Taxa de subutilização do trabalho é mais alta entre mulheres e jovens

Dados do INE mostram que as mulheres têm uma taxa de desemprego de 6,4% e os jovens têm uma taxa de subutilização do trabalho que atinge os 30,8%.
Desemprego
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A fotografia mais recente do mercado de trabalho português mostra que o desemprego já está alinhado com a média europeia, mas esconde uma realidade mais complexa: há muita gente em idade ativa cujo potencial continua por aproveitar, sobretudo mulheres e jovens. O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou, recentemente, uma análise comparativa com a União Europeia (UE) centrada na “subutilização do trabalho”.

Taxa de subutilização do trabalho
Fonte: INE

De acordo com o INE, Portugal tinha em 2025 uma taxa de desemprego de 6,0%, exatamente em linha com a média da UE‑27, refletindo um período de recuperação após a crise financeira e a pandemia. Mas a taxa de subutilização do trabalho – que soma desempregados, inativos disponíveis mas que não procuram emprego, inativos que procuram mas não estão disponíveis e trabalhadores a tempo parcial que querem trabalhar mais horas – atingia 10,3%, abaixo dos 11,7% da média europeia. 

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O instituto recorda que, em 2013, ano em que o desemprego atingiu o máximo histórico de 17,2%, a população ativa representava apenas 89% da população ativa alargada. Em 2025, esse peso subiu para 98%, o que traduz uma utilização muito mais intensa da força de trabalho potencial. Ainda assim, persistem bolsas significativas de subutilização: o subemprego a tempo parcial representa 2,2% da população ativa alargada, os inativos disponíveis mas que não procuram são 1,7% e os inativos que procuram mas não estão disponíveis correspondem a 0,5%, todos valores ligeiramente abaixo da média da UE.

É no recorte por género e idade que as desigualdades se tornam mais visíveis. Em 2025, a taxa de desemprego das mulheres em Portugal (6,4%) supera a dos homens (5,5%) e esta diferença amplia‑se quando se olha para a subutilização do trabalho. O INE sublinha que, em 23 dos 27 países da UE, as taxas de subutilização feminina são mais elevadas, e no caso português isso resulta sobretudo do maior peso do trabalho a tempo parcial involuntário entre as mulheres e da sua menor disponibilidade para trabalhar, reflexo de desigualdades estruturais ligadas, por exemplo, aos cuidados familiares. 

Entre os jovens dos 15 aos 24 anos, a situação é ainda mais crítica: a taxa de subutilização do trabalho chega a 30,8%, acima dos 28,7% da média europeia, com mais de metade deste valor explicado diretamente pelo desemprego. A mesma fonte conclui que estes indicadores suplementares são essenciais para ler, para lá da taxa de desemprego, até que ponto o mercado de trabalho está (ou não) a conseguir absorver o potencial de quem quer trabalhar – e onde estão os grupos mais penalizados.

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