"Segmento residencial de luxo continua muito sólido”, diz ao idealista/news Marlos Gonçalves, CEO da Piquet Realty Portugal.
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Mediação imobiliária de luxo
Marlos Gonçalves, CEO da Piquet Realty Portugal | Empreendimento Light Houses, no Algarve Créditos: Piquet Realty Portugal

Marlos Gonçalves nasceu no Brasil e mudou-se para Portugal em 2017 “em busca de melhor qualidade de vida”. E dois anos depois nascia a mediadora imobiliária Piquet Realty Portugal, que representa a Piquet Realty – foi fundada há 20 anos pelo empresário brasileiro radicado nos EUA Cristiano Piquet – e opera no segmento residencial de luxo. No ano passado, foi escrito um novo capítulo da empresa, que passou a integrar o Grupo Porta da Frente. Em entrevista ao idealista/news, Marlos Gonçalves revela, por exemplo, que o segmento premium “está de boa saúde” e partilha da visão de que há no país uma espécie de casas de ultraluxo, sendo um segmento que “está a atravessar uma fase de crescimento, embora se veja limitado por uma escassez de imóveis com estas características”.

“Falamos de propriedades com localizações absolutamente premium, áreas muito generosas, acabamentos de excelência, múltiplas comodidades, domótica avançada e garagens de grande dimensão”, explica o CEO da Piquet Realty Portugal, salientando que este segmento está concentrado, sobretudo, em Lisboa e Cascais. “No Algarve, também encontramos imóveis com estas características, nomeadamente em zonas como a Quinta do Lago, Vale do Lobo e áreas envolventes”.

Para Marlos Gonçalves não restam dúvidas de que “o segmento residencial de luxo continua muito sólido”, mantendo-se o país como “um mercado estratégico, não apenas para quem procura uma segunda habitação ou casas de férias, mas também para quem quer investir em ativos seguros e rentáveis”. Sobre o papel do consultor imobiliário neste nicho de mercado, coloca o foco na exigência: “Os profissionais do setor atuam cada vez mais como gestores de experiência e parceiros estratégicos do cliente, oferecendo um serviço altamente personalizado. Não basta conhecer o imóvel: é essencial ter um conhecimento profundo do mercado, das tendências, do contexto económico e das particularidades de cada região em que se opera”.

Casas de luxo no Algarve
Projeto One Green Way, no Algarve Créditos: Piquet Realty Portugal

Conte-nos um pouco sobre si. Quem é o Marlos Gonçalves e desde quando está ligado ao setor imobiliário?

Sou brasileiro, formado em gestão, com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro, tendo exercido funções de administração bancária no Brasil. Em 2017, mudei-me para Portugal em busca de melhor qualidade de vida. Durante cerca de dois anos, estive ligado ao segmento de Wealth Management, onde tive o primeiro contacto com o mercado imobiliário português. Em 2019, com os meus sócios, decidi trazer a Piquet Realty para Portugal e, desde então, tenho-me dedicado exclusivamente ao setor imobiliário.

A Piquet Realty Portugal está presente no país desde 2019 e no primeiro semestre de 2025 passou a integrar o Grupo Porta da Frente Christie’s. Que balanço de atividade é possível fazer desde o início da atividade?

O balanço é muito positivo. Desde o início da operação em Portugal temos registado crescimento de forma consistente, acompanhando a evolução do mercado e a mudança nos perfis de clientes, muito influenciada por fatores geopolíticos. Nos últimos dois anos, destacaria em particular o aumento significativo da procura por parte de clientes norte-americanos, que passaram a ter um peso relevante na nossa atividade.

No que toca à integração no Grupo Porta da Frente Christie’s, desde o primeiro momento sabíamos que existiam fortes sinergias entre ambas as partes e que esta união nos tornaria mais robustos. Ainda assim, os resultados superaram as expetativas. Apesar de um período inicial natural de integração de culturas e de alinhamento de processos, rapidamente se tornaram evidentes os ganhos em eficiência operacional e a capacidade de concretizar negócios de maior dimensão e complexidade.

"O segmento de luxo continua muito sólido, com uma procura que permanece superior à oferta disponível. As dificuldades ao nível do licenciamento e alguns entraves burocráticos têm limitado o lançamento de novos projetos, o que contribui para manter o mercado aquecido"

2025 foi um bom ano para a Piquet Realty Portugal? Porquê? 

Foi um ano particularmente exigente, muito em função do processo de integração no Grupo Porta da Frente, que implicou esforços de ambas as partes para garantir uma transição eficaz. Ainda assim, conseguimos atingir todos os objetivos anuais que traçámos e, apesar de não ser possível avançar números concretos, posso afirmar que o nosso desempenho foi cerca de 50% superior ao registado em 2024.

O que mudou na empresa desde a integração no Grupo Porta da Frente Christie’s e o que pode revelar sobre esse negócio? 

