Alteração do Plano de Urbanização do Vale de S. António aprovada

Câmara de Lisboa aprova versão final da proposta de alteração do Plano de Urbanização. Serão construídos “cerca de 2.400 fogos”.
Vale de Santo António em Lisboa
Câmara Municipal de Lisboa
Lusa
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A Câmara de Lisboa aprovou esta quarta-feira (30 de outubro de 2024) a versão final da proposta de alteração do Plano de Urbanização do Vale de Santo António, onde se prevê a construção de “cerca de 2.400 fogos” para disponibilizar em programas de arrendamento acessível.

“Vamos ter aqui uma oferta de 2.400 fogos e um grande parque verde”, afirmou a vereadora do Urbanismo, Joana Almeida (independente eleita pela coligação “Novos Tempos” PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança), indicando que, no âmbito do processo de consulta pública, foi introduzida uma alteração ao plano para manutenção das hortas urbanas.

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Em reunião pública da câmara, a proposta foi aprovada com os votos contra do BE e a abstenção dos Cidadãos Por Lisboa (eleitos pela coligação PS/Livre), tendo agora de ser discutida e votada pela assembleia municipal.

O Vale de Santo António, nas freguesias de Penha de França, Beato e São Vicente, tem uma área total de aproximadamente 50 hectares, em que 94% do terreno é propriedade municipal. O plano de urbanização está em vigor desde 2012, mas o terreno mantém-se ao abandono.

Vale de Santo António em Lisboa
Câmara Municipal de Lisboa

Investimento estimado de 672 milhões de euros

A alteração do Plano de Urbanização do Vale de Santo António prevê um investimento estimado de 672 milhões de euros e um prazo de execução de 12 anos, estando prevista a construção de 2.400 fogos, espaços verdes e equipamentos de ensino, apoio social e desporto.

Votando contra a proposta, a vereador do BE, Beatriz Gomes Dias, defendeu que o Vale de Santo António deve servir para reforçar a política de habitação, com “um programa de renda acessível exclusivamente público”.

Rui Franco, dos Cidadãos Por Lisboa, referiu que o Vale de Santo António é “o maior solo com capacidade habitacional propriedade do município”, registando “melhorias de desenho urbano” no plano, mas lamentando que o município tenha prescindido do volume da habitação prevista.

Do PS, Inês Drummond realçou a “mudança de paradigma” neste plano, inclusive com a “coragem” do anterior presidente da câmara Fernando Medina (PS), destacando a que se trata de “48 hectares com habitação acessível, com equipamentos, com a restruturação das vias e também um parque verde”.

Registando a retirada da proposta de PSD/CDS-PP de alienação de terrenos para financiar a execução deste plano, a socialista reforçou que é importante que o projeto avance “rapidamente”, considerando que “só peca por se estender muito no tempo”.

Patrícia Gonçalves, do Livre, alertou para a resposta na área da mobilidade, com priorização da mobilidade ativa em articulação com o transporte público, assim como a redução da velocidade máxima para 30 quilómetros por hora em toda a área do plano. Também a vereadora do PCP Ana Jara disse que o plano “peca na resposta da mobilidade”, assim como na disponibilização de equipamentos de desporto e cultura neste território.

Proposta de alteração do Plano de Pormenor do Parque Mayer aprovada

Nesta reunião, a câmara aprovou também a proposta de alteração do Plano de Pormenor do Parque Mayer, para submeter à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT) e, posteriormente, submeter a consulta pública. A proposta foi aprovada com os votos contra de Cidadãos Por Lisboa, Livre e BE, a abstenção do PCP e os votos a favor de PSD/CDS-PP e do PS.

De acordo com a vereadora do Urbanismo, a proposta pretende tornar o Plano de Pormenor do Parque Mayer “operacional”, prevendo o aumento da área do polo cultural, coberturas verdes, consolidação de medidas de proteção ao Jardim Botânico e maior flexibilidade de usos, “abrindo ao uso habitacional e também com a extensão do equipamento turístico que resulta de uma escritura do passado”.

A oposição, nomeadamente o Livre e o BE, levantou questões sobre a flexibilização dos usos, se poderá ceder à enorme pressão do uso turístico ou abrir a porta à especulação imobiliária para habitação.

Em resposta, Joana Almeida assegurou que “não é proposto nenhum uso turístico, apenas existe turismo naquilo que diz respeito a um compromisso assumido do passado de uma permuta”, reforçando que “não há abertura para mais hotéis” e explicando que a flexibilidade é para comércio, serviços e habitação.

Por unanimidade, a câmara aprovou uma outra proposta da liderança PSD/CDS-PP para construção de um centro de alojamento de emergência social para pessoas vítimas de violência doméstica, com a empreitada orçada em 1,08 milhões de euros até 2026.

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