A casa não é apenas um espaço físico, é um espaço mental e sensorial. É feita de várias dimensões e incorpora nela um ambiente emocional, cognitivo e fisiológico que influencia diretamente o bem-estar de quem lá vive ou visita. É o palco íntimo das várias dimensões da vida humana, seja para conviver, festejar, estudar, trabalhar ou descansar. Ao mesmo tempo, acolhe fatores sociais, culturais e até arquitetónicos que se cruzam e impactam a gestão do dia a dia das famílias. Mas será que o cérebro feminino projeta, vê e vive a casa de forma diferente? Especialistas dizem que sim e fomos saber porquê.
Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, que se celebra este domingo, 8 de março (8M), o idealista/news decidiu abrir janelas e trazer esta discussão para dentro de casa. Para isso, escutamos várias vozes femininas desde a arquitetura à engenharia, passando pela mediação imobiliária, até quem já passou pelo processo de compra, venda e arrendamento de casas e uma artista. Do desenho e construção das paredes, ao mundo que elas encerram por todas as vivências, a mulher habita a casa dentro (e fora) da cabeça. E a sua impressão digital sente-se muitas vezes, de forma mais ou menos vincada, na escolha dos espaços, na sua decoração, bem como na organização das rotinas do lar, de forma vísivel (e invisível), que acabam refletidas na memória afetiva e identidade que se vai construindo e moldando em cada casa.
“A ciência mostra que mulheres e homens podem experienciar o espaço doméstico de forma diferente, mas não porque exista um ‘cérebro feminino’ separado do masculino no sentido determinístico. O que demonstram é, sobretudo, uma interação entre fatores biológicos, sociais e culturais, incluindo responsabilidades domésticas, papéis sociais e carga mental associada à organização da vida quotidiana”, confirma Teresa Ribeiro, especialista em neuroarquitetura.
É a multiplicidade de funções da casa que altera a forma como o cérebro responde ao ambiente. Uma revisão científica recente, citada pela arquiteta, e que analisou diversos estudos com metodologias como eletroencefalograma, medições de cortisol (hormona associada aos níveis de stress) e avaliações psicológicas, concluiu que, em média, as mulheres reportam níveis mais elevados de stress relacionados com o ambiente doméstico e tendem a classificá-lo como menos restaurador do que os homens.
“O que não significa que o espaço da casa seja necessariamente mais negativo para as mulheres, mas sim que tendem a vivê-lo de forma mais exigente do ponto de vista funcional, emocional e organizacional”, sustenta Teresa Ribeiro. Além disso, a relação com a casa vai se alterando ao longo da vida. “Sabemos, por exemplo, que o efeito restaurador do lar varia com o momento vital, o contexto profissional e a presença de filhos (ou não). Confirmando que não existe uma experiência única da casa, mas sim uma relação dinâmica entre pessoa, espaço e momento de vida”, acrescenta.
Do desenho aos alicerces da casa
Os projetos de engenharia e arquitetura são cada vez mais valorizados na construção de uma casa – não fosse este o lugar mais importante do mundo para a maioria das pessoas. E também neste contexto, em termos profissionais e técnicos, a presença feminina pode impactar a forma como o espaço é construído e percebido.
“A arquiteta, enquanto mulher, é por norma um ser mais sensível e mais atento a questões não só familiares, como da própria dinâmica e gestão do quotidiano da habitação. Observamos, por isso, de forma mais aprofundada as questões de arrumação e manutenção dos espaços, mas também da necessidade de criação de espaços mais inclusivos e que estimulem a aproximação familiar”, considera Maria Fradinho, arquiteta e fundadora do atelier Frari.
A responsável acredita que a mais-valia de haver uma mulher por detrás do desenho da habitação se manifesta no cuidado dos detalhes, “num projeto mais caloroso e próximo das necessidades específicas de quem nele habitará”. “A nossa preocupação reside no habitar e não no habitat, na vida que o edifício permite e promove em detrimento do edifício em si”, refere.
"Ao longo da minha carreira, tanto na engenharia e construção como na promoção imobiliária, tenho constatado que a presença feminina - seja enquanto projetistas e engenheiras, seja enquanto compradoras - representa uma clara mais-valia”, comenta Teresa Pereira, engenheira civil e diretora processual no Departamento Imobiliário do Grupo Arliz. A responsável é da opinião que, de forma geral, as mulheres tendem a analisar uma habitação além da sua dimensão utilitária ou financeira.
