A construção nova continua a dinamizar a oferta de casas em Portugal, numa altura em que o país enfrenta uma grave crise de acesso à habitação. O ano de 2025 registou mesmo um novo máximo no número de casas novas concluídas na última década e meia, superando a fasquia dos 26 mil fogos, mais 5% face ao ano anterior. E os promotores e construtores continuam a avançar com os seus empreendimentos residenciais, tendo sido licenciados mais de 41 mil fogos para habitação em 2025, tratando-se de um aumento anual de 21%.
Os dados anuais divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) não deixam margem para dúvidas: 2025 foi ano em que a conclusão de casas novas superou o patamar dos 26 mil fogos, algo que não acontecia desde 2011. Isto quer dizer que os 26.714 fogos para habitação familiar finalizados no ano passado constituem um novo máximo da última década e meia.
Olhando para o mapa de Portugal, salta à vista que foi na região Norte onde mais casas novas foram concluídas no ano passado (45,3% do total). “Em conjunto, o Norte e o Centro, representaram 60,2% dos fogos concluídos em construções novas para habitação familiar”, destaca o instituto, revelando ainda que 12,4% nasceram na Grande Lisboa.
Estes resultados preliminares de 2025 refletem a dinâmica da construção nova habitacional registada ao longo do ano, sendo bem visível que o número de fogos concluídos superou os 6.500 em todos os trimestres. No final de 2025, foram finalizadas 6,6 mil casas novas, traduzindo um acréscimo de 3,6% face ao período homólogo (e uma desaceleração face à subida de 8,7% no verão).
Este aumento anual de casas novas concluídas no final de 2025 revela, no entanto, “dinâmicas regionais distintas, com apenas quatro regiões a registarem aumentos: Alentejo (+46,7%), Norte (+23,4%), Grande Lisboa (+12,2%) e Península de Setúbal (+0,3%)”, lê-se no boletim divulgado esta sexta-feira, dia 13 de março. Já nas restantes regiões observaram-se diminuições: Algarve (-39,2%), Região Autónoma da Madeira (-36,3%), Oeste e Vale do Tejo (-20,8%), na Região Autónoma dos Açores (-4,1%) e no Centro (-3,2%).
Também nos últimos três meses de 2025 foram as regiões do Norte e do Centro que concentraram mais de metade dos fogos concluídos em construções novas para habitação familiar (58,3%) – desagregando, o Norte manteve a liderança com 44,9% dos fogos concluídos, seguido pelo Centro 13,5%. A Grande Lisboa ocupou a terceira posição no número de fogos concluídos em construções novas para habitação familiar (12,3%).
O crescimento das casas novas finalizadas em Portugal está em contraciclo com os edifícios residenciais concluídos, uma vez que apresentaram reduções. No fim de 2025, foram concluídos 2.638 edifícios de construção nova para habitação familiar, menos 5% face ao mesmo período do ano anterior. Os prédios residenciais pesaram 78% no total de 3.374 edifícios concluídos em construções novas.
As construções novas (para habitação e outros fins), por seu turno, continuaram a representar a maioria dos edifícios concluídos (que incluem também ampliações, alterações e reconstruções, por exemplo), os quais registaram uma redução homóloga de 4,2% no final do ano passado. “Nas obras de reabilitação, verificou-se igualmente uma diminuição homóloga de 4,2%”, lê-se no boletim. Os dados anuais provisórios do INE indicam que houve uma diminuição de 8,8% na conclusão de edifícios face ao ano anterior para 15,9 mil edifícios em 2025.
Casas novas com licença crescem 20% num ano
Os construtores e promotores imobiliários continuam a aguardar a legislação que vai regulamentar a aplicação prática das medidas incluídas no pacote fiscal na habitação e nos licenciamentos urbanísticos. Mas continuam a avançar com os seus projetos habitacionais.
Tudo indica que em 2025 terão sido licenciados mais de 41,5 mil fogos para habitação familiar em Portugal, tratando-se de um aumento anual de cerca de 21% face ao ano anterior, quando se licenciaram menos de 35 mil fogos, revela o INE.
“Em 2025, o Norte concentrou 45,3% dos fogos licenciados em construções novas para habitação familiar. Em conjunto com o Centro, estas duas regiões representaram 61,6% dos fogos licenciados em construções novas para habitação familiar. A região da Grande Lisboa representou 15,3% dos fogos licenciados”, detalha no documento.
Uma vez mais, os resultados anuais refletem a dinâmica trimestral que houve ao nível do licenciamento de casas novas no país. No quarto trimestre de 2025, foram licenciadas 10,9 mil casas novas, mais 16,0% do que no trimestre homólogo, tendo mesmo acelerado a subida anual face ao verão (+8,9%).
A nível geográfico, foi a Grande Lisboa que registou o maior aumento (+89,0%), seguida pelo Norte (+19,0%), Oeste e Vale do Tejo (+16,8%), Centro (+5,4%) e Algarve (+5,2%). “O aumento expressivo do número de fogos licenciados em construções novas para habitação familiar na Grande Lisboa deveu-se, sobretudo, aos municípios de Lisboa, Sintra e Oeiras”, revela ainda.
Por outro lado, nas outras regiões registaram-se diminuições ao nível dos fogos novos licenciados : Península de Setúbal (-37,6%), Região Autónoma da Madeira (-31,3%), Alentejo (-23,8%) e Região Autónoma dos Açores (-6,8%).
Considerando construções novas e obras de reabilitação, o INE destaca que “a análise ao nível municipal revelou diferenças significativas na variação do número de fogos licenciados em obras de edificação.” Os cinco municípios com maior aumento absoluto (Leiria, Braga, Vila Nova de Gaia, Sintra e Loures) concentraram 17,9% do total nacional e registaram um acréscimo de 954 fogos licenciados (+79,2%). Em sentido contrário, os cinco municípios com maior redução absoluta (Porto, Loulé, Seixal, Santa Cruz e Oliveira de Azeméis) registaram menos 563 fogos licenciados face ao mesmo trimestre do ano anterior (-41,7%).
Também ao nível dos licenciamentos, as casas parecem estar em contraciclo com os edifícios. “No quarto trimestre de 2025, foram licenciados 5,8 mil edifícios em Portugal, representando uma diminuição homóloga de 14,2% (…) . Do total de edifícios licenciados, 77,0% destinaram-se a construções novas, dos quais 82,5% tinham como finalidade a habitação familiar. Foram ainda licenciados 273 edifícios para demolição, correspondendo a 4,7% do total”, revela.
Os dados preliminares de 2025 indicam que foram licenciados 26,1 mil edifícios, correspondendo um aumento de 2,3% no licenciamento face ao ano anterior, enquanto em 2024 esta variação tinha sido bem superior (+7,2%). Também foi o Norte que concentrou maior número de edifícios licenciados (37,8%), sendo que em conjunto com o Centro, estas duas regiões representaram 58,0% do total. E a região da Grande Lisboa representou 10,9% dos edifícios licenciados.
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