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Mediação imobiliária em vias de ter linha de apoio do Governo para enfrentar a crise

Balão de oxigénio para as agências imobiliárias está a ser ultimado, inserindo-se num pacote que contempla outros setores de atividade.

Photo by Sangarsh Angura on Unsplash
Photo by Sangarsh Angura on Unsplash
Autor: Leonor Santos

Num momento em que as agências imobiliárias se desdobram em esforços para procurar novas estratégias para dar a volta à crise gerada pela pandemia do Covid-19, encontrando na digitalização uma tábua de salvação, ficou a saber-se que o Estado está também a trabalhar para apoiar o setor da mediação. O Governo está a preparar uma linha específica de apoio às mediadoras, incluída num pacote mais vasto de apoio a vários setores, que está a ser ultimado e que poderá funcionar como balão de oxigénio para a atividade da mediação.

A novidade foi dada quinze dias depois de ter sido decretado o estado de emergência em Portugal – que vai ser prolongado - pelo presidente da APEMIP, Luís Lima, no âmbito das UCI Talks, esta quarta-feira, 1 de abril de 2020, e perante uma vasta plateia virtual, onde o líder das mediadoras fez um diagnóstico da situação atual.

Sem poder ainda revelar muito sobre a linha em questão, Luís Lima levantou a ponta do véu sobre o que aí vem, ao longo da entrevista. Ao idealista/news explicou, depois, com maior detalhe, o que está em causa. “A proposta da APEMIP foi para a inclusão do setor imobiliário numa linha específica de apoio às empresas, onde estarão também inclusos outros setores. Esta proposta foi efetuada por via da CCP junto do Governo, que pareceu ter aceite de bom grado esta integração”, revela o presidente da APEMIP.

“A informação de que dispomos não é, neste momento pública, sendo que este pacote de apoio está ainda a ser desenhado, mas aguardamos a “luz verde” e a sua divulgação oficial para muito breve”, refere.

Mas há mais medidas em cima da mesa. A APEMIP, segundo o responsável, “fez uma série de propostas a entidades públicas, como o IMPIC, o IRN ou a associação portuguesa de bancos”,  que está a tentar agilizar no sentido de “desmaterializar os processos relacionados com o negócio imobiliário”. “Solicitámos, por exemplo, a permissão da utilização da assinatura digital nos CMIs, CPCV’s e contratos de arrendamento, dilação de prazos e suspensão de cobranças de emolumentos, ou mesmo a permissão para a realização de avaliações imobiliárias para efeitos de concessão de crédito através de plataformas multimédia, como o vídeo ou as fotografias, por forma a ultrapassar o obrigatório isolamento social”, avançou ainda ao idealista/news.

“Temos um papel essencial na recuperação económica”

O responsável da APEMIP está apreensivo quanto aos novos tempos que se avizinham, uma vez que é “difícil concretizar negócios sem a presença física do mediador”. “Temos o vírus da saúde e o vírus económico. Claro que a proteção à saúde é o mais importante neste momento, mas todo este contexto fará com que a recuperação seja, pelo menos, muito mais demorada”, disse Luís Lima ao longo da entrevista à UCI.

“Isto é um negócio de pessoas para pessoas. As plataformas podem ajudar-nos imenso, mas nunca se vão substituir ao papel do mediador, e esta é a prova disso. Somos insubstituíveis. Nós temos um papel essencial na recuperação económica. Ajudámos muito na última crise e podemos ajudar muito nesta”, sublinhou o líder das mediadoras.

Luís Lima opta por “ser realista e não criar ilusões às pessoas”. “Não vamos dizer que se vai dar a volta em pouco tempo, porque não podemos controlar isso”, acreditando, porém, que o imobiliário é um dos setores que mais e melhor poderá recuperar.

Não nega um arrefecimento do mercado, que diz ser “inevitável”, e considera que será o mercado de arrendamento aquele que irá recuperar e crescer mais rápido, “muito mais que a compra e venda”, uma vez que “a compra de uma casa é a compra de uma vida e é algo de maior responsabilidade. Não tem dúvidas, também, que o setor da construção “vai sofrer”, e por isso aconselha a que nos próximos tempos as “pessoas se resguardem e esperem mais um pouco”, uma vez que este “não é o melhor momento para lançar projetos”.

Sobre o investimento estrangeiro, é perentório: “É preciso começar a olhar para novas rotas. Estávamos apoiados em determinados países, como Brasil, numa situação complicada, França, China....teremos de procurar novos caminhos”.

Deixou ainda, por fim, alguns conselhos aos mediadores. Luís Lima referiu a importância de, neste momento, ser fundamental fazer um “um trabalho de retaguarda, um trabalho digital, controlar custos e ser proativos".

Empresas com dificuldades no acesso aos apoios do Governo

No último inquérito realizado às empresas, a Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP) concluiu que, entre os 162 empresários inquiridos, há 66% que criticam a "imprevisibilidade" das "sucessivas alterações às medidas" anunciadas pelo Governo no âmbito da pandemia gerada pelo novo coronavírus.

A empresas falam de um “bloqueio generalizado" no acesso aos apoios, segundo o estudo citado pelo Negócios. Mais de metade das organizações não concorda com o critério de eligibilidade definido pelo Governo que limita os apoios às empresas que registem uma quebra da faturação de, pelo menos, 40%. A obrigatoriedade de apresentar resultados positivos e de ter a situação fiscal regularizada são outros entraves apontados.