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Imóveis pesam 7 mil milhões nas contas dos bancos, que querem vender rápido e barato

Gtres
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Autor: Redação

A banca continua a pagar a fatura da crise. Depois da pesada herança de casas devido às muitas famílias que deixaram de pagar a prestação do crédito à habitação, agora os bancos vêem-se a braços com uma pesada carga de imóveis não habitacionais, resultado das falências. No total, os maiores bancos nacionais têm mais de sete mil milhões de euros em imóveis no balanço e a maioria são lojas, escritórios e armazéns.

No final de 2015, as cinco maiores instituições financeiras a operar em Portugal somavam 7,18 mil milhões de euros em imóveis depositados nos seus balanços, o que corresponde a aumento de 16%, ou 993 milhões de euros, face ao ano anterior, segundo escreve o Jornal de Negócios.

Os bancos portugueses têm vindo a lançar várias campanhas e outras iniciativas como leilões para promover a venda dos imóveis que têm em carteira, com o objetivo de limpar o balanço tal como querem o BCE e o Banco de Portugal. Oferecem, quase, sempre preços mais competitivos e condições de financiamento mais vantajosas para tentar acelerar as vendas.

Qual o banco com mais imóveis para vender?

O Novo Banco, tal como indica o diário, continua a ser o banco com mais imóveis em carteira: 3,57 mil milhões de euros, no final de 2015. O BCP tem quase dois mil milhões de euros e a CGD tem 1,24 mil milhões de euros.  

A dimensão dos ativos imobiliários entregues aos bancos agora "é maior, pois são essencialmente não habitacionais de grande dimensão, como centros comerciais ou terrenos industriais, por exemplo, o que faz com que o valor dos ativos em carteira seja elevado", explica Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), ao Negócios.

Dos 19.883 imóveis publicados nos sites de nove bancos, mais de 65% não são habitacionais, ou seja, são escritórios, lojas, terrenos, garagem, entre outros. As casas representam 34,7% do total.  

O que explica um valor mais alto agora do que no pico da crise?

As questões burocráticas associadas aos imóveis, desde a entrada do cliente em incumprimento até à sua colocação à venda pelo banco, são apontadas com um dos motivos para que este valor não tenha sido antes tão alto, nem no pico da crise em 2011.

"Este processo pode ser muito longo e muitos imóveis que são colocados agora à venda pelos bancos podem dizer respeito a problemas gerados há dois anos", explica Miguel Poisson, diretor-geral da ERA, citado pelo jornal.

Esta visão é partilhada por Ricardo Sousa, administrador da Century 21 Portugal, também em declarações ao Negócios: "Os imóveis que agora entram no mercado são processos iniciados, em muitos casos, há mais de três anos".

O gestor antecipa que a "recuperação apenas será visível nos próximos anos". Mas, para que efetivamente ocorra, é necessário que "se implementem e normalizem procedimentos para que exista acordo - entre banco, famílias/empresas e agente imobiliário - para que se possa concretizar uma venda antecipada e rápida do imóvel".

Gonçalo Reino Pires, advogado, especialista em Direito do Urbanismo e sócio da Serra Lopes, Cortes Martins (SLCM), também frisou, em entrevista ao Negócios, a necessidade de resolver este problema: é como "uma bomba-relógio que alguma vez vai ter de explodir".