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Casa, o investimento da vida e a “boia de salvação” para a reforma

Como se está a preparar a geração 'baby boom' para a reforma? Maioria admite que não consegue poupar e que utilizará a casa como fonte de rendimento se precisar.

Photo by Alex Blăjan on Unsplash
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Autor: Redação

A geração de 'baby boomers' portugueses é consciente da importância da poupança para a reforma, mas não significa que consiga fazê-lo e a habitação é vista como a “boia de salvação”. Somente um em cada dois portugueses desta geração acredita que poderá viver a sua velhice sem dificuldades, apenas com os seus rendimentos, e 48% teme enfrentar problemas financeiros durante esse período. Perto de 60% das pessoas que possuem uma habitação própria admite assim poder vir a utilizá-la como espécie de “boia de salvação” e fonte de rendimento, se for necessário.

Oito em cada dez pessoas entrevistadas na VII Sondagem do Instituto BBVA de Pensões*, publicado esta semana, pensam que a poupança é importante para garantir uma velhice sem preocupações económicas. Ainda assim, a chamada geração 'baby boom' - que inclui pessoas nascidas entre 1957 e 1977, a base de inquiridos considerada para este estudo – aponta a insuficiência de rendimentos atuais e a confiança no regime público de pensões de reforma como os principais motivos que condicionam a poupança para a velhice. Há quem não o faça porque simplesmente não quer, e há quem não consiga mesmo.

Cerca de 71% das pessoas da geração nascida com entre 63 e 43 anos têm casa própria, um bem que acaba por funcionar para a maioria como uma espécie de fundo de emergência ou “balão de oxigénio”. Cerca de 60% dos proprietários de uma habitação estariam dispostos a utilizá-la durante a velhice, caso algum dia lhe fizesse falta mais dinheiro para viver. Que fórmulas utilizariam? 37% diz que preferia vender o imóvel e viver noutro local; 26% estaria disponível para arrendá-la e viver noutro sítio; 18% admite que venderia o imóvel a um preço mais baixo, desde que pudessem continuar a lá viver enquanto fossem vivos; e 17% preferia hipotecá-lo como garantia de uma renda vitalícia.

Baby boomers querem envelher na sua casa, mas não descartam cohousing

Duas em cada três pessoas entrevistadas indicam a sua preferência por permanecer no seu local de residência durante esta etapa da vida, e idealmente cuidadas por profissionais – sobretudo aquelas que não têm filhos.

Ainda assim, a alternativa da habitação colaborativa parece despertar mais entusiasmo do que as residências. 72% das pessoas entrevistadas afirma gostar do modelo de cohousing, e 88% destas veria com bons olhos viver numa comunidade deste tipo. Entre as pessoas que optariam por viver numa residência, 81% sentem-se atraídas pela modalidade de cohousing, e 96% destas gostariam de viver nestas comunidades.

18% dos inquiridos tem dificuldades para chegar ao fim do mês

De acordo com o BBVA, 41% dos agregados familiares dos 'baby boomers' conseguem poupar, face a 18% que acabam o mês com dívidas ou recorrendo às poupanças. “Evidentemente, o que determina a possibilidade de poupança é o rendimento mensal: quanto maior é o nível de rendimentos, maior é a percentagem de pessoas que conseguem poupar”, lê-se no estudo.

A poupança média mensal do total dos agregados familiares desta geração de entrevistados é de 105 euros, tendo em conta que 57% dos mesmos não têm capacidade de poupança. Quanto à percentagem de agregados familiares que conseguem poupar algo cada mês, a poupança média é de 266 euros. Os que trabalham (285 euros) e os pré-reformados e reformados (290 euros) são os que apresentam um nível de poupança maior.

Photo by Georg Arthur Pflueger on Unsplash
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Apenas 26% dos futuros reformados têm ideia de quanto vão receber

Entre os 'baby boomers' predomina a ideia de que “cada pessoa deveria poder escolher livremente até quando quer trabalhar, mesmo à custa de perder parte da sua pensão de reforma"- 52% das pessoas entrevistadas gostaria de se reformar aos 60 anos, ou mesmo antes; 13% gostaria de poder reformar-se aos 65 anos, e 10% optariam pela reforma depois dessa idade.

Apenas 26% dos futuros reformados têm uma ideia aproximada do que receberão de pensão de reforma, uma proporção que tende a aumentar com a idade - 58% das pessoas entrevistadas que sabem quanto irão receber informaram-se através da Segurança Social, e 34% fazendo os seus próprios cálculos.

Além disso, 63% pensam que o total da pensão que receberão ao longo da sua vida como reformado/a será inferior ao montante das suas contribuições para a Segurança Social pelo seu trabalho. O grupo etário dos 48 aos 55 anos é aquele que mais considera que o total da sua pensão será inferior ao valor total descontado.

Tendencialmente, mostram -se mais preocupadas com a sua reforma as pessoas que, pela sua idade, estão mais perto de alcançar esse momento: o grupo das pessoas entre os 56 e os 62 anos (75%), as pessoas em situação de desemprego (84%) e aquelas com um rendimento familiar inferior a 1000 euros por mês.

Saúde mental na velhice preocupa mais que a solidão

O medo da perda de mobilidade e da saúde mental, e a solidão que acompanha a velhice estão diretamente relacionados com a preocupação pela reforma. A grande maioria das pessoas entrevistadas mostra-se bastante ou muito preocupada com o risco de perda de mobilidade ou de saúde mental durante a velhice. A perceção do risco de solidão é menor, embora 61% das pessoas se mostrem bastante ou muito preocupadas com este aspeto. As mulheres revelam um maior grau de preocupação do que os homens.

Em torno de 40% dos 'baby boomers' pensa que a família ou os amigos deveriam responsabilizar-se pelas pessoas que, devido à sua idade, requerem algum tipo de ajuda, e 32% pensa que essa responsabilidade corresponde ao Estado. A exigência da responsabilização do Estado mostra-se mais presente entre os homens da franja de idade superior, nos setores com rendimentos superiores a 3.000 mensais, e dos que não têm filhos.