Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Confiança já começa a ser restabelecida – mas como influencia o mercado imobiliário?

Espera-se uma procura mais ativa, mas continua a existir um atraso na tomada de decisões, aponta a Worx.

Imagem de Jason Goh por Pixabay
Imagem de Jason Goh por Pixabay
Autor: Redação

Com o fim do confinamento, a saída do país do estado de emergência e um maior ritmo de vacinação, os consumidores começam a restabelecer a sua confiança no país para níveis próximos de março do ano passado. Este pode ser o primeiro passo para a esperada retoma da atividade económica e respetiva fase de recuperação. Mas como tudo isto influencia o mercado imobiliário?

Na verdade, os indícios de melhoria na confiança dos consumidores podem não ser suficientes, isto porque ainda se aguardam mais sinais no mercado e uma dissipação da incerteza em torno da evolução pandémica, refere a Worx em comunicado. Pedro Salema Garção, Head of Agency na Worx, explica no documento que “continua a existir um atraso na tomada de decisões por parte das empresas”, mas destaca “uma procura muito mais ativa no início deste segundo trimestre, comparativamente com o trimestre anterior”.

Investimento imobiliário atinge os 221 milhões

Ainda assim, o investimento em imobiliário comercial não parou nos primeiros três meses do ano, superando os 221 milhões de euros. Mas, note-se, que este foi um valor alcançado, sobretudo, pela transação do portefólio “Navigator” por 120 milhões de euros. Dada a dimensão desta transação, o segmento de escritórios lidera a tabela com cerca de 70% do volume trimestral, seguido dos setores alternativo (com 13%), do retalho (com outros 11%) e da hotelaria (com os restantes 6%).

Pedro Valente, Capital Markets da Worx, sublinha que “os investidores internacionais, e nacionais, continuam a demonstrar muito interesse no mercado português” – mas são mesmo os estrangeiros que arrecadam a fatia de “leão” – 92% do volume total.

Sobre este mercado, Pedro Valente acrescenta que “a procura tem recaído muito sobre os ativos 'core', apesar do interesse acrescido por setores alternativos, nomeadamente residências de estudantes, residências seniores e PRS (Private Rental Scheme) ou BTR (Build-to-rent)”. Estes últimos continuam a apresentar algumas “barreiras à entrada”, nomeadamente associado aos custos elevados e à falta de incentivos fiscais.

Procura por contratos flexíveis será maior

No mercado de arrendamento, há vários negócios a decorrer, mas ainda não há estimativa para as suas concretizações, aponta a consultora. Nos primeiros três meses do ano – que coincide com o segundo confinamento-, a ocupação de escritórios em Lisboa registou uma quebra de 34% face ao mesmo período do ano passado e foram, sobretudo, empresas nacionais a ocupar os espaços (69% do total).

Esta evolução negativa voltou a fazer subir a taxa de disponibilidade neste mercado que se fixou nos 7% neste período (+27 pontos básicos que no homólogo). Para estes espaços há procura, mas Pedro Salema Garção sublinha que esta será diferente: “as empresas continuam a procurar uma maior flexibilidade contratual, dada a incerteza das suas necessidades futuras, o que também tem provocado a origem de grandes atrasos nos processos de arrendamento”.

Esta nova necessidade vai trazer também, segundo a Worx, “um aumento de subarrendamentos aliado, em grande parte, à tendência do teletrabalho que tem levado à redução estratégica de espaços por parte das empresas”. A Bloomberg e a Google, por exemplo, já anunciaram que os seus modelos de trabalho no pós-pandemia vão estar assentes em modelos híbridos e flexíveis.

Ainda assim, a Worx acredita que “o segundo trimestre do ano seja mais dinâmico comparativamente ao primeiro, reunindo os requisitos necessários para dar início a uma retoma gradual da atividade económica, com as medidas de higiene e segurança em destaque como principal prioridade para garantir a imunidade de grupo”. Neste cenário, a questão da sustentabilidade e a redução da pegada ecológica continuará a ser um tópico “cada mais visível” aquando da procura por parte das empresas e na adaptação da oferta por parte dos proprietários.