O aumento da procura por imobiliário em Portugal impulsionou o crescimento de emprego no setor da construção no segundo trimestre do ano, com uma entrada de 21,9 mil profissionais, o que representa um crescimento de 5,8% face a período homólogo.
Esta é uma das conclusões da Randstad Research, com base no Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística (INE). No entanto, foi no setor das indústrias transformadoras que o emprego mais cresceu, somando-se 30,2 mil trabalhadores (+3,7%) no referido período. Seguem-se os setores da Educação (+15,1 mil profissionais), Hotelaria (+13,2 mil), Saúde (+12,2 mil) e Comércio (+9,5 mil). Em contrapartida, houve um decréscimo de -8,6% no número de profissionais nas atividades de telecomunicações, programação informática e consultoria, recuando em 18,6 mil profissionais.
Mas as novidades no mercado laboral no trimestre não se ficam por aqui. No que respeita a faixas etárias, o emprego apenas reduziu nos jovens entre 16 e 24 anos (-2,6%), com uma quebra de 7,7 mil jovens empregados. Mas nas faixas dos 25 aos 34 anos registaram-se mais 32,9 mil trabalhadores, enquanto nas faixas dos 55 aos 64 anos contabilizaram-se mais 27,7 mil.
A taxa de desemprego fixou-se num mínimo histórico (desde 2011), em 5,3%, ou seja, um total de 300,8 mil desempregados, consequência de um recuo de 0,8 pontos percentuais. Ao mesmo tempo, registou-se um aumento da população ativa, em 53,5 mil pessoas, o que levou a que fosse superada pela primeira vez a fasquia das 5,7 milhões de pessoas ativas, dado o crescimento de 99 mil trabalhadores na população empregada, que atingiu 5.399.800.
Há ainda que referir o aumento de 62,4 mil contratos sem termo no segundo trimestre, com a taxa de trabalho temporário a fixar-se em 14,5%, e a larga expressão do teletrabalho, que já abrange 1,15 milhões de trabalhadores (21,3%), especialmente na Grande Lisboa (34,5%). No entanto, nos Açores a taxa de incidência do trabalho remoto é ainda apenas de 9,2%.
Salários de três mil euros líquidos quase duplicam em dois anos
Relativamente aos salários em Portugal, a Randstad Research indica que o número de trabalhadores por conta de outrem com um rendimento líquido mensal igual ou superior a 3.000 euros passou de 71 mil profissionais no segundo trimestre de 2024 para 125 mil no mesmo período deste ano. Se tivermos em conta apenas o espaço de um ano, quando esse salário abrangia 98,3 mil profissionais, o crescimento foi de 27%. Já se considerarmos a última década, há 10 anos apenas 28,7 mil profissionais tinham um salário líquido mensal de pelo menos 3.000 euros.
Contudo, a faixa salarial entre 900 euros e 1.200 euros líquidos continua a ser a mais representativa (34,1%), abrangendo 1,56 milhões de pessoas. A faixa salarial mais elevada apenas abrange 2,7% da população empregada por conta de outrem.
Permanecem ainda as diferenças entre sexos, com os homens a representarem 69,2% do segmento de rendimento mais elevado, face a 30,8% das mulheres. E estes salários mais elevados concentram-se, sobretudo, na Grande Lisboa (49 mil trabalhadores) e na região Norte (33,2 mil). Em termos setoriais, é a área dos serviços que se destaca inequivocamente, com 78,7% destes profissionais.
“Os dados do segundo trimestre refletem a combinação de uma taxa de desemprego em mínimos históricos com um crescimento consistente da população ativa. Assistimos a uma evolução clara nos rendimentos mais elevados, o que traduz a valorização de funções altamente qualificadas. Contudo, os números mostram disparidades geográficas e de género, a par de desafios específicos na retenção de talento jovem e na reconfiguração de setores chave como as tecnologias”, evidencia, em comunicado, Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal.
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