“Observam o espaço de forma integrada: atentam ao detalhe construtivo, valorizam a estética, mas também a funcionalidade e a forma como cada divisão será vivida no quotidiano. Esta capacidade de aliar rigor técnico a uma visão prática e sensível conduz a decisões mais conscientes e a projetos mais humanizados, alinhados com as reais necessidades do mercado, e contribui para a evolução qualitativa do setor”, defende.
Uma visão partilhada por Vânia Faria, engenheira e diretora de projetos no mesmo grupo. "Há várias áreas em que nós, mulheres no setor da engenharia, revelamos uma perceção mais apurada e uma maior capacidade de questionamento. Estamos particularmente despertas para determinados pormenores, para a estética, para os acabamentos e, sobretudo, para a funcionalidade dos espaços”, diz. “De forma geral, não nos limitamos a seguir e executar o que está estipulado no projeto sem refletir se faz sentido. Recebemo-lo, analisamo-lo, estudamo-lo e executamo-lo. Mas, entre o estudo e a execução, acrescentamos o questionamento e a procura de soluções mais eficientes e adequadas”, acrescenta.
No que toca à cliente no feminino, o padrão é semelhante. "A mulher visita a obra informada - fruto da disponibilização e acessibilidade de informação técnica -, e tende a ser mais observadora, questionadora e atenta à praticidade e ao aproveitamento do espaço. Olha para aquela que será a sua casa com um olhar desperto, focado não só no que vê, mas também no potencial da habitação”, destaca também a engenheira.
A neuroarquiteta, Teresa Ribeiro, explica isso mesmo. Adianta que, “quando analisamos a dimensão profissional, sabemos que a formação arquitetónica foi historicamente construída a partir de paradigmas funcionalistas e produtivistas, muitas vezes desligados das dinâmicas de cuidado e da gestão quotidiana do espaço doméstico.”
“Diversos estudos em género e urbanismo demonstram que equipas de projeto mais diversas tendem a incorporar maior atenção a aspetos como segurança, ergonomia, circulação quotidiana e uso multifuncional do espaço. Deste modo, a diferença não reside numa biologia cerebral fixa, mas nos padrões de experiência e uso do espaço. Mulheres e homens podem percecionar a casa de forma distinta quando as suas responsabilidades, expectativas sociais e trajetórias quotidianas são diferentes. O género, mais do que destino biológico, revela-se uma construção social que molda a forma como o espaço é vivido, interpretado e projetado”, contextualiza a especialista.
Comprar, vender e/ou arrendar casa: entre a emoção e a razão
Na hora de comprar, vender e ou arrendar casa, serão as mulheres mais influenciadas por fatores emocionais, cognitivos ou uma combinação de ambos? Joana Resende, fundadora e CEO do Grupo Century 21 Arquitectos, com vasta experiência no mercado imobiliário, acredita que há uma combinação dos dois, de forma muito consciente.
“A mulher projeta-se na casa. Imagina a rotina, a segurança, a estabilidade, o crescimento da família. Mas, ao mesmo tempo, faz contas, compara localizações, avalia o potencial de valorização e mede o impacto financeiro da decisão. Não é uma escolha impulsiva. É uma decisão ponderada, onde emoção e razão caminham lado a lado”, explica ao idealista/news.
Esclarece que “muitas mulheres fazem uma leitura muito completa do espaço”. não olham apenas para a tipologia ou para os acabamentos. “Reparam na luz natural, na circulação, na arrumação, na proximidade a escolas e serviços. Conseguem antecipar necessidades futuras e perceber se aquela casa vai continuar a fazer sentido daqui a cinco ou dez anos. A estética é valorizada, mas está sempre ligada ao conforto e ao bem-estar. A casa é vista como um espaço de vida, não apenas como um ativo”, frisa a responsável.
No exercício da profissão de mediação imobiliária, nota que “as mulheres têm uma grande capacidade de escuta e leitura do cliente e percebem rapidamente as motivações reais por detrás de cada decisão. Negoceiam com firmeza, mas com equilíbrio. Criam relações de confiança e acompanham o processo com proximidade, algo essencial num setor onde estamos a lidar com decisões importantes e muitas vezes emocionais”.
