A criação de empresas em Portugal caiu 4,6% nos primeiros quatro meses do ano, mas a construção destacou-se como um dos poucos setores em contraciclo e a sustentar o dinamismo da atividade empresarial. Segundo o Barómetro da Informa D&B, entre janeiro e abril foram constituídas 19.503 novas empresas, menos 944 do que no mesmo período do ano passado.
A construção foi um dos poucos setores em contraciclo, com um aumento de 7,7% nas constituições (mais 203 empresas), impulsionada pela forte procura de habitação, reabilitação urbana e novas oportunidades de negócio no mercado imobiliário. No sentido contrário, as atividades imobiliárias desceram cerca de 2,9%.
“Os setores da Construção e das Tecnologias da Informação e Comunicação são os únicos onde os valores acumulados da criação de empresas cresceu nos primeiros 4 meses do ano”, refere em comunicado a Informa D&B.
Este desempenho na construção “consolida a tendência de crescimento que se verifica desde 2020 neste setor, refletindo a forte procura por habitação e reabilitação urbana e a existência de oportunidades de negócio neste mercado”, lê-se na nota divulgada pela empresa.
No lado oposto, vários setores registaram quebras significativas na criação de empresas, nomeadamente a Agricultura e outros recursos naturais (menos 283 constituições), o Retalho ( menos 226) e os Transportes (menos 217).
Ainda assim, o número de encerramentos de empresas diminuiu. Entre janeiro e abril fecharam 3.736 sociedades, menos 24% do que no período homólogo. No acumulado dos últimos 12 meses, o total de encerramentos (14.298) representa uma descida de 8,7%, tendência que se verifica em praticamente todos os setores e regiões, acrescenta a Informa D&B.
Já no plano da insolvência, os sinais são mais preocupantes para a construção. Entre janeiro e abril foram registadas 701 novas insolvências, uma subida de 7,8% face ao ano anterior, o que “contraria a tendência de descida que se verificou no ano passado”.
O aumento abrange mais de metade dos setores, mas destaca-se a construção, com um acréscimo de 28% (mais 20 insolvências), e as indústrias, com mais 14% (mais 20 insolvências), sobretudo na indústria têxtil e da moda – um quadro que revela um setor da construção simultaneamente dinâmico na criação de empresas, mas exposto a maiores riscos financeiros.
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