Pedro Sánchez obtém o pior resultado da história nas eleições andaluzas

PSOE caiu para 28 deputados num parlamento de 109 lugares, o pior resultado de sempre na região que foi durante décadas o seu bastião.
Pedro Sánchez
Pedro Sánchez, primeiro-ministro de Espanha Getty images

Pedro Sánchez sofreu a pior derrota de sempre do PSOE na Andaluzia, abalando as expectativas do primeiro‑ministro espanhol de conseguir uma recuperação eleitoral nas legislativas do próximo ano. Nas regionais deste domingo, dia 17 de maio de 2026, os socialistas ficaram reduzidos a 28 deputados num parlamento de 109 lugares, o pior resultado de sempre naquele que foi, durante décadas, um dos seus bastiões eleitorais.

Segundo a Bloomberg, a maior comunidade autónoma de Espanha tem sido tradicionalmente peça-chave em qualquer maioria governativa dos socialistas, mas o apoio na região tem vindo a enfraquecer desde que Sánchez chegou ao poder em 2018, através de um acordo com os independentistas catalães que irritou eleitores em grande parte do país. Mesmo após quedas recentes, a Andaluzia continuava a ser a região que mais deputados eleitos dava ao PSOE: nas legislativas de 2023, cerca de um em cada seis assentos socialistas no Congresso foi conquistado ali.

Publicidade

“Os resultados não podem ser simplesmente extrapolados para as próximas legislativas, mas são um sinal claro de erosão para os socialistas”, afirmou Cristina Monge, politóloga da Universidade Complutense de Madrid, acrescentando que as ligações de Sánchez aos catalães e uma sucessão de escândalos de corrupção têm penalizado o partido, cita o mesmo meio.

O candidato do PP na Andaluzia obteve 53 lugares, ficando a um mandato da maioria absoluta, mas o partido deverá manter o governo regional com o apoio do Vox (de extrema-direita), com quem já governa em várias outras regiões, nota a agência. Este reforço do centro‑direita numa região onde governa desde o ano em que Sánchez tomou posse em Madrid acentua a pressão sobre o líder socialista, que já enfrenta uma batalha difícil para se manter no poder: o parceiro de coligação de esquerda, o Sumar, está em perda acentuada, e as sondagens apontam para uma maioria da direita caso o apoio ao PP se some ao do Vox.

Eleições andaluzia
Bloomberg

A derrota na Andaluzia é particularmente sensível para o círculo próximo de Sánchez, sublinha a Bloomberg. A cabeça‑de‑lista socialista, María Jesús Montero, não era apenas uma candidata regional: desempenhava funções de ministra das Finanças e era a número dois tanto no Governo como no partido. “Estes não são bons resultados”, admitiu Montero perante militantes em Sevilha, num ambiente carregado. 

Este é já o quarto revés regional para o PSOE em menos de seis meses e o último grande teste eleitoral antes de 2027, num quadro em que a direita controla a maioria das comunidades autónomas e lidera as sondagens a nível nacional. Apesar da sucessão de derrotas, Sánchez mantém um controlo firme sobre o partido, depois de ter recuperado a liderança em 2017 e enfraquecido os contrapesos internos; e já anunciou que voltará a ser o candidato socialista nas legislativas de 2027.

Para poder comentar deves entrar na tua conta

Acompanha toda a informação imobiliária e os relatórios de dados mais atuais nas nossas newsletters diária e semanal. Também podes acompanhar o mercado imobiliário de luxo com a nossa newsletter mensal de luxo.