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“Não irá existir uma queda abrupta de preços no imobiliário”

Rafael Ascenso, diretor geral da Porta da Frente | Christie’s, está otimista e tem confiança na recuperação rápida do setor.

Rafael Ascenso, diretor geral da Porta da Frente | Christie’s / Foto: Porta da Frente | Christie’s
Rafael Ascenso, diretor geral da Porta da Frente | Christie’s / Foto: Porta da Frente | Christie’s
Autor: Leonor Santos

Portugal tem tudo para continuar a ser um destino de preferência para viver e investir. Esta é a convicção de Rafael Ascenso, diretor geral da Porta da Frente | Christie’s. O responsável mantém uma grande otimismo quanto ao futuro do setor, acredita que o contexto de incerteza causado pela pandemia do Covid-19 será transitório e está confiante numa “recuperação mais rápida do que o esperado”. No webinar “Perspetivas e Oportunidades no Mercado Imobiliário em Portugal”, realizado quarta-feira, 15 de abril de 2020, fez um balanço da atividade das últimas semanas e respondeu a algumas questões da “plateia virtual”.

Sem querer fazer futurologia, Rafael Ascenso acredita que “não irá existir uma queda abrupta de preços no imobiliário”, salvo devidas exceções, e explica porquê. “Vamos ter algumas situações de pessoas que, por serem mais afetadas por esta redução de rendimento se sintam mais pressionandas em vender casas por um preço abaixo do valor de mercado. Seja por liquidez ou porque não conseguem manter a casa que têm. Mas isso não será a regra e não me parece que isso vá dar origem a uma redução drástica de preços”, refere o diretor geral da Porta da Frente.

Rafael Ascenso e Ana Dória, da Porta da Frente | Christie's / Foto: Porta da Frente | Christie’s
Rafael Ascenso e Ana Dória, da Porta da Frente | Christie's / Foto: Porta da Frente | Christie’s

O responsável considera que as crises anteriores tinham sempre um “culpado” mas que, nesta circunstância, “isso não existe”. “Eu acho que teremos uma recuperação muito mais rápida. Há um paradigma que mudou muitos nos últimos 5/6 anos. Antes tínhamos promotores endividados, compradores endividados, tinhamos a pressão do setor financeiro sobre essas entidades. Hoje não temos nada disso, algo que nos dá uma solidez muito maior”, sublinha.

Vendas vs arrendamento

Rafael Ascenso fez ainda um balanço do comportamento do mercado de vendas e arrendamento nesta conjuntura.Quando começou esta pandemia tinhamos uma série de negócios em pipeline, quase todos eles foram fechados durante estas últimas semanas”, explica, adiantando que, por exemplo, nas últimas três semanas realizaram duas vendas, uma delas acima de uma milhão de euros e outra acima dos três milhões. “Falamos de processos iniciados e concluídos neste período”, frisa.

Mostra-se, por isso, confiante quanto ao futuro, acreditando que este será apenas um período transitório que irá ter impacto, mas que não irá abalar a confiança. “O nosso país apesar de tudo tem dado um contribuito muito forte para a coesão do território, algo que reforça a solidez enquanto destino para investir e viver”, acrescenta.

Considera que as boas notícias (no meio das menos boas), como por exemplo a mais recente menção da revista norte-americana Forbes, que escolheu Portugal como um dos melhores lugares do mundo para um reformado estrangeiro morar, são fundamentais para “puxarem por um mercado que nos alavancou muitos anos”. Lembra, de resto, que o público estrangeiro representa 65% das vendas da Porta da Frente | Christie’s.

“Vamos continuar a ser o melhor país entre relacão de custo e qualidade de vida. Um povo unido, acolhedor ... e acho que a retoma da procura vai ser muito mais rápida do que o que nós podemos pensar. [O investimento estrangeiro] vai ser um motor fundamental para recuperarmos valor”, declara.

E o mercado de arrendamento? Rafael Ascenso diz que vai “vai haver uma mudança interessante”. Trata-se de um mercado que tem estado “asfixiado” por falta de oferta”, mas que poderá agora ter uma oportunidade para reequilibrar-se. “Sentimos que nos últimos anos houve uma transição de imóveis de arrendamento para o alojamento local e, neste momento, estamos a assistir ao inverso, ao regresso desses imóveis e portanto vamos ter maior oferta em breve, algo que será positivo para equilibrar este mercado”.

O responsável terminou o webinar com mais uma “dose de otimismo e realismo”. Rafael Ascenso considera que o “imobiliário será mais uma vez o local certo para investir poupanças, o melhor investimento que as pessoas podem fazer”. “E o período que estamos a viver [com a maioria das pessoas em casa] vem confirmar isto com ainda mais força”, remata.