Em pleno centro de Madrid, em Espanha, na zona de Cuzco‑Castillejos, ergue‑se um dos edifícios mais seguros da capital espanhola. Chama‑se Centro de Valores e é, basicamente, uma câmara de máxima segurança pensada para guardar obras de arte, vinhos, joias e qualquer documento ou objeto de elevado valor, seja ele económico ou puramente sentimental. E o idealista/news foi conhecer.
O edifício soma mais de 1.400 metros quadrados (m2), dispõe de mais de 10.000 caixas de segurança e tem capacidade para albergar 1.200 obras de arte e 110.000 garrafas de vinho – números que ainda deverão crescer no futuro.
Tudo isto protegido por níveis de segurança altíssimos e pelos sistemas tecnológicos mais avançados, transformando o espaço num verdadeiro “bunker” impenetrável bem no coração da cidade.
O presidente da empresa, Brian Lavio, abriu as portas deste centro, que esconde um autêntico labirinto de segurança atrás de uma fachada discreta, onde se guardam alguns dos objetos mais caros e exclusivos de Madrid.
Durante a visita, Lavio fez questão de sublinhar que perceberam que, em Espanha, não existia nenhum centro de alta segurança como este. Garantiu ainda que detetaram uma “falha” na oferta dos bancos, já que não é possível aceder às caixas de segurança das entidades bancárias à tarde nem aos fins de semana:
“O nosso serviço está disponível 24/7 e temos um parque de estacionamento privado ao qual os clientes podem aceder diretamente de carro, sem terem de andar na rua com bens de valor. Temos também uma parceria para oferecer serviços de táxi privados e seguros.”
Para conseguir um edifício com estas características, foi necessária uma “obra cara, complexa e totalmente integral”, já que tiveram de instalar 18 blocos de betão para a sua câmara‑forte, com 1.000 quilos cada um, formando assim um núcleo praticamente impenetrável.
Entre os detalhes mais curiosos contam‑se acessos por impressão digital, controlos biométricos, duplas combinações numéricas e chaves únicas que só podem estar na posse do proprietário, ficando fora do alcance até do próprio pessoal de segurança.
Um dos grandes objetivos dos clientes deste centro é a valorização dos seus bens, explica o presidente: “Há quem confie em nós para guardar relógios, malas ou até escrituras de casas. Mas também há quem compre vinhos ou obras de arte como investimento. Nós guardamo‑los durante todo esse tempo para que, quando o proprietário precisar, estejam em perfeito estado, já que tanto a câmara de vinho como a de arte têm a temperatura ideal para a sua conservação ao longo dos anos”.
A empresa sublinha que a segurança assenta em três “pilares‑chave”: físico, tecnológico e humano. Por isso, estes três eixos estão divididos por três empresas diferentes. “Cada uma trata de um desses aspetos de forma totalmente independente, ou seja, nenhuma pode aceder aos serviços da outra, e vice‑versa, pelo que a segurança está mais do que garantida”, assegura Brian Lavio.
A tudo isto junta‑se o contacto direto com as forças de segurança, um sistema de fumo que impede qualquer visibilidade sem danificar os objetos, e ainda salas blindadas para realizar transações e compras e vendas de peças de valor, já que a própria empresa dispõe de uma rede de contactos para colocar e adquirir ativos únicos.
Além disso, os clientes podem enviar um amigo, um familiar ou até o próprio advogado para levantar algum bem guardado no Centro de Valores, caso não possam deslocar‑se pessoalmente, desde que avisem a empresa com 48 horas de antecedência.
Numa cidade que nunca dorme, este bunker também não descansa. Aqui não há horários, nem improvisos, nem margem para erro: só protocolos, tecnologia e vigilância permanente. Porque, quando o valor é incalculável – seja ele económico ou emocional – a segurança não se pode dar ao luxo de fazer uma pausa, nem por um segundo.
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