Quantos imóveis devolutos tem o Estado? Privados estão de olho

Ainda não se sabe quantos imóveis públicos existem. Mas os promotores privados já identificaram vários com potencial habitacional.
Imóveis devolutos do Estado
Hospital Miguel Bombarda, Lisboa Wikimedia commons

Uma das medidas inseridas no pacote “Mais Habitação” - que tem dado muito que falar - diz respeito ao arrendamento obrigatório de casas devolutas de privados pelo Estado. Várias vozes do setor e da sociedade civil têm criticado o facto de o Governo querer obrigar os proprietários privados a arrendar os imóveis, sem que o próprio Estado dê primeiro o exemplo.

A verdade é que ninguém sabe quantos imóveis públicos existem em Portugal, estando a contagem do imobiliário público a arrastar-se há mais de uma década. Entretanto, já vários investidores privados manifestaram interesse em imóveis públicos devolutos, como hospitais e quartéis, que têm potencial para construção de habitação em zonas centrais de Lisboa e do Porto.

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Na apresentação do pacote “Mais Habitação”- que está em consulta pública até dia 10 de março -, António Costa anunciou que pretende adotar o regime de "arrendamento compulsivo" das casas devolutas, complementando, assim, as medidas que já existem de agravamento fiscal destes imóveis.

A ideia é que o Estado ou um município arrende a casa aos privados para depois subarrendar às famílias, aumentando, desta forma, a oferta de casas no mercado de arrendamento. Aqui, o Executivo socialista propõe-se a cobrar às famílias a renda da casa e a pagar ao proprietário a renda devida (à qual será descontado o valor da reabilitação, caso exista).

Imóveis do Estado
Foto de MART PRODUCTION no Pexels

Inventário de imóveis públicos continua por fazer…

Foram muitos os especialistas de mercado e os partidos da oposição que se manifestaram contra esta medida, afirmando que esta é “um ataque à propriedade privada”. Outros apontaram ainda o dedo ao Governo dizendo que o Estado não tem dado o exemplo na reabilitação de imóveis públicos para disponibilizar mais habitação para arrendar. Nas redes sociais surgiu um movimento que procura identificar os imóveis públicos devolutos um pouco por todo o país.

Um exemplo são os dois prédios em Loures que estão devolutos há mais de 15 anos e que foram comprados pela autarquia desta cidade por mais de 2 milhões de euros em 2017, noticiou a SIC Notícias. Só agora é que a Câmara Municipal de Loures vai avançar com as obras de reabilitação dos imóveis, para colocar 45 fogos no mercado de arrendamento acessível, 5 habitações destinadas à inserção de pessoas com deficiência e ainda 15 camas integradas na bolsa de alojamento urgente temporário. A obra vai custar 15 milhões de euros (em parte financiada pelo PRR) e só estará concluída daqui a dois anos.

Mas, afinal, quantos imóveis tem o Estado? E quantos estão devolutos e podem ser reabilitados? Não se sabe. A contagem do imobiliário público arrasta-se há mais de uma década em Portugal, mesmo depois de o decreto-lei nº 280/2007 ter exigido a “inventariação completa dos bens imóveis dos domínios públicos do Estado”. O Ministério das Finanças, responsável por coordenar o inventário, não responde quanto será possível saber quantos imóveis tem o Estado, escreve o Expresso.

Ainda assim, o ministério da Habitação diz que estão integrados no património do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) mais de três mil fogos em projeto ou empreitada, aos quais se vai somar mais de mil imóveis devolutos ou disponíveis, que poderão dar origem a novas casas de renda acessível, lê-se no mesmo jornal.

Quantos imóveis devolutos tem o Estado?
Freepik

Investidores privados estão de olho no património do Estado

Apesar de não se saber ao certo quantos edifícios tem o Estado, a verdade é que vários imóveis já estão identificados por decretos-lei, como tendo potencial para construção de habitação e arrendamento acessível (muitos estão já a ser reconvertidos e reabilitados). E vários os promotores e investidores imobiliários estão mesmo de olho nos vários imóveis públicos devolutos com potencial para construção de habitação no centro de Lisboa e do Porto, adianta a publicação.

Entre os imóveis públicos devolutos mais apetecíveis para a promoção imobiliária em Lisboa estão, por exemplo:

  • o Hospital Miguel Bombarda;
  • o edifício do Ministério da Educação, na avenida 5 de Outubro;
  • o quartel da GNR no Cabeço de Bola.

Também no Porto os promotores já identificaram vários imóveis devolutos do Estado que têm potencial para servir a habitação, revela o mesmo meio:

  • o edifício do antigo Distrito de Recrutamento Militar (DRM) na Avenida de França;
  • a antiga sede do Banco Nacional Ultramarino, na Avenida dos Aliados;
  • o prédio da Manutenção Militar em Massarelos.

Importa recordar que a Iniciativa Liberal (IL) apresentou recentemente um projeto, que assenta na possibilidade de o Estado disponibilizar aos privados o património público que está devoluto. Este imóveis seriam depois reconvertidos para habitação e colocados no mercado de arrendamento acessível durante cinco anos, a não ser que se trate de habitação própria e permanente.

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