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GGD perdoa 75% da dívida do Hard Club no Porto- sala de espetáculos de Kalú está a “salvo”

A decisão do banco estatal, principal credor, viabiliza o Plano Especial de Revitalização (PER) do espaço e impede a insolvência da empresa.

António Amen/Wikimedia Commons
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Autor: Redação

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai perdoar 75% da dívida do Hard Club, uma sala de espetáculos instalada no Mercado Ferreira Borges, no Porto, que tem o baterista dos Xutos e Pontapés, Kalú, como sócio. A decisão do banco estatal, principal credor do espaço, viabiliza o Plano Especial de Revitalização (PER) e impede a insolvência da empresa, que agora ficará nas mãos do Grupo Ferreira.

Mais de 80% dos créditos do Hard Club, com dívidas na ordem dos 5,4 milhões de euros, são devidos a entidades estatais, segundo a notícia avançada pelo Negócios. Ao Turismo de Portugal, por exemplo, a sala de espetáculos deve 1,56 milhões de euros, à Segurança Social 13,3 mil euros, e ao Fisco 1.575 euros. As dívidas à Segurança Social e ao Fisco terão de ser integralmente pagas no prazo de 60 dias após a homologação do PER pelo tribunal, de acordo com a mesma publicação. Os 60.000 devidos à Câmara do Porto também têm de ser liquidados.

O plano de recuperação do Hard Club agora aprovado foi possível graças à aquisição da empresa por uma participada do Grupo Ferreira, que atua na área da construção civil. Mas o processo foi atribulado, uma vez que o baterista dos Xutos e Pontapés, Kalú, um dos acionistas, com 10% do capital, e Pedro Lopes, detentor de 45% das ações, se mostraram contra a decisão, entrando em conflito com outros dois sócios.

O Grupo ficará com um mínimo de 76% das ações da sociedade que detém o Hard Club, através de uma “operação acordeão”, que passa pela redução do capital social a zero para cobertura de prejuízos, e sucessiva recapitalização, segundo explica o Negócios. As dívidas restantes serão pagas de acordo com os meios libertos gerados pela atividade da sala de espetáculos até 2032.

A CGD justifica a viabilização do PER, e o perdão da dívida, com o facto de esta ser a única forma de o banco estatal recuperar algum do montante que lhe é devido. “A CGD viabilizou o PER da empresa apresentado aos diversos credores, por alternativa a uma solução que possa conduzir a um processo de insolvência da empresa", refere, citado pelo Negócios, acrescentando que a viabilização do PER “permitirá que a CGD seja ressarcida de parte da sua dívida".