
A fileira da construção e imobiliário tem ganho um novo dinamismo ao longo dos últimos anos, recuperando da crise financeira que muito abalou o setor entre 2008 e 2013. Prova disso é que houve um aumento anual de 5,3% no número de empresas, tanto na construção como no imobiliário, que acabaram por empregar mais trabalhadores e por oferecer melhores salários. Só num ano, a construção ganhou 31 mil trabalhadores, mas não chega para responder às atuais necessidades de construção de casas e executar as obras do PRR.
Estas são algumas conclusões a retirar dos resultados definitivos do Instituto Nacional de Estatística (INE) ao setor empresarial português, que em 2023 contou com 1.526.926 empresas em atividade (+5,0% face ao ano anterior), lê-se no boletim publicado esta sexta-feira, dia 13 de dezembro.
Numa análise centrada no imobiliário e construção, verifica-se que ambos os setores de atividade tiveram um crescimento do número de empresas superior ao do país. Na construção foram contabilizadas 107.857 empresas em 2023, mais 5,3% face ao ano anterior. E no imobiliário registaram-se 64.796 negócios no ano passado, refletindo também num aumento anual de igual dimensão (+5,3%).
Mas enquanto na construção o crescimento empresarial estabilizou (variação anual foi igual à de 2022), no imobiliário sentiu-se um desacelerar de negócios em atividade, uma vez que no ano anterior o salto anual foi de 8,5%, mostram ainda os dados do INE analisados pelo idealista/news.
Construção tem mais 31 mil trabalhadores – mas não chega
O que também salta à vista é que voltou a haver um aumento quer do número de trabalhadores, quer dos seus salários em ambos os segmentos, tendo sido mais expressivo na construção:
- Construção: contabilizaram-se cerca de 430 mil pessoas ao serviço durante o ano passado, mais 7,9% face a 2022. E as remunerações dos trabalhadores aumentaram na ordem dos 14,2% num ano;
- Atividades imobiliárias: o número de trabalhadores fixou-se em 99.917 em 2023, mais 5,8% face ao ano anterior. E as remunerações aumentaram 13,7%.
Este aumento do número de trabalhadores na construção foi uma boa notícia, numa altura em que a mão de obra é escassa. Afinal, passaram a trabalhar mais 31.694 pessoas na construção num ano. Mas este aumento continua a ser insuficiente para fazer face às atuais necessidades, não só para a construção de casas no país, como também para dar seguimento às obras projetadas no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Estima-se atualmente que sejam precisos mais 80 mil trabalhadores na construção só para responder à obras do PRR, de acordo com a AICCOPN. E, perante esta urgência, o Governo de Montenegro decidiu agilizar a entrada de estrangeiros para o setor da construção civil, tendo já desenhado uma primeira proposta neste sentido.
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