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Prestação da casa desce em julho com ajuda de Draghi - como vai ser com Lagarde?

Christine Lagarde sai da liderança do FMI para assumir presidência do BCE / Flickr
Christine Lagarde sai da liderança do FMI para assumir presidência do BCE / Flickr
Autor: Redação

O mês que acaba de arrancar veio com boas notícias para muitas das famílias que têm um crédito à habitação. O valor da prestação a pagar ao banco pelos clientes com empréstimos da casa, indexados às Euribor a três e a seis meses, desce agora em julho, face às últimas revisões. Esta revisão em baixa foi influenciada pela intenção de Mário Draghi, recentemente manifestada em Sintra na qualidade de presidente do BCE, de introduzir novos estímulos à economia, incluindo a descida dos juros, o que acabou por arrastar as Euribor para novos mínimos históricos. 

Um cliente com um empréstimo no valor de 150 mil euros a 30 anos, indexado à Euribor a seis meses com um spread (margem de lucro do banco) de 1%, paga a partir deste mês 463,48 euros, o que significa menos 2,55 euros face à última revisão da prestação, em janeiro, segundo cálculos feitos para a Lusa pela Deco/Dinheiro&Direitos.

Já no caso de um empréstimo nas mesmas condições, mas indexado à Euribor a três meses, o cliente passará a pagar 460,13 euros, neste caso 1,33 euros menos do que o pago em abril.

As Euribor são o principal indexante em Portugal nos contratos bancários que financiam a compra de casa. A Euribor a seis meses é a mais usada, seguida da taxa a três meses.

As taxas de juro continuam em terreno negativo e mesmo a acentuar essa tendência. Em junho, tal como aponta a agência de notícias, a média da taxa Euribor a seis meses foi de -0,279%, um novo mínimo histórico, e a média da taxa a três meses de -0,329%.

O que esperar da nova presidente do BCE em termos de política de juros?

Mario Draghi - por força das circunstâncias, para tentar revitalizar a economia internacional, depois da grande crise da última década - foi o "pai" dos juros negativos registados nos últimos anos, e que tanto acabaram por beneficiar quem tem empréstimos, com fortes reduções nas prestações mensais a pagar ao banco.

Agora que, finalmente, existe um acordo para a sucessão na cúpula do Banco Central Europeu (BCE), ficando a atual líder do Fundo Monetário Internacional (FMI) como presidente do regulador da moeda única na Europa, o que se pode esperar em termos de evolução das taxas de juros?

"Uma política monetária semelhante à dos últimos anos, respondendo ao abrandamento económico recente com mais estímulos e descidas de taxas de juro é o que se pode esperar de um Banco Central Europeu liderado por Christine Lagarde", segundo escreve hoje o Público.

Tendo em conta o que têm vindo a ser as posições assumidas pelo FMI e por si própria relativamente à condução da política monetária na zona euro, "a expectativa neste momento é claramente de uma continuidade no BCE, com aqueles que defendem a necessidade de manutenção de políticas expansionistas a saírem vencedores", reforça o diário.

Isto porque, como líder do FMI, a francesa  - formada em Direito e que foi a primeira mulher a ocupar o cargo de diretora geral do organismo internacional - "tem apoiado frequentemente ao longo dos últimos anos as medidas extraordinárias de estímulo aplicadas pelo BCE de Mario Draghi, incluindo a redução das taxas de juro para níveis mínimos históricos ou a compra de dívida pública em larga escala para aumentar a liquidez na economia", tal como indica o jornal.