Catarina Beato já esteve nos dois papéis, de vendedora e compradora. E não tem dúvidas sobre aquilo que move na hora de escolher a “casa certa”. Como compradora é a emoção. “A energia que sinto em determinado lugar. Não é algo esotérico, são os sentidos - a luz, o cheiro. Nesta casa, onde vivemos agora, era apenas um terreno em que consegui imaginar-me a fazer panquecas para os meus filhos todas as manhãs. E mesmo quando tudo correu mal nunca deixei de ter essa imagem, que hoje é uma realidade”, conta.
Ao mesmo tempo, a criadora de conteúdos é da opinião que “não vale a pena idealizar algo sem realismo”. Primeiro, o valor da casa. “Se o preço puder ser pago, depois analiso o resto. Depois a localização. Apesar de não reunirmos consenso na família sobre esse tema - eu sou mais cidade, esse é o fator principal. Depois a questão do espaço porque somos muitas pessoas e muitos animais”, partilha.
Já no papel de vendedora, a decisão não foi nada fácil. “Obrigou a muita terapia (e não é metáfora, é literal). Vender uma casa obriga-me a processar muitas vezes que as memórias vivem para além dos lugares. Depois pesa sempre o medo de uma má decisão em termos financeiros”, relata, admitindo que foi necessário colocar a razão à frente. “Na venda, felizmente orientada por uma amiga e consultora imobiliária, pesou apenas o mercado. As minhas emoções tiveram que ficar fora disso. Ainda assim inclui todos os rituais necessários para o meu cérebro aceitar a mudança”, diz.
Já Sofia Neves, no papel de inquilina, conta que quando arrendou casa, em 2019, a localização, junto ao centro de Vila Nova de Famalicão, foi o aspeto que mais valorizou, para conseguir deslocar-se a pé para todo o lado. “Senti que era a casa certa também pelo valor da renda e por ter elevador. Hoje, considero a opção de comprar casa, procurando imóveis bem localizados, com varanda, elevador e lugar de garagem”. “Espero conseguir a casa ideal na cidade em breve, para poder beneficiar da isenção de IMT destinada aos jovens até aos 35 anos”, confessa.
E também há quem tenha mudado quase radicalmente de vida para cumprir o sonho de ter casa. É o caso de Maria Ferreira, que trabalha numa tecnológica internacional. Depois de quase 10 anos a viver na Grande Lisboa, decidiu mudar-se para a cidade onde nasceu, no distrito de Coimbra. As motivações foram várias, não só poder comprar casa, mas estar mais perto da família e ter rede.
“Vivi em várias casas arrendadas na Grande Lisboa, mas os preços das rendas começaram a ficar incomportáveis. Comprar casa ali também não era opção, quer pelo preço, quer pela necessidade de financiamento, que anularia essa possibilidade por causa da taxa de esforço. Mudar-me no ano de 2024, foi uma decisão ponderada e possível porque a empresa onde trabalho permitiu um modelo de regime híbrido”, indica.
“Na minha cidade encontrei um apartamento novo com três quartos a um preço acessível, numa zona calma, onde posso deslocar-me a pé e ter acesso a vários tipos de serviços. Estou mais perto da família e, entretanto, tive um filho. Sem dúvida que na escolha da casa o preço foi determinante, mas a emoção teve a sua quota-parte. Estamos longe dos grandes centros, mas acreditamos que aqui é o lugar certo para criar o nosso bebé, também pela rede de apoio e amizades novas que fomos fazendo com este regresso às origens”, confessa.
Já do outro lado da fronteira, Cristina Duarte não tem dúvidas de que a sua intuição feminina marcou a escolha das duas casas que comprou, primeiro um apartamento no centro de Lisboa, para viver sozinha, e depois uma moradia nos arredores de Madrid, para morar com a família que construiu entretanto. "Nos dois casos, senti-me em casa assim que entrei, e fechei negócio em minutos, literalmente, não é um exagero...", partilha.
No entanto, a profissional de comunicação social ressalva que não tomou estas decisões de ânimo leve e de forma precipitada: "Ambos processos de procura de casa foram longos e chegaram a ser desesperantes. Pesquisei muito sobre as zonas onde gostaria de morar, analisei bem os valores das casas tanto para comprar naquele momento, como se potencialmente um dia quisesse vender, estudei as ofertas de crédito habitação, fiz contas à vida e uma lista das características com as necessidades que tinha... que acabou por se ir ajustando, segundo visitava casas e mais casas e, obviamente, nenhuma cumpria todos os requisitos".
