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Mediadoras imobiliárias estão a adaptar-se à nova realidade e ainda não há baixa de preços

2º inquérito realizado pelo portal Out of the Box – Real Estate&Finance mostra comportamento do mercado em pleno estado de emergência

Photo by 甜心之枪 Sweetgun on Unsplash
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Autor: Redação

Os especialistas em imobiliário, Gonçalo Nascimento Rodrigues e Massimo Forte, voltaram a pedir a colaboração dos agentes de mediação imobiliária em Portugal para responderem a algumas questões sobre como o mercado está a reagir à pandemia, perante as dificuldades de angariação. Os resultados do 2º inquérito online, realizado pelo portal Out of the Box – Real Estate&Finance, aos profissionais, revela desde já uma tentativa crescente de adaptação ao mercado, com a preferência por visitas virtuais e/ou vídeochamadas a ganhar destaque e a tornar-se numa “válida alternativa”.

Os resultados do inquérito, realizado entre os dias 4 e 9 de abril de 2020, com 642 respostas válidas, num total de 1.624 acessos, foram apresentados mais uma vez através de uma “live” na rede social Facebook, e contou, à semelhança da anterior, com uma vasta plateia virtual. As questões colocadas aos profissionais, e respetivas respostas, referem-se ao período de 22 de março a 5 de abril, em pleno Estado de Emergência, já renovado pela terceira vez – vai estender-se a 2 de maio.

Uma das principais conclusões do 2º inquérito revela que a mediação imobiliária está, de facto, a procurar adaptar-se à nova realidade do mercado. Há mais agentes que referem estar a fazer visitas e/ou angariações, ainda que 45% não esteja a conseguir fazê-lo – ainda assim, o número melhorou face aos 64,5% do inquérito anterior. Neste contexto, dá-se preferência, cada vez mais, às visitas virtuais e/ou vídeochamadas, que se tornaram numa “válida alternativa”.

Os resultados vêm ainda de resto confirmar “aquilo que já se tinha concluído aquando do 1º inquérito: os compradores mantêm-se afastados do mercado e os proprietários aparentemente denotam maior propensão para vender”, segundo a análise de Gonçalo Nascimento Rodrigues, na Out of the Box. “O peso dos compradores que desistiram de ir às compras ou inclusive de fechar um negócio já prometido, manteve-se”, escreve o especialista.

As “dificuldades naturais” dos agentes para realizarem o seu trabalho, continuam, e estão surtir efeitos na realização de escrituras: quase metade das escrituras agendadas foram adiadas. Ainda assim, ainda há “alguma atividade” e “muita gente a fazer negócio”, algo que é “surpreendente” na perspetiva de Massimo Forte. Apesar disso, foram muito poucos aqueles que conseguiram fechar mais de 5 negócios durante a quinzena referida.

Vendedores (ainda) mantêm preços

Janeiro e fevereiro foram, de resto, “dois meses excelentes de vendas”, apesar de março já ter registado uma quebra em termos homólogos. Algo que, na opinião dos especialistas, deve ser destacado, uma vez que este arranque de ano “em força” pode ser um “balão de oxigénio” para os próximos tempos.

Segundo os resultados do inquérito, os vendedores, para já, mantêm os seus preços de venda - mais de metade do mercado proprietário não baixou o preço. Do lado dos compradores, apesar de manterem interesse em comprar, quase metade refere que só o fará perante uma descida de preços. Apenas 15% dos agentes referem que os compradores que acompanham perderam interesse em comprar.

Outros dados do inquérito destacados pelos especialistas

  • Nos dois primeiros meses do ano, a Zona Norte de Portugal registou maior atividade vendedora, quando comparado com a média da amostra. A Área Metropolitana do Porto manteve o nível de vendas face a 2019. Algarve estava já a registar uma descida nas vendas;
  • Na Área Metropolitana de Lisboa observava-se ligeiro arrefecimento em janeiro e fevereiro, que se prolongou em março;
  • No mês de março, a quebra nas vendas fez-se sentir mais na Zona Centro e no Algarve;
  • Alentejo e Madeira foram as regiões do país onde as vendas mais cresceram em março, por comparação com a média dos resultados obtidos;
  • Na Área Metropolitana de Lisboa, os compradores estão mais oportunistas. Na Área Metropolitana do Porto, os compradores perderam o interesse, tendo saído do mercado em maior proporção.