Estudo da Savills Portugal revela preferências dos trabalhadores, informação relevante para quem contrata, mas também para quem faz negócios imobiliários.
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Espaços de trabalho a mudar: flexibilidade e localização são “reis” e retêm talento (mas há mais)
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Ouvir quem trabalha é meio caminho andado para o sucesso empresarial. E cada vez mais companhias investem em avaliar os comportamentos, motivações, ansiedades e necessidades ao nível do bem-estar dos seus colaboradores. Por quê? Porque isso se reflete na produtividade e nos custos... mas é muito mais que isso. A forma como as novas gerações concebem o trabalho está a provocar alterações nas rotinas e espaços e esta mudança interessa a quem contrata, mas também quem faz negócios imobiliários – prova disso é a explosão do coworking, um novo fenómeno do setor.

Hoje em dia, a flexibilidade e a localização são dois fatores fundamentais, mas o estudo “What Workers Want”, da Savills Portugal, esta terça-feira (22 de outubro) no hub Criativo do Beato, em Lisboa, identificou outros. Uma secretária de trabalho já não chega, sendo aliás o que atualmente parece menos importar.

“Os espaços dos escritórios estão a transformar-se ao mesmo tempo que as novas motivações geracionais também se encontram em processo de mudança. Passou a existir uma necessidade de se estimular a criatividade e de se incentivar o trabalho em grupo”, comenta Alexandra Gomes, da área de research da consultora imobiliária, sobre uma das maiores tendências nesta área.

Segundo o estudo, 55% dos colaboradores trabalham em regime de 'open space' e 40% em salas e/ou escritórios fechados. Apurou-se ainda que o ruído é um fator que não tem um impacto negativo, sendo que algumas empresas já implementaram espaços de trabalho comuns para alguns setores de atividade. Porém, devido à natureza do seu trabalho, existem outras que optam ainda por trabalhar num ambiente de escritório individual.

Localização está no top das “exigências”

Mas, afinal, quais são as preferências dos trabalhadores? A localização é um dos fatores mais importantes no momento da candidatura a uma oferta de emprego: 50% dos colaboradores inquiridos refere que a localização está no topo da lista, quando questionados sobre o que consideram mais importante para a aceitação de um emprego. “O salário deixou de estar em primeiro plano. Apenas temos a verdadeira perceção destes dados quando se realizam este tipo de inquéritos”, acrescenta Alexandra Portugal Gomes.

O estudo mostra ainda que 43% dos colaboradores gostariam de trabalhar no centro da cidade e 22% nos arredores da cidade. Estes resultados “suportam a necessidade de se desenvolverem projetos no centro da cidade, onde a maior percentagem de mão-de-obra qualificada se encontra concentrada, facilitando o recrutamento”, refere a consultora no relatório.

“As percentagens mostram que não há muito espaço de manobra em relação ao fator localização. O mercado de escritórios em Lisboa tem, atualmente, taxas de disponibilidade quase nulas no centro da cidade, o que reduz significativamente a escolha das empresas. No entanto, o mercado ganhou alguns movimentos de migração de negócios para outras áreas de mercado, o que acontece pelo facto de Lisboa ser uma cidade com uma rede de transportes completa, fator que facilita a mobilidade”, refere Alexandra Portugal Gomes.

Flexibilidade, a (eterna) cobiçada

Uma das grandes tendências apuradas no estudo é a preferência por trabalhar a partir de casa: 23,9% dos colaboradores questionados gostariam de poder trabalhar desta forma. Ainda assim, apenas 14% têm a oportunidade de o fazer (55% são mulheres).

Trabalhar a partir de casa em Portugal ainda não é uma realidade para a maioria dos colaboradores. De acordo com dados do Eurofund (2017), citados pela Savills, apenas 2% da população nacional encontrava-se neste regime de forma regular. Trata-se de um método que pode ser considerado pouco atraente, “sobretudo em setores onde é necessária uma gestão mais tradicional e um controle mais direto”, lê-se no documento.

Apesar de tudo, e quando questionados sobre se a cultura da sua empresa incentiva a produtividade e se o acesso à tecnologia facilita a flexibilidade no trabalho, 48% dos colaboradores respondeu “sim”, que a sua empresa os incentiva, no dia-a-dia, à flexibilidade no trabalho.

“Um ambiente de trabalho mais flexível tem, obrigatoriamente, um impacto no setor imobiliário, influenciando o tradicional relacionamento entre proprietários e ocupantes. Os espaços de trabalho coletivo forneceram às empresas uma opção mais flexível e acessível”, refere a Savills.

Mas as empresas ainda têm um longo trabalho a fazer no que diz respeito ao planeamento adequado do espaço do escritório. Em resposta ao estudo, 28,7% dos colaboradores afirma não ter qualquer controle sobre o layout da sua área de trabalho e 33,9% têm uma postura neutra sobre esse assunto. Os dados revelaram que 53,5% dos inquiridos gostaria de ter controlo sobre seu espaço de trabalho e 50,2% afirma que o seu empregador atual nunca lhe pediu uma opinião sobre isso.

Entre outros fatores apontados pelos colaboradores das empresas como os mais importantes destacam-se ainda a manutenção da limpeza, o conforto na área de trabalho, a qualidade da temperatura e a iluminação. Para Alexandra Portugal Gomes “estes dados são surpreendentes, visto que garantir que os colaboradores tenham os níveis básicos de conforto deveria ser uma obrigação não questionável, dando lugar agora a outros fatores”.

Este estudo foi desenvolvido com base num questionário realizado a 1.005 colaboradores de escritórios localizados de norte a sul de Portugal, em diversos setores de atividades (63% da amostra pertence ao grupo de idades entre os 25 e 44 anos).

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