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Comprar hotéis é opção para mais de 33% dos investidores

Lisboa é a 9º cidade mais atrativa para investir em hotéis. A primeira é Barcelona, diz estudo.

Comprar hotéis é opção para os investidores
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Autor: Redação

A crise no turismo é evidente. Esta é uma das feridas mais profundas que a pandemia da Covid-19 está a deixar na economia mundial. Mas há quem já esteja de olhos postos na retoma do setor e no seu potencial futuro: comprar hotéis na Europa é uma opção para mais de 33,3% dos investidores imobiliários auscultados pela consultora Cushman & Wakefield.

Este apetite pelo investimento no mercado hoteleiro pode ser explicado por vários motivos, segundo diz Gonçalo Garcia, Diretor de Hospitality da Cushman & Wakefield, citado por um comunicado. Por um lado, assiste-se aos “avanços no ritmo da vacinação”. E depois há também “a crescente confiança dos consumidores”. Estes dois fatores combinados fizeram “aumentar a marcação de férias no estrangeiro, com consequente atratividade de ativos hoteleiros para investimento”, explica. E é por isso que Gonçalo Garcia acredita que a “grande vontade mostrada pelos investidores em voltar a adquirir hotéis sugere que estes estão já a pensar em cenários pós-Covid sem restrições a viagens e com toda a indústria de lazer e hotelaria a funcionar em pleno”.

Dado o golpe da pandemia no turismo, investir com descontos é uma opção considerada pelos investidores. Cerca de 38% só irá considerar investir com um desconto mínimo entre 10-15% face ao valor apresentado em 2019. E 21% dos investidores só vai avançar se as unidades hoteleiras apresentarem reduções de valor entre 15-20%. São esperados ajustes de preços superiores a 20% por 20 investidores em cada 100, e descontos inferiores a 10% por 21% dos inquiridos.

Mas investir em hotéis não é uma opção estratégica para todos os investidores que participaram no estudo Hotel Investor Beat. Cerca de 21% dos ‘players’ diz que vai reduzir o investimento no setor hoteleiro e apenas 10% admite ter colocado a sua estratégia de aquisição de hotéis em ‘stand-by’.

Note-se que neste estudo participaram mais de 50 investidores no mercado hoteleiro europeu que, nos últimos cinco anos, foram responsáveis pela aquisição de 664 hotéis, investindo 26 mil milhões de euros – este valor representa certa de um quarto do volume de transações no setor, diz a Cushman & Wakefield no mesmo documento.

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Quais são os destinos na mira dos investidores?

No topo das preferências dos investidores está o Reino Unido e Irlanda, seguidos da Alemanha, Península Ibérica, França e Benelux. Olhando para cidades, Barcelona lidera o ranking de preferência dos investidores, seguida de Londres, Paris, Amesterdão e Munique. Lisboa aparece no 9º lugar do ranking, à frente de cidades como Dublin, Viena ou Praga.

“A conclusão evidente após consulta do sentimento dos principais ‘players’ de mercado (investidores, proprietários e operadores) com exposição a múltiplas geografias, é de que Portugal e a Península Ibérica surgem com destaque positivo, consagrando assim a natureza turística destes destinos, e a confiança na retoma turística no curto prazo”, conclui Gonçalo Garcia, que sublinha ainda que “Portugal beneficia de uma boa organização da oferta turística e da visibilidade conquistada no passado recente, limitando-se o interesse apenas pela escala do país e consequentemente das oportunidades geradas e respetivo ritmo do potencial de crescimento”.

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Imagem de werner moser por Pixabay

Que tipologias são mais atrativas?

Para a maioria dos entrevistados, os 'resorts' turísticos são o tipo de ativos mais atrativo. Não obstante a complexidade das operações e da sazonalidade, 70% dos investidores consideram-nos mais interessantes agora do que antes da pandemia. Também os “serviced apartments” tornaram-se mais atrativos, com 60% dos inquiridos a realçar a "resiliência, alto rendimento e adaptação à mudança" para arrendamentos de médio-longo prazo deste tipo de ativo.

Por outro lado, os hotéis de negócios, orientados para conferências e eventos, e os que se localizam junto a aeroportos, perderam a sua atratividade, pela “alteração brusca nos padrões de trabalho” e a “resistência em organizar grandes eventos num futuro próximo”, explica a Cushman& Wakefield.