Hong Kong detém 125 suspeitos em megaoperação ligada à construção civil

Polícia desmantelou rede associada às tríades que controlava, com ameaças e coação, o fornecimento diário de refeições em estaleiros de obras.
Hong Kong
Getty images
Lusa
Lusa

A polícia de Hong Kong deteve 125 pessoas por alegada ligação a uma rede associada às tríades, que controlava, através de ameaças e coação, o fornecimento de refeições em obras de construção.

As forças de segurança do território informaram que esta estrutura criminosa tinha consolidado um monopólio lucrativo sobre a distribuição diária de almoços em vários estaleiros de obras em Kowloon, bairro central da região administrativa especial vizinha de Macau.

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Para garantir o domínio territorial, a rede expulsava sistematicamente qualquer concorrente ou vendedor independente através de uma escalada de violência, que incluía ameaças verbais, intimidação física, danos graves em maquinaria e propriedades e, inclusive, incêndios provocados.

Segundo o jornal local South China Morning Post, a operação policial, que exigiu meses de trabalho de investigação, levou à captura do alegado cabecilha da fação mafiosa, três dos principais lugar‑tenentes e dezenas de membros que operavam no terreno.

Os investigadores imputam à liderança e aos subalternos desta organização um vasto leque de crimes, incluindo pertença a organização criminosa, extorsão continuada, intimidação, branqueamento de capitais provenientes de atividades ilícitas, exploração de restaurantes sem licença sanitária e gestão de estabelecimentos de jogo clandestino.

As autoridades estimam que a organização impunha e distribuía diariamente cerca de 800 refeições aos trabalhadores por um preço de 50 dólares de Hong Kong (5,8 euros) cada.

Este mercado cativo e coagido gerava uma faturação anual próxima de 12 milhões de dólares de Hong Kong (1,38 milhões de euros), garantindo aos fornecedores uma fonte estável de liquidez e diversificando as vias de financiamento, para além dos mercados ilícitos tradicionais.

A nova operação policial insere‑se num padrão criminoso já documentado por unidades anti‑extorsão em zonas de expansão urbana da metrópole, onde o uso da força é um recurso para monopolizar serviços diários.

A intervenção reforça a preocupação manifestada em março pelas autoridades de Hong Kong, quando uma operação conjunta da polícia e da Comissão Independente contra a Corrupção revelou uma sofisticada rede de subornos destinada a corromper e monopolizar contratos de manutenção em edifícios residenciais, operando em conluio com casas de jogo.

As investigações demonstraram como uma consultora obtinha adjudicações oferecendo honorários baixos de entrada e, posteriormente, subcontratava intermediários ligados às máfias, encarregados de manipular pela força as licitações públicas.

A dimensão do esquema ficou patente ao verificar‑se que um dos projetos manipulados ultrapassava 160 milhões de dólares de Hong Kong (18,8 milhões de euros), enquanto outra adjudicação foi atribuída por 20 milhões de dólares de Hong Kong (2,3 milhões de euros).

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