Diz que quando se fez o clique na sua cabeça e decidiu avançar rapidamente, "pode parecer que foi algo impulsivo, mas na verdade havia uma base muito racional nessas escolhas, por todo o estudo de mercado prévio que tinha feito, e isto é o que mais recomendo a quem está neste processo". Nas palavras desta mulher neurodivergente, "foi o cérebro aliado às emoções que me levou até estes lugares para habitar que, não sendo perfeitos, foram ganhando alma e forma de lar". Espaços onde a identidade se foi criando por "uma (quase) obsessão pessoal pela organização e limpeza, a par de um fascínio pela decoração que mistura estilos e objetos com memória".
Como o cérebro feminino sente e perceciona o espaço
Segundo a neuroarquiteta, a chamada “carga mental invisível” associada à gestão doméstica “pode refletir-se diretamente na forma como o cérebro processa o espaço, e eventualmente transformar a casa num sistema operativo constante”. “O cérebro deixa de a percecionar como espaço de descanso e passa a interpretá-la como centro de decisões contínuas”, explica.
Além disso, a “neurociência mostra que a sobrecarga prolongada reduz a eficiência das funções executivas e aumenta o estado basal de stress”. Neste contexto, um ambiente doméstico desorganizado, ruidoso ou com falta de zonas diferenciadas pode aumentar significativamente a exigência cognitiva.
"A carga doméstica influência a perceção restauradora da casa e o estado psicológico. Mulheres com maior pressão reportam menos tempo de relaxamento e maior stress global, o que influencia diretamente a perceção restauradora do ambiente doméstico (Hartig et al., 1998). Além disso, a investigação sobre restauração parental mostra que fatores como responsabilidades familiares e trabalho influenciam profundamente a capacidade de recuperação psicológica dentro da casa (Hata et al., 2014)”, justifica, recorrendo a vários exemplos e estudos.
Para Teresa Ribeiro a experiência da casa não é apenas uma questão psicológica, é uma questão neurocognitiva. “Uma casa pode ser fisicamente confortável e neurologicamente exigente ao mesmo tempo. A arquitetura pode reduzir ou amplificar essa carga”, defende.
Isto mesmo confirma a designer gráfica Madalena Freitas, desde a sua experiência vivencial. "A minha casa tem que funcionar quase como um contraponto ao meu mundo interior. Sou uma pessoa um tanto desorganizada e com muito “barulho” dentro de mim (talvez um traço comum a todos os artistas) e por isso preciso que o espaço onde vivo me devolva calma. Gosto de paredes limpas, muita luz, o espaço arrumado, arejado e minimalista."
Desenhar casas que ajudem o cérebro a descansar
De acordo com a neuroarquiteta, alguns estudos indicam que, enquanto habitantes, as mulheres tendem exatamente a demonstrar maior sensibilidade a fatores como privacidade, iluminação, ventilação, organização funcional e sensação de segurança. Em determinados contextos, registam igualmente maior ativação fisiológica em ambientes percecionados como exigentes ou pouco controláveis.
No entanto, frisa, “estas diferenças não são universais nem biologicamente determinísticas”. “Variam significativamente consoante o grau de igualdade social e a divisão de responsabilidades domésticas. Estudos realizados em países nórdicos, por exemplo, não identificaram diferenças estatisticamente relevantes na satisfação com o ambiente interior entre mulheres e homens (Psomas et al., 2024), sugerindo que os fatores culturais desempenham um papel decisivo”, refere a especialista.
Teresa Ribeiro explica ainda que, ao analisarmos o papel da casa, percebemos que se trata de um “ecossistema neurofisiológico”, e que desenhar para a saúde mental, física, emocional e social é imperativo.
"A casa e o cérebro fundem-se: A casa torna-se uma metáfora para o mundo interior feminino", considera a artista Madalena Freitas, que é a autora da ilustração desenvolvida propositadamente para este artigo. Partilhando o seu processo criativo, a designer gráfica diz que partiu da ideia do cérebro como uma casa interior.
"A figura em miniatura representa a capacidade — e a necessidade — de auto-observação. Ela sobe o escadote para olhar para dentro do próprio cérebro, como uma metáfora visual para a introspeção feminina. Cada janela representa uma memória, uma emoção, uma preocupação, uma expectativa, uma parte da identidade", detalha.
