Souto de Moura trocava todos os prémios por bons projetos de habitação

Arquiteto defendeu que tem de se fazer habitação social e que o Estado tem de assumir a missão de construir casas.
Eduardo Souto de Moura
Eduardo Souto de Moura
Lusa
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O arquiteto português Eduardo Souto de Moura disse que trocava todos os prémios que já recebeu por "bons projetos de habitação" para responder "a uma realidade em que é preciso trabalhar".

"O mais importante de tudo é a realidade. E só a realidade nos leva ao trabalho e às soluções e ao que interessa. Nada de utopias", disse Eduardo Souto de Moura aos jornalistas em Barcelona, antes de entrar para a cerimónia na basílica da Sagrada Família, onde esta noite vai receber a máxima distinção da União Internacional de Arquitetos (UIA).

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Souto de Moura acrescentou que "é preciso trabalhar nesta realidade que é emergente" e que, no caso dos arquitetos, "a coisa mais importante de todas é trabalhar na habitação, que é o que é preciso" atualmente.

"Portanto, eu fico muito contente com os prémios, mas eu trocava os prémios por saber de bons projetos de habitação que pudesse fazer e em que pudesse ajudar", acrescentou, depois de afirmar e sublinhar que a Medalha de Ouro da União Internacional de Arquitetos que vai receber hoje, numa cerimónia em que está também o Presidente da República, António José Seguro, é "um enorme reconhecimento".

Estado tem de assumir a missão de construir casas

O arquiteto português defendeu que tem de se fazer habitação social e que o Estado tem de assumir a missão de construir casas, para responder aos problemas de falta de habitação e de acesso à habitação.

Souto de Moura revelou que teve um encontro com os secretários de Estado da Habitação de Portugal e de Espanha a quem propôs uma reunião com pessoas de várias áreas para debater esta questão e analisar soluções.

Segundo o arquiteto, essa proposta já teve resposta positiva e haverá um encontro no Porto em breve.

"Existem todas as condições para se fazer casas. Há terreno, temos terreno. Há dinheiro. Há bons arquitetos. Se há coisa que Portugal tem, é futebolistas e arquitetos. E as casas não aparecem. O problema de organização, de logística, não se percebe. Portanto, é preciso quebrar este enguiço de fazer casas", afirmou.

Eduardo Souto de Moura, Prémio Pritzker (o "Nobel da arquitetura"), em 2011, é o segundo português a receber a Medalha de Ouro da UIA, depois de Álvaro Siza Vieira, também ele agraciado com o Pritzker, em 1992.

Criada em 1984 pela UIA, de caráter trienal, a medalha é classificada pela própria organização como "a mais prestigiante distinção atribuída a um arquiteto por arquitetos, escolhida a partir de nomeações submetidas por instituições profissionais de todo o mundo".

Além desta cerimónia na Sagrada Família, o arquiteto português será homenageado também em Barcelona e à margem do Congresso Mundial de Arquitetura, que está a decorrer na capital da Catalunha, com um programa conjunto da Ordem dos Arquitetos (OA) e da Casa da Arquitetura (CA), a que se juntou a Embaixada de Portugal em Espanha.

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