A Piquet Realty Portugal mantém o seu ADN muito próprio, que resulta de uma combinação de influências do Brasil, dos EUA e de Portugal, com um forte foco no cliente e na agilidade de processos. A grande mudança prende-se com o facto de passarmos a ter acesso a um portefólio mais alargado de imóveis, a novas ferramentas de trabalho e a equipas altamente qualificadas. Esta convivência trouxe-nos novas práticas, maior eficiência operacional e uma capacidade acrescida de resposta ao mercado.

Casas de luxo à venda
Empreendimento Domus, no Algarve Créditos: Piquet Realty Portugal

O segmento residencial de luxo está de boa saúde, ao contrário do da classe média, que enfrenta uma crise. Concorda com esta visão/afirmação?

Sim. O segmento de luxo continua muito sólido, com uma procura que permanece superior à oferta disponível. As dificuldades ao nível do licenciamento e alguns entraves burocráticos têm limitado o lançamento de novos projetos, o que contribui para manter o mercado aquecido. A isto junta-se o fluxo contínuo de compradores de várias nacionalidades, como britânicos e brasileiros, bem como um crescimento muito relevante da procura norte-americana. Tudo indica que este cenário se mantenha ao longo de 2026.

A Piquet Realty Portugal anunciou que deu início a uma nova fase de crescimento a nível nacional com foco no Algarve. A que se deve esta decisão e porquê o Algarve e não outra região do país, como por exemplo a Comporta?

A decisão de nos expandirmos para o Algarve representa um movimento natural no percurso da Piquet Realty Portugal. Depois de consolidarmos a nossa presença em Lisboa e Cascais, procurávamos uma região que combinasse escala, diversidade de produto e uma procura consistente no segmento de gama alta.

O Algarve destaca-se precisamente por essa combinação. É um mercado maduro, com vários submercados consolidados e outros em crescimento, capaz de responder a diferentes perfis de cliente. Regiões como a Comporta são relevantes e muito interessantes, mas têm uma dimensão e oferta mais limitadas. A região algarvia, por sua vez, reúne as condições essenciais para desenvolver uma operação estruturada e consolidar a presença num mercado estratégico, onde podemos crescer de forma sustentada e conquistar uma posição de liderança.

Estamos muito motivados com esta nova fase do percurso da Piquet Realty Portugal. Apesar de plenamente conscientes dos desafios, acreditamos que estamos no caminho certo para nos consolidarmos como um dos players de referência no Algarve.

"Os compradores portugueses sempre representaram uma fatia relevante do nosso negócio, situando-se entre 20% e 30% do total das transações. Acreditamos que esta proporção se deverá manter estável em 2026"

Os principais clientes (compradores e/ou investidores) da Piquet Realty Portugal são brasileiros e norte-americanos? Há novas nacionalidades interessadas no imobiliário português?

Embora registemos uma procura muito forte por parte de clientes brasileiros e norte-americanos, refletindo a origem e o posicionamento internacional da Piquet Realty, o perfil dos nossos compradores é bastante diversificado. No Algarve, por exemplo, destacam-se sobretudo clientes britânicos, alemães e irlandeses. Já em Lisboa e Cascais, além dos brasileiros e norte-americanos, observamos uma procura consistente por parte de franceses, suecos, russos e outras nacionalidades europeias.

E o interesse por parte compradores/investidores portugueses tem vindo a aumentar? 

Os compradores portugueses sempre representaram uma fatia relevante do nosso negócio, situando-se entre 20% e 30% do total das transações. Acreditamos que esta proporção se deverá manter estável em 2026, refletindo um interesse contínuo por parte do mercado nacional, sobretudo no segmento de gama alta. 

Este interesse é impulsionado, em grande medida, pela reputação da Piquet Realty Portugal no segmento de gama alta, bem como pelo facto de facilitarmos o acesso a um portefólio de imóveis premium diferenciados e, em particular, a oportunidades ‘off-market’, que são cada vez mais valorizadas pelos clientes nacionais.

Mediação imobiliária de luxo em Portugal
Empreendimento Quinta das Parreiras, em Portimão Créditos: Piquet Realty Portugal

Portugal continua a ser um destino de investimento atrativo para os investidores/compradores estrangeiros?

Sim. O país combina estabilidade económica, segurança jurídica e qualidade de vida, fatores que são cada vez mais valorizados por quem procura imóveis de luxo ou oportunidades de investimento seguras. Além disso, oferece um portefólio diversificado de propriedades, desde imóveis históricos e moradias exclusivas até novos empreendimentos premium. A facilidade de acesso a partir dos principais mercados europeus e a sua reputação internacional também contribuem para que o país se mantenha no radar de investidores.

No segmento de gama alta, o apelo de Portugal é reforçado pelo equilíbrio entre qualidade de vida, privacidade e potencial de valorização dos imóveis. Por estas razões, o país continua a ser um mercado estratégico, não apenas para quem procura uma segunda habitação ou casas de férias, mas também para quem quer investir em ativos seguros e rentáveis.

Que tipo de imóveis de luxo procuram os clientes? Mais moradias, penthouses/apartamentos, palacetes…

Depende muito da região. Em Lisboa, a procura incide maioritariamente sobre apartamentos e penthouses. Em Cascais, existe um ‘mix’ mais equilibrado entre apartamentos e moradias. Já no Algarve, o segmento de alto luxo está mais focado nas moradias, enquanto o luxo “tradicional” se divide entre apartamentos e moradias.