“Uma casa restauradora é constituída por zonas com identidades sensoriais distintas com uma leitura intuitiva, por exemplo, entrada/transição, zona social, zona de foco (teletrabalho/estudo), zona de repouso. Isto reduz “microdecisões” constantes (carga cognitiva) e melhora a sensação de controlo. O cérebro necessita de “mapas” claros das diferentes zonas que devem ser percetivelmente diferenciadas. Esta clareza reduz microdecisões e o desgaste cognitivo contínuo”, adianta.
Portanto, diz, “desenhar uma casa que ajude o cérebro a descansar, trata-se de combinar luz natural, biofilia, coerência espacial, acústica, materiais generativos e oportunidades de interação social para criar ambientes que restauram atenção, reduzem stress e promovem saúde. A aplicação da neuroarquitetura é transformar o lar num ambiente de saúde, o que tem implicações diferentes consoante o género, a fase de vida e o modo como usamos o espaço”.
A previsibilidade espacial é igualmente determinante. “A investigação em neurociência demonstra que o cérebro reage negativamente à incerteza constante. Ambientes ambíguos, desorganizados ou com circulação pouco intuitiva (wayfinding) exigem maior processamento cognitivo e mantêm níveis elevados de vigilância. Em contrapartida, espaços com hierarquia clara e proporções equilibradas reduzem microtensões ambientais e facilitam a autorregulação”, acrescenta.
Guia para uma "casa feliz"
Nesta entrevista ao idealista/news, a especialista em neuroarquitetura apresenta ainda uma espécie de guia para desenhar casas que promovam o bem-estar:
- A literatura mostra que contornos curvos tendem a ser avaliados como mais agradáveis e menos stressantes do que contornos angulares. Num estudo com ambientes fotorrealistas, imagens com curvas receberam melhores ratings de “rest” e menores ratings de stress, e houve um efeito de preferência estética por curvas mais marcado em mulheres (Tawil et al., 2022).
- Vistas para plantas, pátios, jardim interno ou acesso a varandas com vegetação são fatores que desaceleram a resposta de stress, reduzindo o cortisol e melhorando a atenção restaurada, o que é crucial para quem trabalha a partir de casa, cuida do lar e dos filhos, e alterna exigências cognitivas constantes.
- Assim mesmo, a casa deixou de ser mono-funcional e a acústica relacionada com o teletrabalho tornou-se um dos maiores determinantes de foco, performance e bem-estar. Um estudo específico sobre soundscape em teletrabalho e relaxamento, mostra que a perceção de conforto acústico cai significativamente durante tarefas de trabalho, e que ruídos de vizinhos têm um impacto particularmente negativo na adequação do som ao trabalho. No plano da saúde mental, ruído (sobretudo de vizinhança) aparece associado a pior bem-estar psicológico.
- A luz natural regula não só o nosso ciclo circadiano (sono, humor, energia), mas ativa redes cerebrais ligadas ao bem-estar (serotonina). Casas que maximizam a luz de manhã e permitem controlo de luz à noite criam estados fisiológicos de alerta e de relaxamento no momento certo.
- A qualidade do ar interior, humidade e temperatura (o corpo decide antes da mente) têm igualmente um impacto significativo na experiência espacial. O cérebro “lê” o conforto primeiro pelo corpo, pela respiração, pela temperatura e pelos odores. A OMS reuniu evidência forte de que humidade e bolores estão associados a problemas de saúde física e mental, reforçando que a qualidade do ar interior é determinante do bem-estar na habitação.
- Os materiais naturais, textura, cor e “carga visual” (menos estímulo não é menos qualidade), reduzir “ruído” e aumentar coerência sensorial melhora as qualidades restauradoras do espaço. Superfícies táteis, tons suaves e materiais que evocam natureza reduzem tensão emocional e aumentam ligação sensorial positiva, constituem um contributo decisivo para “homeostase” emocional.
Para concluir, Teresa Ribeiro enfatiza a importância de realçar que a casa é também lugar de troca social, família e amigos. “Uma casa restauradora não é apenas na dimensão privada, deve adquirir características que suportem vínculos sociais. Espaços que facilitam encontros, partilha e pertença, o sofá junto a uma janela, a cozinha convidativa, o pátio onde se pode cultivar alimentos ou conversar ao entardecer, são igualmente essenciais quanto as áreas de silêncio e descanso”, conclui.
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