Trabalho flexível: "Cresce procura por espaços descentralizados"

Novos modelos de trabalho aumentam interesse das empresas em estar mais perto das zonas residenciais, revela fundador e CEO da IWG.
Espaços de trabalho flexíveis
Mark Dixon, fundador e CEO da IWG Créditos: IWG Portugal

A pandemia da Covid-19 foi um virar de página no mercado laboral. O teletrabalho ganhou força e as empresas, muitas, passaram a adotar o modelo híbrido, com os trabalhadores a dividirem o tempo entre a casa e o escritório. Com o trabalho flexível a assumir papel de destaque, os espaços corporativos têm vindo a tornar-se mais modernos e apelativos. E há uma tendência que parece estar a ganhar consistência neste segmento do imobiliário, com as companhias a instalarem-se cada vez mais fora do "miolo" das cidades, para estar mais próximas das zonas residenciais. “Verifica-se uma procura crescente por espaços descentralizados e de proximidade, complementares aos centros urbanos tradicionais”, conta ao idealista/news Mark Dixon, fundador e CEO da International Workplace Group (IWG). 

A IWG detém em Portugal as marcas HQ, Spaces e Regus, assumindo-se como “líder mundial em soluções de trabalho híbrido”. Em Portugal, alcançou os 23 centros em 2025, tendo, este ano, anunciado a abertura de mais espaços no país – somando um total de 28. “A nossa rede cobre já o território continental, do Minho ao Algarve, e continua a expandir-se para várias cidades periféricas das duas principais áreas metropolitanas do país, Lisboa e Porto”, diz o gestor, salientando que o país continua “a atrair um número significativo de empresas internacionais”.

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Sobre a já referida aposta em “espaços descentralizados e de proximidade, complementares aos centros urbanos tradicionais”, Mark Dixon é perentório: “Temos respondido a esta tendência com a abertura de novos centros em cidades como Matosinhos e São João da Madeira, entre outras localizações emergentes, aproximando espaços de trabalho flexíveis e totalmente equipados das zonas residenciais. Esta estratégia complementa a nossa presença em localizações premium nos centros das cidades, permitindo às empresas operarem de forma eficiente enquanto adotam novos modelos de trabalho”.

Trabalho híbrido em Portugal
Spaces Matosinhos Créditos: IWG Portugal

2025 foi um ano de crescimento recorde, marcado pela assinatura de mais de 1.000 novos centros a nível global. Que avaliação faz do desempenho da IWG em 2025 e como perspetiva 2026?

Definimos uma estratégia clara de crescimento pouco intensivo em capital, orientada para a criação de fluxo de caixa e simplificação do negócio. Tal como destacamos no nosso Dia do Investidor, em dezembro de 2025, temos vindo a cumprir esse plano com consistência e continuaremos a executá-lo.

Beneficiamos de tendências estruturais favoráveis e dispomos de um modelo de negócio preparado para expandir a rede a um ritmo acelerado. Nos últimos 12 meses, abrimos mais localizações do que nunca. Atualmente, contamos com mais de um milhão de salas, distribuídas por mais de 120 países, e dispomos de um ‘pipeline’ robusto de novos projetos. Esta dinâmica deverá impulsionar o crescimento futuro da receita, do EBITDA e de fluxo de caixa.

Os resultados anuais de 2025 da IWG foram apresentados recentemente. Que conclusões há a retirar, tanto a nível global como nacional?

Em 2025, atingimos um marco muito relevante: assinámos e abrimos mais novas localizações num único ano do que em toda a primeira década e meia da nossa operação. A nossa rede ultrapassa agora um milhão de salas, em mais de 120 países, e, com um ‘pipeline’ significativo já assegurado, prevemos uma aceleração contínua do crescimento nos próximos anos.

Mantemo-nos totalmente focados na expansão rápida da nossa cobertura geográfica, com o objetivo de criar uma rede verdadeiramente global, que abrange desde as maiores cidades a centros urbanos de menor dimensão. A nossa estratégia de expansão ‘asset-light’, concretizada através de parcerias com proprietários e investidores imobiliários, permite que empresas de todas as dimensões trabalhem de forma produtiva em localizações convenientes para as suas equipas.

"Cada vez mais, as nossas soluções permitem às empresas substituir contratos de arrendamento de longo prazo – caros e pouco flexíveis – por acordos flexíveis e economicamente eficientes, em espaços totalmente equipados nos nossos centros"

Cada vez mais, as nossas soluções permitem às empresas substituir contratos de arrendamento de longo prazo – caros e pouco flexíveis – por acordos flexíveis e economicamente eficientes, em espaços totalmente equipados nos nossos centros. O crescimento expressivo do trabalho híbrido transformou profundamente a forma e o local onde as pessoas trabalham, gerando ganhos de produtividade e redução de custos para as empresas, ao mesmo tempo que melhora a qualidade de vida das equipas.

Em Portugal, o facto de termos alcançado os 23 centros em 2025 demonstra a forte adesão local ao trabalho híbrido e flexível. Este crescimento reforça a importância estratégica do país na nossa rede global e posiciona-nos de forma sólida para apoiar empresas em todo o território, com soluções de escritórios flexíveis e de elevada qualidade.

Espaço de trabalho flexível em Portugal
Regus São João da Madeira Créditos: IWG Portugal

O que podemos esperar em 2026 do mercado imobiliário de escritórios, em Portugal e a nível global? Que tendências estão a moldar este segmento?

Nos últimos anos, os modelos de trabalho flexíveis tornaram-se o padrão para uma parte significativa dos trabalhadores qualificados, com as empresas a capacitarem as suas equipas para trabalharem a partir de múltiplas localizações, combinando espaços de trabalho locais, escritório central e casa.

Não se trata apenas de uma mudança na forma de trabalhar, mas de um reequilíbrio do local onde o valor económico é criado. A necessidade de estar permanentemente ligado a uma sede central pertence ao passado. A tecnologia veio eliminar a obrigatoriedade de deslocações longas e dispendiosas.

"Nos últimos anos, os modelos de trabalho flexíveis tornaram-se o padrão para uma parte significativa dos trabalhadores qualificados, com as empresas a capacitarem as suas equipas para trabalharem a partir de múltiplas localizações, combinando espaços de trabalho locais, escritório central e casa"

Esta transição estrutural para o modelo híbrido é uma das grandes megatendências do nosso tempo e representa uma oportunidade financeira significativa para a IWG. Atualmente, 83% dos CEOs já permitem que as equipas trabalhem a partir de múltiplas localizações e, com cerca de 1,2 mil milhões de trabalhadores qualificados a nível global, o mercado endereçável do setor ultrapassa os dois mil milhões de dólares. O trabalho flexível suportado por uma rede global de espaços tende a tornar-se a norma para muitos destes profissionais.

Em Portugal, vários setores, das grandes empresas às PME, estão igualmente a adotar modelos de coworking e trabalho híbrido para reduzir custos, reter talento e aumentar a produtividade. Observa-se uma crescente descentralização, mantendo padrões elevados de infraestrutura. A IWG está a contribuir ativamente para a evolução do mercado imobiliário de escritórios, promovendo soluções flexíveis, descentralizadas e escaláveis.

De que forma o trabalho híbrido está a influenciar decisões de investimento, níveis de ocupação e o design dos espaços, em Portugal e noutros países?

O trabalho híbrido está a redefinir decisões de investimento, taxas de ocupação e conceção dos espaços. As empresas estão progressivamente a abandonar contratos de arrendamento rígidos e de longa duração, optando por soluções flexíveis e mais eficientes em termos de custos, em espaços totalmente equipados, mantendo simultaneamente acesso à rede global da IWG, com mais de 5.000 localizações.

Como resultado, estamos a registar níveis recorde de procura e taxas de ocupação robustas, o que impulsiona o crescimento do nosso negócio, tanto a nível global como em Portugal.

Escritórios modernos em Portugal
Créditos: IWG Portugal

Que papel desempenha a IWG Portugal – que se posiciona como líder global em soluções de trabalho híbrido e opera marcas como Spaces e Regus – no segmento de escritórios em Portugal? E que desafios enfrenta o setor no país?