"Portugal combina estabilidade económica, segurança jurídica e qualidade de vida, fatores que são cada vez mais valorizados por quem procura imóveis de luxo ou oportunidades de investimento seguras"

Concorda com a visão de que há em Portugal um segmento residencial que vai além do luxo, uma espécie de casas de ultraluxo? Se sim, o que distingue estes imóveis e onde se encontram?

Sem dúvida. O segmento de ultraluxo está a atravessar uma fase de crescimento, embora se veja limitado por uma escassez de imóveis com estas características. Falamos de propriedades com localizações absolutamente premium, áreas muito generosas, acabamentos de excelência, múltiplas comodidades, domótica avançada e garagens de grande dimensão. 

Atualmente, este segmento concentra-se sobretudo em Lisboa e Cascais. No Algarve, também encontramos imóveis com estas características, nomeadamente em zonas como a Quinta do Lago, Vale do Lobo e áreas envolventes.

Considera que o papel da mediação imobiliária e dos consultores imobiliários que trabalham no segmento de luxo está também a mudar, nomeadamente devido ao impacto da tecnologia e da Inteligência Artificial (IA) no setor?

A tecnologia e a IA estão a trazer mudanças profundas ao setor imobiliário, especialmente no segmento premium. Hoje, os clientes esperam respostas rápidas, informação precisa e um serviço altamente personalizado. 

As ferramentas digitais tornam-nos mais eficientes, rigorosos e estratégicos na forma como abordamos o mercado e os clientes. A IA, por exemplo, deixou de ser apenas um apoio operacional e passou a desempenhar um papel estratégico: permite analisar dados de mercado, identificar padrões de procura, antecipar tendências e personalizar a abordagem ao cliente. Isso liberta tempo ao consultor para se concentrar no que realmente cria valor: aconselhamento, acompanhamento próximo e experiência personalizada.

No entanto, a tecnologia não substitui totalmente a relação humana: complementa-a. O verdadeiro valor de um consultor imobiliário continua a residir na sua capacidade de interpretar necessidades e construir relações de confiança duradouras com clientes.

Compra e venda de casas de luxo
Freepik

As características que um consultor imobiliário que opera no segmento premium tem de ter são diferentes das do passado? 

O perfil do consultor de luxo tornou-se muito mais exigente. Hoje, os profissionais do setor atuam cada vez mais como gestores de experiência e parceiros estratégicos do cliente, oferecendo um serviço altamente personalizado. Não basta conhecer o imóvel: é essencial ter um conhecimento profundo do mercado, das tendências, do contexto económico e das particularidades de cada região em que se opera. No caso dos clientes internacionais, por exemplo, isso inclui apoiar todo o processo de realocação e integração no país, desde a documentação e serviços práticos até à adaptação à vida local. 

Paralelamente, o domínio de ferramentas digitais, de CRM e de outras soluções tecnológicas, aliado a uma abordagem estruturada, tornou-se indispensável para gerir de forma eficiente e estratégica múltiplos clientes e oportunidades de negócio.

Como referi anteriormente, a relação humana continua a ser determinante, mas hoje é sustentada por informação, tecnologia e profissionalismo. O consultor de luxo deve saber equilibrar empatia e proximidade com rigor e eficácia, oferecendo ao cliente não apenas uma transação imobiliária, mas uma experiência completa, segura e alinhada com os seus objetivos e estilo de vida.

"O perfil do consultor de luxo tornou-se muito mais exigente. Hoje, os profissionais do setor atuam cada vez mais como gestores de experiência e parceiros estratégicos do cliente, oferecendo um serviço altamente personalizado. Não basta conhecer o imóvel: é essencial ter um conhecimento profundo do mercado, das tendências (...)" 

O Governo anunciou novas medidas relacionadas com a habitação. São sobretudo destinadas ao aumento da oferta no segmento da classe média, mas terão impacto, também, no segmento de luxo?

Qualquer medida que contribua para dinamizar o setor imobiliário, mesmo quando focada na classe média, acaba por ter um impacto transversal. Estas iniciativas reforçam a confiança no mercado, incentivam o investimento e trazem maior previsibilidade para investidores e promotores. Destacaria a redução do IVA para imóveis até 648.000 euros e as medidas destinadas a acelerar os processos de urbanização e reabilitação, que serão determinantes para o aumento da oferta, tanto na habitação acessível como no segmento de gama alta.

Tendo em conta que um dos principais constrangimentos do mercado premium continua a ser a escassez de terrenos e de projetos viáveis, processos mais eficientes poderão desbloquear novos empreendimentos e contribuir para um maior dinamismo do setor.

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2 Comentários:

Antônio Leiras
27 Janeiro 2026, 12:46

Ótima Matéria

Arnaldo Larcher
27 Janeiro 2026, 13:03

Excelente! Piquet Realty Portugal é a melhor para quem busca imóveis de alto padrão. Recomendo!

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