Garantia deixada pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa. Executivo admite, também, a entrada de mais imigrantes.
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Mau tempo em Portugal
Depressões Kristin e Leonardo causam estragos em Portugal Getty images

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, apelou esta quinta-feira (5 de fevereiro de 2026) aos emigrantes portugueses que trabalhem na construção civil para regressarem a Portugal e ajudarem na reconstrução das infraestruturas danificadas pelas depressões Kristin e Leonardo. O Governo, paralelamente, admite a entrada de mais imigrantes no país para ajudarem nos trabalhos. Esclarece, no entanto, que não serão abertos novos canais de imigração para a contratação de trabalhadores após a depressão Kristin. 

"O Governo português pede à nossa comunidade emigrante, àqueles que têm competências nas áreas da construção civil, sobretudo a esses, que a melhor ajuda é virem para Portugal ajudar nesta recuperação", afirmou à Lusa Emídio Sousa, durante uma visita a Londres.

Emídio Sousa salientou que o objetivo "não é para virem fazer gratuitamente esses trabalhos", pois "nós temos o dinheiro", numa referência aos 2,5 mil milhões de euros anunciados pelo Governo de apoio aos afetados, além dos pagamentos a cargo das seguradoras.

O secretário de Estado sublinhou a escassez de mão de obra nacional para reparar infraestruturas públicas, fábricas e habitações, e admitiu que esta até pode ser uma "oportunidade de negócio" a aproveitar por empresas em países europeus com menor volume de trabalho nos primeiros meses do ano, citando países como França, Suíça, Luxemburgo, Alemanha ou Inglaterra.

O governante vincou que os processos terão de ser transparentes e íntegros para as despesas serem reembolsadas pelo Estado, mas mostrou disponibilidade do Governo para "agilizar" alguma burocracia que surja de empresários que tenham atividade noutro país.

"Portugal neste momento tem fundos disponíveis para pagar estes trabalhos. Naturalmente que há um processo burocrático de faturação, de impostos. Nós teremos as estruturas de missão do Governo português que estão disponíveis para agilizar procedimentos e apoiar em alguma dificuldade que exista", vincou.

Emídio Sousa disse acreditar "muito na boa vontade dos portugueses", mas pediu "prudência" no apoio a ações de recolhas de fundos por financiamento coletivo [crowdfunding] na Internet.

Àqueles que queiram ajudar financeiramente, sugeriu que procurem instituições de âmbito social, como lares de idosos ou corporações de bombeiros que tenham sofrido estragos nas suas instalações, ou obtenham informação fiável junto de autarquias.

"Que o direcionem concretamente para uma atividade de uma entidade idónea, porque às vezes esse 'crowdfunding' nas redes sociais, numa conta algures, pode não chegar ao destinatário que eles pretendem", alertou.

Governo admite entrada de mais imigrantes

Mau tempo em Portugal
Depressões Kristin e Leonardo arrasam várias zonas do país Getty images

No dia anterior (4 de fevereiro de 2026), na Grande Entrevista da RTP, o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, adiantou que o Executivo admite a entrada de mais imigrantes para garantir mão de obra na reconstrução das zonas afetadas pelo mau tempo que se faz sentir no país, cujos prejuízos devem ultrapassar os quatro mil milhões de euros. 

Segundo o governante, as empresas de construção civil e obras públicas “estão disponíveis e interessadas em fazer o recrutamento de mão de obra do exterior”.

Declarações que, recorde-se, surgem depois do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter defendido a abertura de um “canal de entrada” de imigrantes, precisamente para reconstruir as zonas afetadas pela tempestade Kristin.

Entretanto, e segundo escreve do Diário de Notícias, o Ministério da Presidência esclareceu que não serão abertos novos canais de imigração para a contratação de trabalhadores após a depressão Kristin. 

De acordo com o ministério, o Governo “tem a informação” de que “a maioria dos setores não tem carência de mão de obra”. Acrescenta ainda que, caso faltem trabalhadores e exista necessidade de recrutamento, a prioridade será “contratar cá dentro”.

Citado pelo publicação, o secretário de Estado das Migrações, Rui Armindo Freitas, explicou que o protocolo em vigor já prevê canais expeditos para projetos especiais. “A reforma que o Governo levou a cabo há um ano e meio já previa canais expeditos, desde que exista contrato de trabalho e condições de vida”, afirma.

O governante adiantou, de resto, que as grandes empresas do setor da construção civil já estão abrangidas por este acordo de imigração laboral. “As contratações vão depender da necessidade”, destaca.

*Com Lusa

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