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Qualidade de vida baixa com a pandemia nas cidades do mundo - e em Lisboa também

Das 10 cidades classificadas com melhores condições de vida, 6 situam-se na Nova Zelândia e na Austrália, onde já é possível ter uma vida 'normal'.

Vida feliz
Imagem de Meine Reise geht hier leider zu Ende. Märchen beginnen mit por Pixabay
Autor: Redação

A qualidade de vida nas diferentes cidades do mundo não é mais a mesma. A pandemia da Covid-19 veio mudar o dia-a-dia de todos, mas nem todos os países souberam lidar da melhor forma com esta crise de saúde pública mundial. Os confinamentos severos, a capacidade de gerir a crise e o ritmo de vacinação influenciaram e muito a qualidade de vida nas cidades e países. E este panorama fez com que várias cidades de todo o mundo apresentassem piores condições de vida do que tinham antes da pandemia. Mas também há casos de sucesso.

Esta é uma das conclusões do mais recente relatório “The Global Liveability Index 2021” elaborada pelo ‘The Economist’, que mostra como a pandemia afetou a qualidade de vida pelo mundo. Os dados recolhidos entre 22 de fevereiro e 21 de março de 2021 revelam que a “pontuação média global da qualidade de vida caiu sete pontos comparando com a média registada antes da pandemia”, lê-se no documento.

O que também ficou evidente é que a situação pandémica causou uma “enorme volatilidade" no índice bianual que avalia a qualidade de vida de 140 cidades em cinco áreas distintas: estabilidade, cuidados de saúde, educação, cultura e ambiente e infraestruturas.

Neste cenário, Lisboa foi uma das cidades que viu cair a sua pontuação (-14 pontos) e a sua posição no ranking (-5 lugares) face ao publicado no outono de 2019. A justificar esta queda estão as restrições à circulação que "tiveram um grande impacto nas pontuações da categoria cultura e ambiente”, segundo referiu a Intelligence Unit do The Economist ao ECO. Em 2021, a capital portuguesa ficou no 58º lugar.

Mas Lisboa não foi a única. Em 2021, várias cidades europeias caíram a pique neste ranking. E, por outro lado, houve também várias cidades norte-americanas que deram o salto. No lado do velho continente, um exemplo é Viena, a capital da Áustria, que caiu para o 12º lugar depois de ter ocupado o primeiro durante 2018-20. Na Alemanha, Frankfurt, Hamburgo e Dusseldorf sofreram as maiores quedas no ranking das 140 cidades. Do outro lado do oceano, há várias cidades dos EUA - como Honolulu e Houston ou Miami  - que subiram na classificação à medida que as restrições sociais foram levantadas. E também há casos semelhantes na Europa. Em Espanha, por exemplo, Barcelona (16ª) e Madrid (19ª) "lidaram melhor com o stress nos seus sistemas de saúde em comparação com a anterior vaga de Covid-19", diz o estudo. 

Estas são as cidades classificadas com as melhores e piores condições de vida durante este período, segundo o estudo.

As melhores cidades para viver

Auckland

A cidade de Auckland, na Nova Zelândia, arrecadou o primeiro lugar da lista com uma média de 96 pontos. A sua capacidade para conter a pandemia da Covid-19 foi valorizada. Devido ao encerramento das fronteiras e à consequente baixa contagem de casos Covid-19, a Nova Zelândia conseguiu manter abertos os teatros, restaurantes e outras atrações culturais. Os estudantes puderam continuar a frequentar a escola, dando a Auckland uma classificação de 100% na área da educação.

Isto permitiu que a cidade subisse do sexto lugar do ranking realizado no outono de 2020 para a primeira posição no nosso ranking de março de 2021, tirando o lugar a Viena, que liderou a lista entre 2018 e 2020.

Osaka A cidade de Osaka situa-se no Japão e recebeu a classificação média de 94.2 pontos, o que lhe valeu o segundo lugar nesta lista. Em destaque está a estabilidade da cidade e as condições no setor de saúde que apresenta, já que obteve 100% nos dois setores.

Adelaide, Austrália Esta cidade localizada na Austrália, recebeu a pontuação máxima ao nível dos cuidados de saúde. A sua boa gestão da pandemia da Covid-19, que permitiu o alivio rápido das restrições, também ajudou à obtenção da classificação média de 94 pontos numa escala de 0 a 100 neste índice.

Wellington, Nova Zelândia

Esta é a capital da Nova Zelândia e também beneficiou com as retrições impostas no país no âmbito da pandemia, obtendo uma média de 93.7 pontos. Esta classificação permitiu-lhe subir no ranking, passando do 15º lugar no outono passado para o 4º lugar atual.

Tóquio

A capital do Japão conseguiu um empate neste ranking com Wellington, obtendo também 93.7 pontos. Tal como Osaka, o relatório destaca a sua elevada pontuação ao nível da estabilidade e da saúde, setores onde obteve 100%.

Note-se que para o completar o top 10 das cidades com melhor qualidade de vida está:

  • Perth, Austrália
  • Zurique, Suíça
  • Genebra, Suíça
  • Melbourne, Austrália
  • Brisbane, Austrália (empatada com Melbourne)

O relatório dá conta que seis das dez cidades classificadas com melhores condições de vida neste inquérito encontram-se na Nova Zelândia e na Austrália, onde os controlos fronteiriços são apertados, o que permitiu o rápido alivio das restrições. Hoje, a população consegue viver de forma relativamente normal.

As piores cidades para viver

Damasco Damasco, a capital da Síria, ficou na 140º posição neste ranking arracadando apenas uma média de 26.5 pontos em 100. Todos os setores avaliados têm classificações inferiores a 40% e o pior de todos é mesmo o da saúde onde só obteve 16,7 pontos. 

Lagos, Nigéria

A cidade de Lagos, na Nigéria, ocupa a penúltima posição com uma média de 31.2 pontos. Estabilidade e saúde são os seus pontos fracos.

Port Moresby

Port Moresby é a capital e a maior cidade da Papua-Nova Guiné, onde as condições de saúde tiveram uma classificação de apenas 16.7. A média dos cinco setores situa-se nos 32.5 pontos.

Dhaka A cidade de Dhaka é a capital do Bangladesh e obteve apenas 33.5 pontos. O fator estabilidade é melhor do que nas cidades anteriores, atingindo os 55 pontos. Mas as condições de saúde são igualmente más. 

Alger

 A capital da Algéria também está entre as piores cidades para se viver, apurando uma média de 34.1 pontos no índice. A saúde é também o seu ponto fraco obtendo apenas 29.2 pontos neste domínio.

A completar o top 10 das cidades com menos qualidade de vida estão:

  • Tripoli, Líbia
  • Carachi, Paquistão
  •  Harare, Zimbabwe
  •  Daca, Camarões
  • Caracas, Venezuela

O relatório aponta que houve menos alterações nas cidades já consideradas menos habitáveis. Mas os cuidados de saúde parecem ter piorado ainda mais, sendo este o setor avaliado que apresenta pior classificação dos cinco.

A queda da pontuação no setor da saúde foi registada na maioria “das cidades em todo o mundo depois do início da pandemia da Covid-19”, sublinha o relatório, mas teve um impacto mais negativo nas cidades situadas na Europa Ocidental e na região da Ásia-Pacífico.