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Vistos gold são “um profundo embaraço” para Passos Coelho, segundo a The Economist

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Autor: Redação

A Operação Labirinto, uma investigação relacionada com a atribuição de vistos gold e que já levou à detenção de 11 pessoas (cinco ficaram em prisão preventiva), também não está a passar despercebida fora de Portugal. Segundo a revista britânica The Economist, o caso representa “um profundo embaraço para o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, cujo Governo alardeou o programa como um sucesso retumbante”.

A publicação deixa no ar a possibilidade deste caso, de alegada corrupção na concessão de vistos gold – também chamados de vistos dourados ou golden visa –, poder ter ramificações por toda a Europa e constituir uma violação grave à segurança.

Segundo o Expresso, que cita a conceituada revista britânica, Portugal foi o país com mais êxito neste tipo de programas de oferta de vistos de residência a cidadãos não-europeus que invistam no país, mas o “sucesso transformou-se num escândalo”. Pelo meio, e além de já terem sido detidas 11 pessoas, Miguel Macedo apresentou a demissão do cargo de ministro da Administração Interna.

A The Economist considera que este caso pode ter ramificações na Europa, onde vários governos têm programas semelhantes, e lança a suspeição de que pode ter sido aberta por esta via uma “grave violação” em termos de segurança, já que Portugal é um dos 26 Estados que integram o espaço Shengen.

A revista britânica explica que a polícia portuguesa acredita que algumas das casas registadas como tendo sido compradas por pelo menos 500.000 euros – condição necessária para a obtenção do visto gold – foram, na realidade, compradas por valores inferiores e que a diferença foi usada em pagamentos ilegais.

Atribuídos 1.775 vistos até outubro

Desde que o programa entrou em vigor e até outubro foram atribuídos 1.775 vistos gold, totalizando 1.076 milhões de euros. Segundo dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), 95% dos vistos foram adquiridos através da aquisição de bens imóveis (1.681), representando 972 milhões de euros de investimento (90% do total). As restantes autorizações foram dadas por transferência de capital (91 vistos) e por criação de, pelo menos, 10 postos de trabalho (três vistos).

China (81%), Rússia, Brasil, África do Sul e Líbano são as principais nacionalidades dos investidores a quem foram concedidos vistos gold.