Em 2025, o mercado totalizou 2,7 mil milhões de euros, representando um crescimento de 17% em termos homólogos.
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Imobiliário
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Cátia Colaço
Cátia Colaço (Colaborador do idealista news)

O mercado imobiliário português está a entrar numa fase de maturidade e consolidação, devido à estabilidade dos fundamentos macroeconómicos e pelo facto de Portugal ser um dos mercados mais defensivos da Europa em termos de perfil risco-retorno. Depois de um 2025 de expressiva recuperação, em que o investimento comercial chegou aos 2,7 mil milhões de euros (+17% em termos homólogos), espera-se uma normalização da atividade para este ano.

Estes dados foram recentemente revelados pela CBRE, através do “Portugal Real Estate Outlook 2026”. Para este ano, a consultora prevê um volume de 2,4 mil milhões de euros de investimento comercial no país, valor ligeiramente inferior ao de 2025, mas que reflete uma normalização, num contexto de estabilidade das ‘yields’ na maioria dos setores.

O relatório da CBRE revela ainda um crescimento da quota de mercado por parte dos investidores nacionais, ainda que o investimento estrangeiro continue a dominar, com aproximadamente 60% do volume. Este crescimento de investimento nacional deve-se à transferência de poupanças de depósitos a prazo para fundos de investimento imobiliário.

"Portugal apresenta prémios de retorno particularmente competitivos. Enquanto outras economias europeias enfrentam desafios de endividamento, nós seguimos uma trajetória de consolidação orçamental, estabilidade macroeconómica e retornos imobiliários atrativos, reforçando o posicionamento de Portugal como um mercado atrativo", indica, em comunicado, José Maria Moutinho, Head of Research da CBRE Portugal.

Por sua vez, Igor Borrego, Head of Capital Markets da CBRE Portugal, revela que a consultora não antecipa “compressões significativas nas yields em 2026, pelo que continua a existir uma boa janela de oportunidade para investir”.

Escritórios: rendas devem subir 

Investimento imobiliário comercial em Portugal
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A previsão para este ano é de permanência de subida das rendas no mercado de escritórios em Lisboa, tanto em zonas de expansão como em novas centralidades. O ‘take-up’ deve-se manter estável na capital portuguesa, com uma estimativa de 200.000 metros quadrados (m2) de absorção para este ano, enquanto o Porto espera uma ligeira subida, estimando-se um total de 50.000 m2 de absorção.

Em 2025, e pela primeira vez, a renda prime em Lisboa (32 euros por m2) registou-se na zona histórica e ribeirinha e não no CBD tradicional (Avenida da Liberdade).

“O mercado está claramente orientado para o 'flight to quality' e nunca iniciamos um ano com um 'pipeline' de procura tão robusto. As empresas não estão a reduzir áreas devido ao teletrabalho; estão sim, a procurar melhores edifícios, mais sustentáveis e preparados para novas formas de trabalhar, mesmo que isso implique rendas mais elevadas”, explica André Almada, Offices Leasing Senior Director da CBRE Portugal.

Logística: Portugal como alternativa nas rotas europeias

Apesar de o setor permanecer condicionado devido à escassez estrutural de oferta, em que a taxa de disponibilidade é de menos de 1% no Grande Porto e de cerca de 3% na Grande Lisboa, Portugal é colocado como alternativa nas rotas europeias devido à reconfiguração das cadeias de abastecimento e à instabilidade no Mar Vermelho. Para este ano, o ‘take-up’ previsto deve situar-se entre os 380.000 m2 e os 400.000 m2.

O responsável pelo setor na CBRE Portugal, Nuno Torcato, Industrial & Logistics Leasing Director, alerta para o facto de o país estar “em contraciclo com a Europa”, isto é, “enquanto noutros mercados a ‘vacancy’ aumenta, aqui a escassez continua a definir o mercado”. 

“A prova desta pressão é que mais de 85% dos projetos iniciados especulativamente nos últimos anos foram arrendados ainda antes de a construção terminar. Para 2026, a palavra de ordem continua a ser escassez de espaço no setor logístico”, acrescenta.

Retalho: turismo e consumo interno impulsionam o setor

Comércio de rua em Portugal
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O índice de vendas no setor do retalho em 2025 cresceu 43% face a 2019, demonstrando resiliência do consumo mesmo descontando a inflação acumulada entre esses anos (19%). Este crescimento foi impulsionado pelo turismo e pelo consumo interno. 

No que respeita a rendas prime no comércio de rua, estas podem atingir os 150-155 euros por m2 na Rua Garrett (Chiado, Lisboa) este ano, ao mesmo tempo em que os Retail Parks continuam em forte expansão.

“Os fundamentais do retalho nunca estiveram tão fortes. O crescimento das vendas acima da inflação prova que o consumo físico está de boa saúde e recomenda-se. Para 2026, vemos um dinamismo muito forte nos Retail Parks, com novos projetos de norte a sul, e uma pressão contínua no comércio de rua, onde a procura por lojas nas principais artérias de Lisboa e Porto continua a superar largamente a oferta disponível”, sublinha Carlos Récio, Head of Retail da CBRE Portugal.

Hotelaria e setores alternativos: turismo continua a crescer

Os investimentos esperados para este ano demonstram a continuidade da tendência de crescimento do setor do turismo, com uma significativa parte do investimento a recair, uma vez mais, sobre o segmento de luxo e ‘upscale’, no sentido de atrair turistas de maior valor acrescentado como os do mercado norte-americano. Os setores alternativos à hotelaria também estão a ganhar peso.

O Hotels Director da CBRE Portugal, Duarte Morais Santos, revela que é esperada, para 2026, uma "manutenção do interesse investidor, focado agora na qualificação do destino”. E acrescenta: “O pipeline de investimento que transitou de 2025 dá-nos confiança para um ano forte em transações hoteleiras”.

Já Manuel Valadas Albuquerque, Head of Agribusiness Southern Europe CBRE Iberia and Italy, destaca que o país se está a afirmar em nichos de alto valor, “seja no Agribusiness, com o Alqueva a atrair investimento institucional, ou nos Data Centers, onde a nossa conectividade e energias renováveis são trunfos decisivos, e antevemos que 2026 seja um ano de diversificação do portefólio imobiliário nacional”.

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