Desde que a tecnologia permite, os arranha-céus têm surgindo nas cidades como símbolos urbanos de modernidade, com os quais uma metrópole acaba por se identificar e promover através do seu skyline.
Mas em cidades com um forte património histórico, como Istambul, o desafio é mais exigente: qualquer nova construção tem de dialogar com séculos de tradição sem perder o seu carácter contemporâneo. Foi precisamente esse o desafio enfrentado pelas torres (quase) gémeas da nova sede do Ziraat Bank.
Um novo skyline para Istambul
Projetadas pelo atelier internacional Kohn Pedersen Fox (KPF), em colaboração com o turco Tasarim Mimarlik, as torres são o coração do novo Centro Financeiro Internacional de Istambul, um distrito que ambiciona posicionar a cidade como nó fundamental do sistema financeiro global.
O complexo é composto por dois arranha-céus, de 40 e 46 pisos, que se erguem a partir de uma base comum. Ao contrário do que acontece em muitas torres convencionais, a sua geometria não é estritamente vertical: os volumes vão-se alargando progressivamente em direção ao topo, desenhando uma silhueta dinâmica que reforça a ideia de crescimento.
“A geometria do edifício expande-se de forma fluída e gradual em altura, dando origem a uma forma escultural que celebra o crescimento e o desenvolvimento do Ziraat Bank”, explica o atelier.
As fachadas das torres são dominadas pelo vidro, pontuadas por faixas horizontais que marcam cada piso de escritórios. Esse ritmo regular traz clareza visual e enfatiza a escala do edifício, refletindo ao mesmo tempo o ambiente urbano envolvente.
Em contraste com este exterior contemporâneo, a base introduz um elemento mais profundamente ligado à tradição local. As suas fachadas são envolvidas por elaboradas telas inspiradas na arquitetura islâmica, reinterpretadas através de sistemas de sombreamento por camadas.
“A nossa ideia era que a base incorporasse referências interpretativas ao estilo intrincado da rica arquitetura histórica da região, com uma abordagem de sombreamento por camadas, quase como um ecrã, enquanto as torres apresentam faixas horizontais”, acrescenta o atelier.
Espaços abertos em ambiente urbano
O complexo, com uma área total de 450.000 m², não se limita aos escritórios. Inclui também um auditório, espaços comerciais e um parque de estacionamento subterrâneo, criando um ambiente multifuncional.
A base é pensada como uma extensão do espaço público. As lojas do piso térreo organizam-se em torno de um pátio acessível por várias entradas, criando uma transição fluida entre a cidade e o edifício.
No interior, a arquitetura aposta na amplitude e na transparência. Um vasto átrio de oito pisos funciona como eixo central, atravessado por pontes que ligam as diferentes zonas do complexo. Este espaço aberto favorece a interação entre utilizadores e reforça a sensação de continuidade.
Os materiais usados nos interiores reforçam a ligação ao contexto local. Pedra e madeira da região combinam-se para trazer textura e calor. No auditório, painéis curvos em pedra calcária esculpidos com tecnologia CNC dialogam com superfícies em madeira, que melhoram a acústica e criam uma atmosfera mais intimista.
Para além das áreas de trabalho, o edifício integra espaços comuns como salas de oração e zonas de descanso, que refletem a dimensão cultural e social do território envolvente. Na cobertura, amplos terraços ajardinados oferecem espaços exteriores partilhados com vistas sobre o distrito financeiro.
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