Subida dos juros do BCE foi “importante” – mas devem manter-se em julho

Quem o diz é o governador do BdP. Já os analistas preveem que O regulador europeu deverá manter taxas diretoras em julho.
Subida dos juros do BCE
Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal Getty images
Lusa
Lusa

O governador do Banco de Portugal (BdP), Álvaro Santos Pereira, defendeu esta segunda-feira (dia 15 de junho) a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de subir os juros, considerando que teve como objetivo prevenir uma espiral de inflação.

Na conferência de imprensa de apresentação do Boletim Económico, em Lisboa, o governador salientou que a decisão "foi consensual", num contexto de "subida dos preços, não só da energia como dos fertilizantes, e os preços começarem a atingir outros bens e serviços".

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Santos Pereira relembrou o que aconteceu em 2021 e 2022, salientando que "quando a inflação sobe numa espiral significativa, isso funciona como um imposto para as pessoas, que perdem poder de compra".

Para o governador do BdP, a estabilidade de preços é "absolutamente essencial", nomeadamente para evitar que o "imposto da inflação" penalize as famílias e empresas.

"É importante que a política monetária tome a decisão que tomou para evitar que a espiral de inflação aconteça", salientou, acrescentando que a presidente do BCE "foi muito clara ao dizer que as decisões vão ser feitas reunião a reunião". 

O BCE decidiu, na semana passada, subir as taxas diretoras em 25 pontos base, para 2,25%, devido ao impacto do conflito no Médio Oriente.

Já o ministro das Finanças português considerou, na semana passada, que a subida das taxas de juro anunciada pelo BCE devido às pressões inflacionistas da guerra no Médio Oriente “não era absolutamente necessária”, sendo uma “crise diferente da de 2022”.

“Naturalmente há uma preocupação do Banco Central Europeu. O BCE, que teve uma ação muito importante em 2022 [na anterior crise energética], entendeu dar este primeiro sinal ao mercado, mas veremos nos próximos meses. Eu mantenho a minha opinião de que podia não ter dado este sinal e não era absolutamente necessário, mas respeito naturalmente o mandato e a independência do BCE”, disse Joaquim Miranda Sarmento.

Juros diretores deverão manter-se em julho, dizem analistas

A maioria dos analistas de política monetária prevê que o BCE manterá em julho as taxas diretoras e aumentará em setembro, novamente em um quarto de ponto percentual, para 2,5%, segundo a pesquisa da instituição publicada esta segunda-feira.

Posteriormente, preveem que o BCE deixará o preço do dinheiro em 2,50% até ao segundo trimestre de 2027 e que o reduzirá no terceiro trimestre de 2027 de forma moderada, para 2,25%, nível em que permanecerá até ao primeiro trimestre de 2028.

O BCE aumentou na semana passada as taxas de juro dos depósitos bancários em 25 pontos base, para 2,25%, porque prevê que a inflação chegará este ano a 3% devido ao encarecimento da energia originado pela guerra no Irão, superando assim o objetivo de 2%.

A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 22 e 23 de julho em Frankfurt.

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