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Qual o efeito das decisões do BCE para o teu bolso e para a economia nacional?

Autor: Redação

Artigo escrito por João Raposodiretor comercial da Reorganiza – com sentido, para o idealista News Portugal, no âmbito da rubrica "Trocado por Miúdos"

O Banco Central Europeu (BCE) iniciou ontem [dia 5 de maio de 2014] uma nova era na sua política monetária, cortando a taxa de juro de referência para 0.15% e baixa a taxa de depósitos para valores negativos (-0.1%). Quer isto dizer que os bancos na Zona Euro irão começar a pagar para depositar dinheiro nos cofres do BCE, um claro sinal da necessidade de começarem a emprestar dinheiro à economia real.

Qual o efeito destas decisões para o teu bolso e para a economia nacional?

Desde outubro de 2011 até aos dias de hoje a taxa de referência baixou dos 1.50% para 0.15%, um mínimo histórico. Esta medida tem visado tronar o dinheiro cada vez mais barato, o que resulta num estímulo ao crédito, ao consumo e ao investimento. A ideia de base consiste num estímulo à criação de emprego e o combate à descida do nível geral de preços (conhecida como deflação).

Podemos ser levados a pensar que o cenário de queda de preços é positivo, uma vez que aumenta o nosso poder de compra. Contudo, um cenário de queda generalizada de preços é sintoma de uma economia débil a prazo. Se a expetativa dos agentes económicos é a da descida de preços implica que estes irão adiar as suas decisões de consumo destruindo emprego pelo caminho.

O cenário atual é um cenário de grande preocupação e é justificação suficiente para a aplicação de medidas sem precedentes. Infelizmente, o BCE vem já tarde. Aliás, a sua atuação tem vindo a ser criticada por ser tardia e demasiado cautelosa.

No contexto de Portugal, os esforços de redução do défice em percentagem do produto serão postos em causa, na medida em que a deflação de preços aumenta o peso relativo da dívida. Para as famílias o cenário não é melhor. Esta descida de taxa de juro não se irá traduzir numa queda significativa dos custos de financiamento (que já estão muito baixos). Apesar disso, as expetativas dos agentes económicos são cruciais para o futuro da economia, pelo que o sinal dado pelo BCE poderá dar algum conforto.

Um cenário de baixo consumo leva a que uma esperança de relançamento da economia portuguesa seja posta em causa. Sem crescimento não se criam empregos, não se gera riqueza nacional e não é possível baixar impostos ou aumentar apoios sociais.

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos