Os estrangeiros continuam a ser atraídos pelo clima, segurança e paisagens que Portugal oferece. E muitos estão mesmo a comprar casas cada vez mais caras no nosso país. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que os compradores residentes no estrangeiro compraram casas a preços 58% mais elevados do que os residentes em Portugal. E há regiões do país onde esta diferença é ainda maior, como nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto (na ordem dos 70%). No Alentejo Central, os estrangeiros chegam mesmo a gastar o dobro dos portugueses para adquirir habitação.
São os portugueses quem compra mais casas em Portugal, representando 92,8% das 34.493 habitações vendidas entre janeiro e março de 2023. Mas, com a queda da compra de casa devido ao baixo poder de compra e os altos juros no crédito habitação (-21,9% de vendas em termos homólogos), as famílias residentes em Portugal têm perdido quota de mercado para os estrangeiros.
Além disso, os os compradores estrangeiros continuam a adquirir casas mais caras em Portugal do que quem reside no país, embora os preços medianos tenham subido em ambos os casos entre o final de 2022 e o início de 2023, revelam os dados do INE publicados a 13 de julho:
- Compradores com domicílio fiscal no estrangeiro: preço mediano das casas vendidas foi de 2.411 euros/m2 no primeiro trimestre de 2023 (valor superior ao registado no trimestre anterior, de 2.239 euros/m2);
- Compradores com domicílio fiscal em território nacional: este valor foi de 1.524 euros/m2 no início de 2023 (no quarto trimestre de 2022 tinha sido 1.467 euros/m2).
Contas feitas, verifica-se que no início de 2023 os estrangeiros compraram casas 58,2% mais caras do que quem vive em Portugal.
Qual a diferença entre os preços das casas compradas pelos estrangeiros e residentes nas sub-regiões do país?
Na maioria das sub-regiões do país com dados disponíveis, verifica-se que os estrangeiros compraram casas bem mais caras do que os residentes em Portugal. A maior diferença foi registada no Alentejo Central, onde um português comprou casa, em termos medianos, por 935 euros/m2 no início de 2023, enquanto um estrangeiro na mesma região gastou mais do dobro (2.315 euros/m2):
“Nas áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa o preço mediano das transações efetuadas por compradores com domicílio fiscal no estrangeiro superou, respetivamente em +71,8% e +70,2%, o preço das transações por compradores com domicílio fiscal em território nacional. No caso da Área Metropolitana de Lisboa, este diferencial entre os preços de compradores estrangeiros e nacionais representa um valor superior ao valor registado no trimestre anterior (64,3%), ao contrário da Área Metropolitana do Porto (75,6%)”, explicam desde o INE.
Houve ainda outras regiões do país onde a diferença de preços das casas compradas por estrangeiros e portugueses supera os 20%: Região da Madeira (41%), Oeste (+39%), Viseu Dão Lafões (36%) e Algarve (+23%).
O que os dados do INE também mostram é que na Região de Leiria, nas Beiras e Serra da Estrela, na Região de Coimbra e no Alto Minho são as famílias residentes em Portugal que compram casas a preços mais elevados do que os estrangeiros (mas a diferença não supera os 15%).
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