Conflito no Médio Oriente abranda crescimento das economias avançadas

A guerra no Irão está a impactar a economia de modo distinto, embora se espere que globalmente abrande para 2,4%.
Conflito no Médio Oriente impacta economia
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A economia global tem sido afetada este ano desde o início do conflito no Médio Oriente, a 28 de fevereiro, com o impacto a fazer-se sentir nos preços da energia, do transporte marítimo, dos fluxos comerciais e dos custos operacionais. No entanto, apesar de se esperar que até ao final de 2026 a economia global abrande para 2,4%, o dinamismo económico está a mostrar divergências.

De acordo com a Crédito y Cauciõn, que analisou os efeitos do conflito no Médio Oriente a nível mundial, nas economias avançadas o crescimento deverá desacelerar para cerca de 1,5% até ao fim do ano, enquanto nos mercados emergentes se espera um crescimento de 3,7%, abaixo da série histórica.

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"Esta desaceleração deve-se em grande parte ao aumento dos preços da energia, perturbações no transporte marítimo e elevada incerteza. As economias importadoras de matérias-primas estão particularmente expostas a estas pressões", refere em comunicado.

Já a inflação global deverá atingir os 4,8% este ano, "principalmente devido ao aumento dos preços da energia, desencadeando efeitos na indústria transformadora e nos transportes", explica ainda. Este cenário poderá levar os bancos centrais a manterem cautelosos e a adiar cortes de taxas de juro de referência. A política monetária poderá apertar ainda mais se a inflação se revelar persistente, avisam.

Guerra impacta decisões de investimento no Golfo Pérsico

Além disso, o conflito tem também influência nas decisões de investimento, especialmente nos países do Golfo Pérsico, onde os investimentos em infraestruturas, rotas comerciais alternativas e capacidade estratégica estão a acelerar, de modo a tentar reduzir a dependência de pontos de estrangulamento vulneráveis e reforçando a estabilidade a longo prazo.

“Antes do conflito, países como os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e o Qatar competiam intensamente para se posicionarem como polos globais de IA [Inteligência Artificial], investindo fortemente em infraestruturas digitais e atraindo grandes empresas tecnológicas. No entanto, ataques recentes a centros de dados revelaram uma nova vulnerabilidade. Estas instalações já não são apenas ativos comerciais, tornando-se infraestruturas críticas. Como resultado, o risco geopolítico desempenha agora um papel muito mais proeminente nas decisões de investimento”, alerta, em comunicado, Niels de Hoog, economista sénior da Atradius Crédito y Caución.

Há ainda que referir as vulnerabilidades do comércio global e a fragilidade das principais cadeias de abastecimento, situações que ficaram expostas com a atual crise, uma vez que cerca de 2 mil navios foram afetados. Para responder a esta perturbação das rotas marítimas, empresas e governos estão a acelerar os esforços para diversificar rotas e redesenhar redes logísticas.

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