Secretário de Estado do Ambiente afinal vai abdicar do subsídio de alojamento

Carlos Martins, secretário de Estado do Ambiente.
autorizado

Carlos Martins, secretário de Estado do Ambiente, decidiu prescindir do subsídio de alojamento que estava a receber – no valor de 360 euros líquidos – desde que tomou posse por ter indicado como residência permanente a sua casa de Tavira. O governante, que reconheceu entretanto viver em Cascais, mantém, no entanto, “a absoluta consciência da legalidade da atribuição do subsídio de alojamento”.

A decisão do governante foi comunicada numa nota oficial do ministério do Ambiente, depois do caso ter sido denunciado pelo Expresso e do secretário de Estado ter revelado, em declarações ao Diário de Notícias, que não pretendia prescindir do subsídio, porque o valor líquido do mesmo “corresponde ao valor aproximado” dos encargos que tem com o apartamento no Algarve.

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Carlos Martins explica agora que abdica do montante em causa não por este ser ilegal, na sua perspetiva, mas pelo facto das consequências da polémica para a sua imagem e para a do Governo, escreve o Observador.

“Com a absoluta consciência da legalidade da atribuição do subsídio de alojamento, porque este injusto caso se alastra e com o objetivo de preservar a minha imagem, o bem-estar dos meus, e a normalidade do funcionamento do Ministério do Ambiente, irei, a partir de hoje prescindir do subsídio de alojamento”, lê-se no comunicado.

O caso à lupa

O documento refere que estão a circular informações “que não correspondem à verdade” e, no sentido de as esclarecer, faz uma cronologia dos acontecimentos.

Na versão avançada esta terça-feira (dia 28) pelo Governo, Carlos Martins tornou-se presidente executivo das Águas do Algarve em julho de 2015, passando a morar então na região do sul de Portugal. Em setembro do ano passado terá entrado em negociações para comprar uma casa própria no Algarve, algo que veio a acontecer em novembro de 2015. A nove desse mês, a morada fiscal e a residência permanente de Carlos Martins passou a ser em Santa Luzia (Tavira). Ainda em novembro, as moradas oficiais do cartão de cidadão e da carta de condução do governante também passam a ser as da casa no Algarve, escreve o Observador, com base no documento.

Segundo o ministério do Ambiente, só no dia 24 de novembro de 2015, quando toda a mudança de residência já tinha ocorrido, é que Carlos Martins foi convidado a exercer o cargo de Secretário de Estado. Assumiria o cargo dois dias mais tarde, altura em que passou então “a utilizar a casa em Murches” (Cascais) e a receber o subsídio de alojamento.

De referir que o subsídio de alojamento, no valor de 360 euros líquidos extra-ordenado, é pago aos governantes que têm residência permanente a mais de 150 quilómetros de Lisboa, o que se aplicava à casa de Carlos Martins de Tavira.

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