CML pede ao Governo mobilização do património desativado do Estado

Na lista está o imóvel da Presidência do Conselho de Ministros. Imóveis serão convertidos em casas ou residências universitárias, por exemplo.
Imóveis do Estado
Imóvel da Presidência do Conselho de Ministros, na Rua Professor Gomes Teixeira Google Maps
Lusa
Lusa

A Câmara Municipal de Lisboa (CML) decidiu, esta quarta-feira (21 de maio de 2025), pedir ao Governo a mobilização do património desativado do Estado, inclusive o da Presidência do Conselho de Ministros localizado na Rua Professor Gomes Teixeira, para fins habitacionais, residências universitárias e entidades associativas.

Sob proposta do PCP, em reunião privada do executivo municipal, a moção para a mobilização do património desativado do Estado foi aprovada por maioria, com os votos contra da liderança PSD/CDS-PP, que governa Lisboa sem maioria absoluta, e com os votos a favor de todos os vereadores da oposição, nomeadamente os proponentes, PS, Livre, Cidadãos Por Lisboa (eleitos pela coligação PS/Livre) e BE.

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Na moção, o PCP refere que o Governo concentrou, em julho de 2024, os ministérios no edifício denominado Campus XXI, na Avenida João XXI, tendo o imóvel da Presidência do Conselho de Ministros, localizado na Rua Professor Gomes Teixeira, sido entregue à gestão patrimonial da Estamo, empresa pública responsável pela gestão e valorização de imóveis públicos.

Segundo os vereadores comunistas, João Ferreira e Ana Jara, da listagem dos imóveis identificados como património desativado do Estado, constata-se que “na sua maioria”, pela sua tipologia, localização e contexto urbano, incluindo o da Presidência do Conselho de Ministros, na Rua Professor Gomes Teixeira, “têm condições de reabilitação para fins habitacionais, podendo ser mobilizados para responder à reconhecida crise de acesso ao direito constitucional à habitação”.

“Outros, como os imóveis das instalações do Ministério da Educação localizadas na Avenida 24 de Julho, pela sua tipologia e proximidade a meios de transporte coletivo, teriam condições de ser reabilitados para responder à reconhecida carência de residências universitárias, aliás, no âmbito das atribuições da tutela do setor governamental transferido”, indica o PCP.

Os comunistas apontam também para a existência de outros edifícios do património desativado do Estado que, pela sua tipologia e expressão arquitetónica particular, poderiam albergar entidades associativas relevantes nos setores social, cultural e desportivo, dando resposta a associações “em risco”, devido à “precariedade do arrendamento e especulação crescente dos valores de renda”.

Por defender que o património construído desativado “não pode ser considerado um mero ativo a capitalizar”, mas deve servir para assegurar o direito à habitação, a igualdade de oportunidades no acesso ao ensino superior e o direito à fruição e criação cultural, a moção do PCP reclama ao Governo que faça “um criterioso processo de avaliação do potencial uso funcional dos edifícios” para responder às necessidades identificadas, desencadeando o resgate do património do Estado transferido para a Estamo.

“Proceder à transferência do património imobiliário com capacidade de reabilitação para habitação para o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), e o restante, às tutelas governamentais adequadas, para a sua mobilização da forma mais adequada”, sugere a moção, defendendo ainda a necessária reabilitação dos edifícios.

Mais tempo para executar o PRR

Nesta reunião, também por proposta do PCP, a câmara decidiu, por unanimidade, requerer ao Governo que desencadeie, no seio do Conselho Europeu, uma iniciativa para o alargamento do prazo de execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), por forma a garantir melhores condições para um aproveitamento eficaz dos recursos financeiros disponíveis.

A moção pela extensão do prazo de execução das operações financiadas pelo PRR surge na sequência dos relatos de “substanciais atrasos na execução financeira de projetos PRR, a nível nacional, designadamente, na componente habitação”, explica o PCP.

Com financiamento europeu, o PRR tem um período de execução até 2026 e pretende implementar um conjunto de reformas e investimentos para a recuperação económica e social do país.

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