
As famílias estão a viver em casas com melhores condições em 2024 face ao ano anterior. Há menos pessoas a viver em casas sobrelotadas ou com privação severa de condições de habitação, isto é, com humidade, sem duche ou baixa luz natural. Mas os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados esta quinta-feira (dia 10 de julho), não trazem só boas notícias. Isto porque também se registou um “agravamento nas condições financeiras associadas à habitação”.
Estas são as principais conclusões que o INE retira dos resultados ao Inquérito às Condições de Vida e Rendimento realizado em 2024, onde analisa quer as condições físicas das casas onde vivem as famílias no país, quer as condições financeiras associadas à habitação.
No que diz respeito às casas onde moram os agregados familiares, os resultados sugerem “uma melhoria das condições físicas de habitação” em 2024, segundo se lê no boletim. E há vários aspetos que ajudam a chegar a esta conclusão:
- Menos famílias a viver em casas sobrelotadas (ou seja, onde o número de divisões habitáveis era insuficiente para o agregado): a taxa de sobrelotação da habitação diminuiu de 12,9% em 2023 para 11,2% em 2024 no país;
- Menos agregados a morar com privação severa das condições de habitação (com humidade, sem casas de banho ou luz natural insuficiente): “Em 2024, 4,9% dos residentes viviam em privação habitacional severa, o que corresponde a uma redução em relação a 2023 (6,0%)”;
- Mais famílias a residir em casas com conforto térmico: também se observou uma redução, em 2024, da população que vivia em agregados sem capacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida (passou a ser de 15,7% enquanto no ano anterior foi de 20,8%). Ainda assim, a incapacidade financeira de manter a habitação aquecida continuou a ser mais frequente em Portugal do que no conjunto dos países da União Europeia (9,2%). Esta situação afetou 30,9% da população em risco de pobreza e mais de um quinto dos idosos.
Quanto à taxa de sobrelotação e privação severa de condições, a maior carência habitacional afetou principalmente as famílias com crianças dependentes (menores de 18 anos), as famílias em risco de pobreza e ainda os residentes em áreas predominantemente urbanas (onde há maior pressão da procura sobre a oferta de casas). Em ambos os indicadores, “as Regiões Autónomas [dos Açores e da Madeira] apresentavam condições habitacionais físicas mais desfavoráveis enquanto as regiões do Centro e do Oeste e Vale do Tejo eram as regiões com melhor desempenho”, conclui o INE.
Os mesmos dados confirmam que as condições habitacionais, sobretudo físicas, mas também financeiras, das famílias com crianças dependentes são mais desfavoráveis. Aliás, “as taxas de sobrelotação e de privação severa nas famílias com crianças eram mais de quatro vezes superiores às dos agregados sem crianças”.
Relativamente ao conforto térmico, “em todas as regiões do país, a incapacidade de manter o alojamento adequadamente aquecido era mais frequente do que a incapacidade de manter o alojamento confortavelmente frio durante o verão”, indica o INE. Foi nos Açores e no Norte onde mais famílias disseram ter problemas em manter a casa quente no inverno e fria no verão.
Despesas com a casa pensam mais nos bolsos das famílias: quem tem maior esforço?
Por outro lado, também se registou durante o ano passado “um agravamento nas condições financeiras associadas à habitação em relação a 2023”, conclui o gabinete de estatística português. Isto considerando o rendimento disponível dos agregados familiares e as despesas associadas à casa, como rendas, juros no crédito habitação, e gastos com água, luz, seguros, condomínios ou pequenas reparações.
“Em 2024, a carga mediana das despesas em habitação foi 12,0%, traduzindo um acréscimo em relação ao ano anterior (9,7%)”, revela o INE. Estes custos com a casa pesaram 22,5% na população em risco de pobreza, o que corresponde a mais do dobro do valor registado no ano anterior (10,4%).
Ao nível do grau de urbanização da área de residência dos indivíduos não foram registadas “diferenças expressivas” nas despesas com a casa. Mas sentiu-se que esta carga financeira com a habitação foi superior na população mais jovem.
A Grande Lisboa e o Algarve foram as únicas regiões com uma carga mediana das despesas com habitação superior ao valor nacional: 13,4% e 12,8%, respetivamente. Já nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira e na região Centro, observavam-se os valores mais reduzidos neste indicador.
Também a taxa de sobrecarga das despesas em habitação subiu de 4,9% em 2023 para 6,9% em 2024. Este indicador corresponde à proporção de pessoas que vivem em agregados em que o rácio entre as despesas anuais com a habitação e o rendimento disponível (deduzidas as transferências sociais relativas à habitação) é superior a 40%.
Uma em cada quatro pessoas em risco de pobreza encontrava-se em sobrecarga das despesas da casa em 2024. Quase um décimo dos jovens até aos 17 anos inseria-se num contexto familiar de sobrecarga financeira. E este indicador é mais elevado para quem vive em áreas sobretudo urbanas, onde os preços das casas tendem a ser mais elevados, como Grande Lisboa, Algarve e Península de Setúbal.
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