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Antiga Feira Popular de Lisboa: há vestígios romanos, mas construção de edifícios vai avançar

Nenhum dos achados arqueológicos vai ser preservado no local, pois ali vão ser construídos vários edifícios de usos múltiplos.

Autor: Redação

Aquela que é uma das maiores explorações arqueológicas em curso na capital está a decorrer nos terrenos da antiga Feira Popular de Lisboa, na zona de Entrecampos. Neste local já foram encontradas várias estruturas da época romana e caminhos de pedras irregulares que nos remetem ao século XVIII. Mas não ficará pedra sobre pedra. Ali vão ser construídos vários edifícios de usos múltiplos e nenhum destes achados arqueológicos vai ser preservado no local.

Foi em 2019 que foram desenvolvidas “um conjunto de sondagens arqueológicas distribuídas por toda a extensão do terreno”, revelou a Fidelidade, proprietária do terreno, à agência Lusa o mês passado. Mas o que esconde este local? Vestígios romanos, embora sejam “pouco expressivos” e apresentam estruturas “muito destruídas do ponto de vista patrimonial”, refere Nino Neto, diretor científico desta investigação arqueológica que está a cargo da empresa Neoépica. “Vamos tendo uns fragmentos. Uma fiada de pedra, o fundo de um tanque, um poço”, especifica em declarações ao jornal Público. Esta grande escavação mostrou também que ali existiu mercado geral do gado,que ocupava cerca de metade do terreno; uma via-férrea e um apeadeiro, ainda com madeira no local; e um tanque, que faria parte de uma das quintas rurais da zona. O que esta investigação também revela é que houve reaproveitamento de matérias de época para época, isto porque há escassez de pedra neste terreno argiloso.

Mas nenhuma destas descobertas vai ficar intacta no futuro. A Direcção-Geral do Património Cultural já referiu que nenhum destes vestígios arqueológicos será preservado no local. E como vão ser conservados? Através do registo científico, isto é, através de fotografias, descrições textuais e mapeamentos.

Isto porque é neste terreno que vai nascer um conjunto de edifícios que vão trazer novos escritórios, habitações e espaços comerciais à capital. Este complexo também terá uma área verde e um equipamento cultural. Estes são os planos do grupo Fidelidade para o terreno que adquiriu à própria Câmara Municipal de Lisboa em dezembro de 2018 por cerca de 238,5 milhões de euros.

A autarquia já deu uma autorização prévia para a construção do primeiro edifício (em fevereiro deste ano), que se vai localizar junto à Avenida das Forças Armadas, e que terá a assinatura dos arquitetos Álvaro Siza e Souto de Moura.  No projeto inicial está previsto a construção de um imóvel com cerca de 41.000 metros quadrados para o uso de serviços e “um total de 13 pisos, distribuídos por 8 pisos acima da cota da soleira”, revelou a autarquia da cidade na altura.

Sobre a execução do projeto, Miguel Santana, administrador da Fidelidade Property, explicou ao Público que o projeto se vai concretizar de norte para sul:das Forças Armadas para a Estação de Entrecampos. À exceção do primeiro, os arquitetos de cada imóvel estão ainda a ser escolhidos.