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Lisboa, um dos únicos quatro mercados onde preços do imobiliário de luxo vão subir em 2020

A consultora Knight Frank apresentou uma primeira análise sobre o impacto da pandemia da Covid-19 no imobiliário de luxo nas 20 principais cidades do mundo.

Photo by Louis Paulin on Unsplash
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Autor: Redação

A consultora Knight Frank apresentou uma primeira análise sobre o impacto da pandemia da Covid-19 no imobiliário de luxo, avaliando a evolução de preços nas 20 principais cidades do mundo. E conclui o estudo que Lisboa, Mónaco, Viena e Shanghai são os únicos quatro mercados onde os preços ainda deverão subir em 2020. A consultora prevê ainda que 2021 seja de forte recuperação para o mercado da capital portuguesa, estimando que Lisboa (e Londres) liderem o crescimento de preços no próximo ano, com uma previsão de subida superior a 5%.

A análise realizada pela Knight Frank tenta estabelecer a direção de preços para 2020 e 2021, com base nas perspetivas da procura e da oferta, no impacto que a Covid-19 terá nos diferentes mercados e nas várias medidas de estímulo anunciadas pelos governos. “O nível sem precedentes de incerteza económica em que nos encontramos dificulta a quantificação das previsões”, refere a consultora, tendo, por isso, decidiudo colocar as 20 cidades analisadas em quatro cenários diferentes, com base no comportamento dos preços esperados: crescimento forte (+ 5%), crescimento moderado (até 5%), sem variação ou com queda moderada (entre 0 e -5%) e forte declínio (de -5% ou menos).

No início do ano, a consultora avançou que se esperava um crescimento significativo nos preços prime nos principais mercados em todo o mundo. Segundo Liam Bailey, Global head of research da Knight Frank, “havia muitos sinais positivos nos muitos mercados globais que perspetivavam um aumento nos preços prime este ano, mas o Covid-19 pôs-se no caminho. Das 20 cidades analisadas, em 16 veremos uma queda nos preços, e muito poucas ficarão em terreno positivo”.

Onde vão cair os preços?

Das cidades onde se irá registar uma queda nos preços, o impacto será maior nos mercados emergentes ou naqueles em que o crescimento foi mais fraco no final de 2019. A única exceção é Singapura, para a qual a Knight Frank observou um crescimento de 3% este ano e para a qual, após a chegada da Covid-19, e tendo em consideração o tempo que o mercado permaneceu fechado, teve que modificar a sua previsão para uma diminuição de até 5%.

Atualmente, a consultora aponta para uma queda média de 2,5% na variação interanual dos preços prime em 2020 nas 20 cidades analisadas e uma recuperação de 1,1% em 2021 (um valor semelhante aos 1,2% alcançados em 2019). Mas para a recuperação do mercado prime, garante, será necessário o alívio das restrições às viagens e o regresso à normalidade das companhias aéreas .

Lisboa e Londres com forte recuperação em 2021

"No futuro, para 2021, podemos ver uma pequena recuperação na maioria dos mercados", explica Kate Everett-Allen, Head of international residential research da Knight Frank. “Londres e Lisboa liderarão o crescimento no próximo ano, com uma previsão de aumento de preços superior a 5%”, refere a especialista. A consultora considera que a gestão da crise realizada por Portugal, juntamente com a forte procura e oferta limitada de imóveis irá impulsionar a recuperação de preços. “Também esperamos que muitos outros mercados europeus se saiam bem, como é o caso de Berlim ou Madrid”, adianta ainda.

“Em Londres, a estabilidade política alcançada aumentou a confiança no mercado imobiliário durante janeiro e fevereiro. Após o declínio de preços de até 25% registado em algumas áreas nos últimos cinco anos, é esperado um aumento significativo em 2021”, lê-se ainda no estudo.

Das três cidades americanas analisadas, Miami é a que alcançaria o melhor desempenho em 2021. Já mostrou força significativa em 2019, segundo a consultora, em parte devido à dedução de impostos locais e estaduais, que aumentaram a atratividade da Flórida, mas também porque a crise da Covid-19 destacou as vantagens do estilo de vida de Miami em comparação com outras cidades com maior densidade populacional.

“Em relação ao mercado asiático, é importante analisar a evolução da China, que volta gradualmente ao normal e onde foi registado um aumento nas transações nas principais cidades na primeira quinzena de abril, além de uma recuperação nos preços. Outro exemplo na região asiática é a Índia, onde se espera um declínio significativo de novos empreendimentos residenciais”, acrescenta ainda a consultora.

Em termos de variação de preços, observa-se, de acordo com a Knight Frank, alguma resiliência dos mercados. O volume de transações diminuiu significativamente neste segundo trimestre do ano, embora na maioria das cidades analisadas (75%) se espere recuperar o impulso já na segunda metade do ano. Ainda assim, a consultora destaca que o volume de vendas de imóveis prime levará mais de um ano para recuperar os níveis anteriores. Na Europa, inicialmente, os compradores locais vão liderar essas operações, enquanto o investidor internacional levará uma média de 3-6 meses para fechar as aquisições.