Criptoativos: setor tem dúvidas sobre novo regime de tributação

Governo quer avançar com novo regime de tributação de criptoativos em 2023. Mas setor diz que "carece de desenvolvimentos".
Taxar criptoativos
Pexels

Portugal é conhecido no mundo como um dos melhores países para investir em criptoativos. E para regular esta atividade e estimular ainda mais criptoeconomia, o Governo propôs no Orçamento de Estado para 2023 (OE2023) a criação de um novo quadro fiscal aplicado aos criptoativos, que irá abranger o IRS, o IRC e o Imposto sobre Património. A Federação das Associações de Criptoeconomia (FACE) elogia a iniciativa do Governo em fomentar os negócios em criptoativos, mas sublinha que há dúvidas quanto à aplicação do novo regime fiscal.

Afinal o que vai mudar em 2023 no mundo dos criptoativos? Se o OE2023 obtiver luz verde, o Executivo liderado por António Costa vai avançar com um novo regime de tributação de criptoativos que vai taxar tanto os rendimentos como o património, refere a proposta do OE2023 analisada pelo idealista/news.

Publicidade

Em concreto, este novo quadro fiscal para os criptoativos vai abranger o:

  • IRS: aqui o Governo propõe a tributação dos rendimentos provenientes de operações com criptoativos como rendimentos empresariais e profissionais ou como incremento patrimonial (mais-valias taxadas a 28% no caso de ativos detidos há menos de um ano);
  • IRC: prevê-se a inclusão dos rendimentos relativos a criptoativos na determinação da matéria coletável do regime simplificado do IRC com a aplicação de um coeficiente de 0,15, analisa a PwC;
  • Imposto sobre Património: está em cima da mesa tributação das transmissões gratuitas de criptoativos, bem como a incidência de Imposto do Selo sobre as comissões cobradas na intermediação de operações relativas a criptoativos, sujeitando estas a uma taxa de 4%;
  • Imposto de Selo: à taxa de 10% no caso de transmissões gratuitas de criptoativos.

Com este novo regime de tributação de criptoativos, o Governo pretende “fomentar a criptoeconomia”, projetar a “transição digital e exponenciar a economia 4.0”. Mas como é que o setor vê estas mudanças?

Investir em criptomoedas
Pexels

Setor dos criptoativos vê medida com bons olhos – mas há dúvidas

A proposta do Governo para o novo regime de tributação de criptoativos tem “aspetos positivos e negativos”, tal como diz Hugo Volz Oliveira, porta-voz da Federação das Associações de Criptoeconomia (FACE), citado pelo Dinheiro Vivo.

No lado negativo, Hugo Oliveira destaca que a proposta “carece de desenvolvimentos substanciais”. Para o especialista da FACE é importante aprofundar a proposta para consolidar "estatuto de Portugal como um dos hubs globais da criptoeconomia", disse ao mesmo meio.

Mas este novo quadro fiscal para os criptoativos também tem aspetos positivos, destaca o porta-voz da FACE:

  • Fomentar uma criptoeconomia: “Mostra que os responsáveis políticos estão atentos às temáticas da inovação e interessados em perceber as suas nuances - algo essencial para o desenho de boas políticas públicas", refere Hugo Oliveira.
  • Criação de um regime de tributação de criptoativos em linha com os regulamentos europeus.
Tributação de criptoativos
Pexels

Para poder comentar deves entrar na tua conta