Os preços da habitação de luxo em 2025 sofreram um aumento médio de 3,2%. Num total de 100 mercados prime, 73 tiveram aumentos, com especial destaque para Tóquio (Japão), que registou uma subida de 58,5% no valor de apartamentos novos de luxo. Este aumento dos preços é acompanhado pela diminuição acentuada do poder de compra de um milhão de dólares (852.000 euros) em muitos mercados prime, como o de Lisboa. Na capital portuguesa, o número de metros quadrados (m2) que se conseguem comprar por esse valor desceu 14%, passando de 93 m2 para 80 m2.
Estas são as principais conclusões da 20ª edição do relatório anual The Wealth Report da Knight Frank, da qual a portuguesa Quintela & Penalva é associada, onde são divulgados os resultados do Índice Internacional de Imobiliário Residencial Prime (PIRI 100). Segundo o relatório, 2025 foi o segundo ano consecutivo em que os aumentos dos preços prime superaram os dos mercados residenciais tradicionais.
Depois de Tóquio, foi a cidade do Dubai (Emirados Árabes Unidos) que registou a maior subida de preços (25,1%), mantendo-se como o mercado mais ativo do mundo em imóveis acima de 10 milhões de dólares, com 500 vendas ultra-prime. Como região com o melhor desempenho surge o Médio Oriente (+9,4%), enquanto os mercados da América Latina/Caraíbas (+4,7%), Ásia-Pacífico (+3,6%) e Europa (+3,3%) registaram também ganhos consistentes. No entanto, devido à descida de preços no Canadá, a América do Norte teve uma quebra de -0,9%.
Poder de compra de um milhão de dólares cai a nível mundial
De acordo com o indicador PIRI da Knight Frank, é possível definir ainda a quantidade de m2 prime que se compram com um milhão de dólares nos principais mercados do mundo, sendo que nos últimos cinco anos registaram-se quedas acentuadas um pouco por todo o mundo nos mercados prime, com especial destaque para o Dubai (-66%), Tóquio (-41%), Miami (-40%) e Los Angeles (-28%), embora os mercados de Genebra, Singapura e Milão tenham também registado reduções relevantes.
Em contrapartida, cidades como Londres (+7%) e Melbourne (+4%) apresentaram ligeiras melhorias no valor. Já Hong Kong manteve-se estável.
No caso português, o número de m2 que se conseguem comprar com um milhão de dólares na capital passou de 93 para 80, o que representa uma descida de 14% no poder de compra.
Segundo Carlos Penalva, sócio fundador da Quintela + Penalva l Knight Frank, “as descidas de taxas de juro, a grande instabilidade geopolítica internacional, a transferência de ativos financeiros para ativos reais explicam o aumento de preço e a procura de investimento no imobiliário” em Portugal.
O responsável alerta ainda que, de acordo com os resultados do relatório, se está "perante um cenário de forte crescimento dos preços na maioria dos mercados imobiliários globais e, em Portugal, em especial”, acrescentando que “a escassez de produto, combinada com a elevada procura, deverá reforçar a confiança dos compradores e continuar a fazer os preços neste segmento de mercado”.
A nível global, os padrões de compra estão a ser transformados pela mobilidade ultra-elevada, com um número crescente de indivíduos com elevado património líquido (UHNWI) a passar menos de 90 dias por ano nos centros tradicionais, o que impulsiona a procura por arrendamento ultra-prime. Destaque para novos ‘hotspots’ como Mumbai (+8,7%), Brisbane (rápido crescimento no segmento de luxo), Miami (+67% em cinco anos) e Hong Kong (recuperação no segmento ultra-prime).
Mas o principal fator para o aumento dos preços em imóveis prontos a habitar é mesmo a sua escassez.
“Em muitos mercados, o imobiliário residencial prime tem-se distanciado do setor habitacional em geral, sustentado pela força da criação de riqueza. Enquanto os mercados tradicionais continuam expostos a pressões económicas mais amplas, o ritmo a que a riqueza está a ser gerada ajuda a manter a procura por imóveis de luxo mais resiliente, mesmo face à recente volatilidade nos custos de financiamento”, indica o editor do The Wealth Report, Liam Bailey, em comentário global ao estudo.
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