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Investimento no imobiliário comercial soma 221 milhões de euros em pleno confinamento

Nos primeiros três meses do ano, os escritórios dominaram as operações representando 70% do total, segundo revela a JLL.

Imagem de Steffen Zimmermann por Pixabay
Imagem de Steffen Zimmermann por Pixabay
Autor: Redação

O segundo confinamento geral imposto pela pandemia Covid-19 não travou o investimento imobiliário comercial em Portugal. Entre janeiro e março deste ano, os investidores desembolsaram 221 milhões de euros, um valor que é mais do dobro dos 90 milhões de euros transacionados no anterior confinamento, que ocorreu no segundo trimestre do ano passado.

Para Pedro Lancastre, diretor geral da JLL, o valor transacionado no arranque do ano é “notável, considerando que a atividade voltou a desenvolver-se num cenário de confinamento geral, o que atrasou diversos processos em curso”, revela em comunicado. E destaca ainda que este “é um montante em mais de duas vezes superior ao transacionado no anterior confinamento, comprovando que, mesmo havendo um fecho generalizado, os investidores encararam este período com maior confiança do que anteriormente, bem como que o apetite pelo mercado português continua forte”.

Os dados são avançados esta terça-feira (dia 27 de abril de 2021) pela JLL no seu relatório trimestral Market Pulse, o qual destaca ainda que 95% deste investimento é internacional. Os escritórios dominaram as operações representando 70% do total. Já o retalho e a hotelaria representam, cada, 15% do investimento, continuando a estar entre as classes de ativos “mais afetadas” pela pandemia, aponta a consultora em comunicado, salientando, por outro lado, o “dinamismo” dos supermercados e hipermercados como produto de investimento.

A habitação voltou a mostrar a sua resiliência no arranque do ano, exibindo uma “atividade dinâmica”, tanto por parte dos compradores nacionais, como dos internacionais, com destaque para os primeiros que registaram 70% das transações no primeiro trimestre.  Por outro lado, verificou-se um “ajustamento em baixa dos preços” das casas sobretudo em zonas com forte predominância de turistas e maior predominância de aquisição para investimento, sublinha a JLL.

“De uma forma geral, o segundo confinamento foi menos penalizador para o mercado imobiliário do que o primeiro. Isto porque não só não existiu o efeito surpresa causado pelo início da pandemia, como já está a decorrer o processo de vacinação. Mas, acima de tudo, tal deve-se também à solidez do mercado imobiliário, que vinha de um ciclo de forte crescimento e tinha já conquistado um posicionamento sólido a nível internacional, com uma oferta moderna e de qualidade, bem como uma procura cada vez mais diversificada em termos de origens e perfil de investidores, algo que não consideramos reversível”, explica Pedro Lancastre.

Apesar das incertezas associadas à atual conjuntura que trazem complexidade às transações, a elevada liquidez do mercado e o apetite para investir são dois indicadores que fazem a JLL desenhar um cenário otimista para 2021. Na perspetiva de Pedro Lancastre “é certo que temos novos desafios trazidos pela pandemia, mas não há dúvida de que o mercado imobiliário tem condições para recuperar os bons níveis de atividade ainda este ano”.