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“Não há crédito à habitação a mais, há casas a menos”

Luís Lima, presidente da APEMIP, diz que “as poucas casas” que há no mercado “não podem ficar inacessíveis a quem delas precisa”.

Luís Lima, presidente da APEMIP / Facebook da APEMIP
Luís Lima, presidente da APEMIP / Facebook da APEMIP

A torneira do crédito à habitação voltou a estar aberta, com os bancos a emprestarem 956 milhões de euros para a compra de casa em novembro de 2019, mais 35 milhões que no mês anterior. Para Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), “não há crédito à habitação a mais”. Há, sim, “casas a menos”. “E as poucas que há não podem ficar completamente inacessíveis a quem delas precisa”. 

O líder dos mediadores, que discursava durante a cerimónia de tomada de posse dos órgãos sociais da APEMIP – Luís Lima foi reeleito presidente para o triénio 2020-2022 –, considera que a banca não deve de facto cometer os erros do passado, mas diz que o crédito à habitação deve ser analisado “sem entraves extremos”. 

“O Banco de Portugal tem vindo a impor restrições de crédito à habitação, numa antecipação que tem como objetivo reduzir riscos de eventuais excessos. Reconhecemos a prudência do regulador, mais atento no sentido de evitar erros do passado, mas (...) o imobiliário nacional está hoje muito mais diversificado, e com características diferentes das que tinha nos anos em que dependia quase exclusivamente de crédito. Não quero com isto dizer que se deve incentivar o endividamento, mas tendo em conta que o país ainda não tem um mercado de arrendamento que se possa afirmar como alternativa habitacional, o acesso ao crédito à habitação deve ser analisado caso a caso, sem facilitismos, mas também sem entraves extremos”, afirma.

Um alerta chamado bolha imobiliária

Luís Lima diz acreditar que Portugal teve a sorte, depois da crise e do pedido de ajuda externa, “de ter uma segunda oportunidade”. E sobre a existência de uma bolha imobiliária no país, o responsável, que sempre disse não existir, deixa agora um alerta: “Não significa que não possa vir a criar-se uma, não pela desvalorização dos preços, mas pela sua especulação”.

“Temos de ser realistas: os preços não podem subir até ao céu (...) As previsões são de um ligeiro abrandamento, assente sobretudo na falta de stock. Mas devemos evitar que a falta de casas e os preços que estão a ser praticados se transformem na falta de procura. É que depois não haverá mercado, nacional ou estrangeiro, que nos possa socorrer”, sustenta.