Com a descida das taxas de juro nos créditos habitação, o Banco de Portugal (BdP) admite revisitar a fórmula da taxa de esforço e aumentar o teste de stress, para proteger as famílias de eventuais choques nos juros no futuro. “É um assunto que está sempre na mira da estabilidade financeira”, sublinha Francisca Guedes de Oliveira, administradora do BdP.
Há cerca de um ano, o BdP resolveu rever a fórmula das taxas de esforço aplicada no processo de concessão de créditos habitação a taxa variável e mista (em período variável), reduzindo o teste de stress de 3% para 1,5%. Este foi um ajuste feito para adequar as regras macroprudenciais ao contexto de altos juros, facilitando assim o acesso ao financiamento bancário para comprar casa, tal como noticiou o idealista/news.
Mas agora as taxas de juro estão a descer a olhos vistos, por via da Euribor que acaba por pressionar em baixa as ofertas de crédito habitação a taxa mista (e até a taxa fixa). Neste contexto, Francisca Guedes de Oliveira, responsável pelo Departamento de Supervisão Comportamental do BdP, admite que poderá voltar a haver uma revisão do teste de stress: “Monitorizamos permanentemente a evolução do mercado e dos créditos habitação e, com a descida das taxas de juro, vai ser inevitável voltar a olhar para isso e que essa taxa de stress venha a subir”, disse em entrevista ao Público.
Este é “um assunto que está sempre na mira da estabilidade financeira. Obviamente que já foi conversado que, se as taxas de juro continuarem a descer, e tudo indica que sim, vai ter de se voltar a olhar para isto, com tempo e com pré-aviso”, adianta ainda Francisca Guedes de Oliveira na mesma entrevista.
Recorde-se que o teste de stress é realizado para avaliar a capacidade de as famílias pagarem um crédito habitação num cenário de juros mais elevados. Este teste de stress, atualmente de 1,5%, é somando à taxa de juro dos novos créditos da casa, valor a partir do qual se simula a prestação da casa que uma família poderá pagar num cenário de subida dos juros na mesma dimensão. Aqui, a taxa de esforço da família a pagar a prestação não deve ser superior a 50%, segundo recomenda o BdP.
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