Reconversão de solos nas mãos dos autarcas? “Não é justo”

Filipa Roseta, vereadora da Habitação da Câmara Municipal de Lisboa, fala em pressão excessiva do lado das câmaras municipais.
Filipa Roseta
Filipa Roseta, vereadora da Habitação da Câmara Municipal de Lisboa Frederico Weinholtz para o idealista/news

A lei dos solos tem gerado muita polémica. O diploma que altera o Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial (RJIGT), permitindo a reclassificação de solos rústicos em urbanos, para habitação – estará em discussão no Parlamento esta sexta-feira (24 de janeiro de 2025) –, não deve deixar em exclusivo às autarquias a decisão de fazer alterações em solos das reservas ecológica (REN) e agrícola nacionais (RAN). Quem o diz é Filipa Roseta, vereadora da Habitação da Câmara Municipal de Lisboa, duvidando da possibilidade da lei permitir, de facto, uma redução dos preços das casas.

Segundo o ECO, Filipa Roseta, que falou no Parlamento esta quarta-feira (22 de janeiro de 2025), os autarcas devem “justificar” e “fundamentar” a reversão, sendo algo “que não pode ser tirado da lei”. 

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A arquiteta e vereadora referiu que os executivos camarários e as assembleias municipais ficarão com pressão excessiva, ao serem responsáveis únicos na reconversão de solos rústicos para urbanos. “Não é justo. Não ganham para isso. Tem de haver os quatro níveis de escrutínio”, afirmou, salientando tratar-se de algo que “desapareceu do Mais Habitação”, programa habitacional do anterior Governo.

“[O parecer destas entidades] tem de ser vinculativo para RAN e REN. Há uma entidade nacional que tutela essas áreas, as regras são reguladas por entidades nacionais. Não tem sentido serem os municípios a fazê-lo. Não têm instrumentos para verem o todo do território. A conferência procedimental pode convidar entidades que têm tutela sobre o território. São apenas 20 dias. Dá uma segurança aos serviços e aos autarcas, que ficam responsáveis. É uma rede que estamos a dar aos autarcas de todo o país. Arrisca-se a fazer um erro e dois ou três anos depois terem um processo e nem percebem porquê. Estamos a tirar a rede de segurança aos autarcas”, defendeu, citada pela publicação. 

A potencial descida dos preços das casas também não convence Filipa Roseta. Relativamente ao teto previsto na nova lei dos solos, do preço moderado ser de 125% sobre a mediana nacional, vincou que “o país é demasiado assimétrico” para definir balizas de valores. “A minha visão é que nada devia ser definido por mediana nacional. Façam mediana do concelho. Não se pode fazer medianas nacionais. Lisboa não tem nada a ver com Vimioso”. 

Isaltino Morais culpa ex-Governo do PSD por aumento brutal do preço das casas 

Também o Parlamento, Isaltino Morais, presidente da Câmara Municipal de Oeiras, abordou os constantes aumentos dos preços da habitação no país, considerando que tal não se deve aos vistos gold, ao Alojamento Local e à burocracia, mas sim a uma medida tomada por um Governo do PSD em 2014.

"A partir da lei 31 de 2014 - fez as delícias da extrema-esquerda em Portugal – quem era detentor de solo urbano, por uma simples penada dessa lei, ficou rico. Os terrenos urbanos até quadriplicaram. Esgotou-se o parque habitacional que havia e, no espaço de três anos, as casas triplicaram de preço. É possível reverter isso através da lei dos solos, porque na realidade resolver o problema da habitação para a classe média baixa e baixa tem de ser por habitação pública”, sustentou o autarca na audição parlamentar. 

Citado pelo Notícias ao Minuto, Isaltino Morais referiu-se a um caso concreto da autarquia de Oeiras, em que em 2012 pagava-se 400 euros por metro quadrado e hoje… 1.600 euros. “Ao acabar com os solos urbanizáveis e ficar com o solo urbano, a especulação aumentou e o maior especulador é o Estado, não os privados. Criou todas as condições para que os donos de terrenos sejam altamente valorizados", defendeu.

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