prolongar as férias este ano, recorrendo ao trabalho remoto, e 46% mostra-se mais disponível para o fazer agora do que no ano anterior. Atualmente, já 43% dos profissionais têm trabalhado remotamente em ‘workcation’.

Isto permite também passar mais tempo com a família e amigos, um motivo que é mencionado por 53% dos entrevistados, enquanto 52% refere que o principal objetivo passa por aproveitar melhor os dias de férias disponíveis. Mas o principal motivo mencionado (54%) para o ‘workation’ prende-se com a preocupação em evitar o ‘burnout’.

O aumento do custo de vida está também ligado a esta tendência de trabalhar em destino de férias, uma vez que 51% dos profissionais afirma que as pressões financeiras são responsáveis pelo crescimento da utilização das políticas de trabalho híbrido e flexível para o prolongamento das férias.

Wi-Fi: a principal prioridade destes trabalhadores

A boa conectividade é o fator principal que determina a escolha por um destino de férias, segundo 38% dos inquiridos, importando mais do que a qualidade do alojamento, a gastronomia e os transportes, fatores estes que foram mencionados apenas por 12% dos profissionais.

No entanto, o preço das viagens e dos alojamentos foi, ainda assim, responsável por 46% destes trabalhadores prolongarem a sua viagem através do trabalho remoto. 

Aprovação da entidade empregadora importa

Mulher ao computador em férias
Magnific

Ainda de acordo com o Work from Anywhere”, os profissionais que recorrem a ‘workcation’ procuram garantir que esta modalidade recebe o apoio das empresas para as quais trabalham. Cerca de 44% destes trabalhadores afirmam mesmo que se sentiriam motivados se soubessem que esta opção não afetaria a perceção do seu trabalho por parte da entidade empregadora e 39% revelam ter necessidade de receber orientações mais claras por parte da mesma.

“Estamos a assistir a um número cada vez maior de profissionais que prolongam as suas viagens para trabalhar remotamente ou que escolhem passar períodos mais longos no estrangeiro enquanto nómadas digitais. Graças ao trabalho híbrido e à tecnologia cloud, os colaboradores têm agora a liberdade de trabalhar onde e quando for mais conveniente, seja num espaço de trabalho flexível próximo de casa ou num centro de coworking do outro lado do mundo. Para muitas pessoas, os dias das longas deslocações diárias para o trabalho terminaram e existe uma maior liberdade para trabalhar a partir de novas localizações”, indica, em comunicado, Mark Dixon, Executive Chairman e Fundador da IWG.

Segundo o responsável, “esta tendência veio para ficar, com muitas empresas a adotarem, a longo prazo, políticas de trabalho flexível e remoto, particularmente durante os meses de verão, o que não só melhora o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e reduz o ‘burnout’, como também proporciona ganhos significativos de produtividade”.

Atualmente a rede da IWG está já presente em mais de 120 países e conta com mais de 5.000 espaços de trabalho flexíveis.

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