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Fundo inglês M&G Real Estate tem Portugal na mira: “Viemos para ficar”

Edifício Alexandre Herculano 53, em Lisboa
Fundo M&G Real Estate comprou o Alexandre Herculano 53, que está arrendado à Fidelidade / M&G Real Estate

O fundo de investimento inglês M&G Real Estate está de olho no mercado imobiliário português, tendo a mira apontada sobretudo para os segmentos de escritórios – comprou este ano o edifício Alexandre Herculano 53, em Lisboa, por 46.5 milhões de euros – e residencial. “Estamos em Portugal para ficar, com uma aposta a longo prazo”, diz em entrevista ao idealista/news Federico Bros Tejefor, diretor para Portugal e Espanha.

Federico Bros Tejefor, diretor para Portugal e Espanha do M&G Real Estate /  M&G Real Estate
Federico Bros Tejefor, diretor para Portugal e Espanha do M&G Real Estate / M&G Real Estate

Inicialmente, e antes de adquirir o Alexandre Herculano 53 [à Apollo, que comprou um portefólio à Fidelidade, sobretudo de imóveis residenciais], que está totalmente arrendado à seguradora Fidelidade, o M&G Real Estate investiu em território nacional no setor de retalho, através de duas operações de ‘sale & leaseback’. Comprou, no final de 2018, o hipermercado Continente do shopping Rio Sul, no Seixal, ao Grupo Sonae, por 27,8 milhões de euros, e adquiriu, em 2016 e também ao Grupo Sonae, um portefólio de 11 hiper e supermercados (Continente) em todo o país. Tratou-se, neste caso, de um negócio avaliado em 575 milhões de euros, adianta o responsável, salientando que integram o referido portefólio o Continente de Telheiras, em Lisboa, e o do Forum Coimbra. 

Na mira do M&G Real Estate continua a estar o segmento de escritórios, sendo que o fundo está também à caça de boas oportunidades no setor residencial. “[Em Portugal] estamos muito focados nos escritórios localizados na zona Prime CBD [eixo Avenida da Liberdade/Saldanha] e na zona 5 [Parque das Nações], não compraremos no corredor oeste [A5 Lisboa/Cascais]. E estamos atentos ao residencial, estamos a ver uma possibilidade em Lisboa de residencial para arrendamento”, conta Federico Bros Tejedor. 

"Estamos muito focados nos escritórios localizados na zona Prime CBD [eixo Avenida da Liberdade/Saldanha] e na zona 5 [Parque das Nações]. E estamos atentos ao segmento residencial"
Federico Bros Tejefor, diretor para Portugal e Espanha do M&G Real Estate

Segundo o responsável, o objetivo é, no caso de aquisições de edifícios de escritórios, fazer negócios semelhantes ao da compra do Alexandre Herculano 53:Esta operação encaixa perfeitamente com a nossa estratégia de investimento de comprar edifícios de grande qualidade e que estejam arrendados a empresas com reputação, como é a Fidelidade, do grupo chinês Fosun. [O ativo] está muito bem localizado, perto do Marquês de Pombal. A estratégia passa por encontrar este tipo de oportunidades no centro de Lisboa. E também quiçá comprar no Parque das Nações, o futuro dos escritórios está a desenvolver-se ali, onde há falta total de stock”.

Ainda sobre o Alexandre Herculano 53, Federico Bros Tejedor deixa no ar a possibilidade de renovar o imóvel, que poderá vir a ter um novo arrendatário dentro de alguns anos. E explica porquê: “A nossa ideia é que em 2023, 2024 a Fidelidade deixará de ser inquilino. Sabemos que a Fidelidade comprou terrenos em Entrecampos [antiga Feira Popular] e é provável que saiam e tenham a sua sede ali. E temos um projeto avaliado em mais de 11 milhões de euros para dar nova vida ao imóvel. Seria uma reforma integral. É um dos edifícios de Lisboa com mais área por piso, são cerca de 1.200 metros quadrados (m2), bem superior à média dos existentes na capital, e tem estacionamento. O edifício está bom, mas pode ter uma imagem mais bonita dentro de alguns anos”.

Residências seniores e co-living na moda

O diretor para Portugal e Espanha do M&G Real Estate salienta que os dois países são e continuarão a ser “mercados bastante atrativos” e adianta que “há investimentos alternativos a considerar”, nomeadamente a nível nacional. “Acredito que investimentos alternativos como residencial para arrendamento, residências para estudantes e residências seniores e escritórios vão continuar a ser uma boa aposta em Portugal”, conta.

Um dos investimentos alternativos que também pode virar moda é o co-living, que tem sido apontado por muitos intervenientes do setor imobiliário como uma tendência a ter em conta. É um fenómeno novo, assim como o co-working, que já existia mas era residual. São conceitos novos que vieram para ficar, mas estamos numa fase pioneira. Pessoalmente tenho a impressão que o co-living vai ser um sucesso”, antevê Federico Bros Tejedor, sublinhando que a aposta do M&G Real Estate em Portugal é a “longo prazo”. “Acreditamos que haverá outros projetos”, conclui.