Somos líderes de mercado em Portugal e a nível global. A nossa rede cobre já o território continental, do Minho ao Algarve, e continua a expandir-se para várias cidades periféricas das duas principais áreas metropolitanas do país, Lisboa e Porto.

"Portugal continua também a atrair um número significativo de empresas internacionais, e a IWG desempenha um papel facilitador na sua entrada e expansão no país, ao disponibilizar um modelo flexível de espaços de trabalho que permite uma instalação progressiva e crescimento sustentável"

Portugal continua também a atrair um número significativo de empresas internacionais, e a IWG desempenha um papel facilitador na sua entrada e expansão no país, ao disponibilizar um modelo flexível de espaços de trabalho que permite uma instalação progressiva e crescimento sustentável. Apoiamos as cidades na oferta de soluções de escritórios atrativos para estas empresas e ajudamos clientes portugueses e internacionais a expandirem-se de forma flexível.

À medida que chegamos a mais cidades e regiões, reforçamos o nosso papel como catalisador de crescimento económico, investimento e emprego.

É verdade que as empresas procuram cada vez mais espaços localizados fora dos centros das cidades? É uma tendência que já chegou a Portugal?

Sim, verifica-se uma procura crescente por espaços descentralizados e de proximidade, complementares aos centros urbanos tradicionais, e Portugal não é exceção.

Os avanços na tecnologia ‘cloud’, Inteligência Artificial (IA) e videoconferência viabilizaram o trabalho híbrido eficaz, reduzindo a necessidade de deslocações diárias prolongadas e permitindo que as equipas passem mais tempo nas suas comunidades locais.

"Verifica-se uma procura crescente por espaços descentralizados e de proximidade, complementares aos centros urbanos tradicionais, e Portugal não é exceção"

Em Portugal, temos respondido a esta tendência com a abertura de novos centros em cidades como Matosinhos e São João da Madeira, entre outras localizações emergentes, aproximando espaços de trabalho flexíveis e totalmente equipados das zonas residenciais. Esta estratégia complementa a nossa presença em localizações premium nos centros das cidades, permitindo às empresas operarem de forma eficiente enquanto adotam novos modelos de trabalho.

Espaços de trabalho modernos
Créditos: IWG Portugal

As empresas que operam no segmento de espaços de trabalho flexíveis apostam, muitas vezes, na reconversão de imóveis devolutos ou subutilizados, o que fará com que valorizem, certo? 

Sim, as empresas de espaços flexíveis frequentemente requalificam edifícios devolutos ou subutilizados, transformando-os em espaços de trabalho modernos. Esta reconversão aumenta o valor dos ativos e da zona envolvente, ao gerar rendimento e atrair novos ocupantes.

Em Portugal, temos exemplos relevantes, como o centro da IWG em Matosinhos, instalado num antigo edifício industrial conserveiro, e em São João da Madeira, na antiga fábrica da Oliva. Este modelo é positivo para o setor imobiliário, pois revitaliza o património edificado, melhora as taxas de ocupação e reforça o valor de longo prazo.

"As empresas de espaços flexíveis frequentemente requalificam edifícios devolutos ou subutilizados, transformando-os em espaços de trabalho modernos. Esta reconversão aumenta o valor dos ativos e da zona envolvente, ao gerar rendimento e atrair novos ocupantes"

Em Lisboa e Porto continuam a existir oportunidades de reconversão, embora as localizações ‘prime’ sejam cada vez mais competitivas. O crescimento estende-se também a polos urbanos secundários e ‘hubs’ locais.

Acredita que o trabalho híbrido e os modelos flexíveis vieram para ficar?

Sem dúvida. O crescimento do trabalho híbrido e potenciando por redes globais de espaços flexíveis revolucionou de forma estrutural a organização do trabalho, trazendo ganhos significativos de produtividade e redução de custos para as empresas, ao mesmo tempo que transforma positivamente a vida profissional das equipas.

À medida que as organizações valorizam cada vez mais a flexibilidade e o bem-estar dos colaboradores, o trabalho híbrido continuará a ser um elemento central na forma como o trabalho é organizado, no presente e no futuro.

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